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4min leitura

2022: o ano do teste de convicções

Não busque atalhos, porque o mercado recompensa dedicação e disciplina

Por Thiago Salomão

26 dez 2022 14h11 - atualizado em 26 dez 2022 02h57

Texto originalmente publicado na CompoundLetter, a newsletter do Market Makers. Inscreva-se na newsletter gratuitamente deixando o seu e-mail aqui

“Aprenda com a era do gelo e a construção das montanhas o seguinte: você não precisa de uma força fora do comum para criar resultados fora do comum (…). Não é necessariamente a quantidade de neve que provoca a formação de camadas de gelo, mas o fato de que a neve permanece, por menor que seja o seu volume”.

– Morgan Housel, em “A Psicologia Financeira

2022 foi um dos anos mais difíceis da história do mercado financeiro. A disparada dos juros nas principais economias do mundo e as consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia nos custos de energia provocaram uma reprecificação de ordem mundial.

A imagem abaixo fala por si: a “Carteira 60/40” (60% ações globais e 40% renda fixa) é uma estratégia muito implementada e que nos últimos 100 anos entregou uma média de 9% ao ano de resultado positivo. Mas em 2022, esse portfólio acumula perdas de 30%, a pior performance da longa série histórica.

Na imagem a seguir, é possível ver como a renda fixa e o S&P500 tiveram um ano trágico se compararmos desde o início do século XX. Mas além disso, perceba nos círculos vermelhos que os resultados mais terríveis aparecem justamente após os melhores anos.

(Gráfico retirado do “Palavra do Estrategista”, série da Empiricus Research a qual os assinantes da Comunidade Market Makers têm acesso)

Por aqui, não fomos tão mal: o Ibovespa sobe 4% no ano (até o fechamento de 23/dez), mas o resultado é principalmente por duas produtoras de commodities (uma das poucas classes que foi bem no ano) que representam quase 30% da carteira do índice: Petrobras (+50%) e Vale (+30%).

Olhando o IBOV mais no detalhe, 18 das 91 ações do índice estão caindo mais de 50% em 2022, contra apenas 5 que sobem mais de 50%.

E se analisarmos outro índice brasileiro, o SMLL (que tem mais exposição a empresas domésticas e menos a commodities), veremos uma queda anual de 16,7% até o fechamento de 23/dez.

IBOV x SMLL em 2022

Tudo isso pra dizer: 2022 foi foda (no mau sentido). Se a sua carteira não estava atolada de renda fixa pós-fixada ou concentrada em alguns fundos multimercados e empresas de commodities, provavelmente você perdeu dinheiro neste ano.

Antes de mais nada: está tudo bem. Perder faz parte da renda variável. A vida é movimento e nem sempre as coisas vão mudar pra melhor.

Se a latência da dor não te faz aceitar isso, lembre-se do 4º capítulo de “A Psicologia Financeira”, do Morgan Housel (se ainda não leu este livro, aproveite este fim de ano pra isso que valerá a pena): 99,7% da fortuna de Warren Buffett foi construída a partir dos 50 anos. Antes dos 50, ele tinha US$ 300 milhões, valor suficiente para viver o resto da vida, mas uma fração minúscula perto dos US$ 84,5 bilhões que ele tinha aos 90 anos.

Trazendo pra nossa realidade: esse jogo de investir é uma corrida de longo prazo. A frustração da perda pode gerar autodesconfiança. Guiado por essa insegurança, você vai em busca da nova “bola da vez”.

Não estou aqui pra te dizer o que fazer ou não, mas dada minha experiência investindo, lendo e conversando com quem faz o mercado acontecer, te garanto que não há atalhos.

Enganar é mais fácil que ensinar (e vende mais) e a mentira satisfatória sempre terá respostas muito corretas. Mas no futuro, ser resiliente, dedicado e disciplinado te dará muito mais frutos (financeiros e saudáveis) do que tentar chegar em primeiro todas as voltas.

Desejo que em 2023 você siga fiel à sua estratégia de longo prazo e, caso queira modificá-la, que seja para buscar novos conhecimentos e não pelos resultados de curto prazo. Perder dinheiro é uma merda, mas faz parte do jogo “investimentos”: pra correr o risco de ganhar mais, é preciso saber que existe risco de perder.

MUITO OBRIGADO

Esta foi a última CompoundLetter de 2022 e não podia encerrá-la sem agradecer a todos os 3 leitores que recebem esse texto desde julho, quando o Market Makers nasceu. Sim, o ano foi bem difícil, mas não consigo esconder o quanto estou realizado por criarmos um projeto 100% com a nossa cara e ao lado de sócios que não são apenas grandes amigos mas que também me inspiram cada dia mais.

Agora que já passou, fica mais fácil dizer que eu senti um medo enorme quando, em dezembro de 2021, pedi demissão numa grande empresa onde eu era sócio e tinha construído uma carreira consolidada. A sorte que eu tive foi estar ao lado das pessoas certas: criar do zero um projeto que já nasceria “concorrente” do meu antigo emprego poderia custar umas noites de sono, mas tendo comigo pessoas super competentes, que compartilham dos mesmos sonhos e da mesma paixão, me trouxe paz no meio de toda essa guerra.

Aos meus irmãos Renato, Matheus e Josué, meu muito obrigado.

Fizemos episódios memoráveis (Marcos LisboaIvan Sant’Anna e Luiz Cezar Fernandes foram meus favoritos), lançamos a Comunidade Market Makers, com uma carteira de ações que expressa as nossas maiores convicções da bolsa, temos um fundo que acompanha essa carteira (Market Makers FIA) e no qual aplicamos nosso dinheiro, reunimos nossos assinantes e amigos em eventos presenciais… tudo isso em apenas 6 meses de vida.

Ansioso por tudo que vamos tirar do papel em 2023. Aguarde novidades, o Market Makers está apenas começando a revolucionar o mercado!

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br