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3min leitura

5 motivos para ouvir os Cerizes

Daqueles episódios pra quem é apaixonado pelo mercado ouvir mais de uma vez!

Por Renato Santiago

06 abr 2023 10h53 - atualizado em 10 abr 2023 10h54

O Market Makers desta quinta-feira (06/04) recebeu Marcelo e Pedro Cerize, dois irmãos que já empreenderam em várias frentes do mercado financeiro: fundaram uma gestora, compraram uma casa de análise e criaram uma corretora focada no público institucional.

Um deles, o Pedro, também era um dos personagens favoritos da autodenominada fintwit, grupo de pessoas que fala sobre investimentos no Twitter. Era por que, cansado de brigas, deixou a rede já duas vezes.

A conversa ficou totalmente acima das nossas expectativas e recomendamos com afinco que você a ouça ou assista. Se ainda não deu seu play, aqui vão alguns motivos para fazê-lo:

1) Twitter e o hábito do sincericídio

Pedro Cerize se notabilizou por dizer o que pensa e, consequentemente, brigar com muita gente no Twitter — ele já deixou a rede duas vezes e diz que não vai mais voltar. Mas segundo ele mesmo, seu hábito de cometer sincericídios já foi pior e não acontecia apenas nas redes sociais. “Eu tinha gente, como o Luiz Fernando Figueiredo, no BBA, que me protegia. Ele me chamava em uma sala, me dava todas as broncas necessárias, mas me protegia da instituição. Se eu fizesse as coisas que eu faço em qualquer outra instituição, seria eliminado”, conta. “Minha habilidade política é muito ruim. O Luis Stuhlberger chama isso de sincericídio”, completa.

2) Sobre buffettianos brasileiros

Pedro conta que leu Buffett pela primeira vez em 1994. E, para ele, muita gente no Brasil só finge ser buffettiana. “Os caras falam que são como Warren Buffett no Brasil, mas não fazem as coisas básicas dele, como conhecer a pessoa de quem você vai ser sócio”.

3) A história do Vaguinho

Operador do Naji Nahas e conterrâneo dos Cerizes, Vaguinho inspirou os irmãos a irem para o mercado financeiro. “Escolhi a Bolsa por causa do Vaguinho. Ele ia, na década de 1980, de Porsche para São Sebastião do Paraíso. Pensei: é com isso que eu quero trabalhar”, conta Pedro. “Naquela época eu pensava em ir para a Bolsa por que achava que os juros um dia iam cair com Brasil. Ainda estou esperando.”

4) Banco Central e arcabouço

Segundo Pedro, o novo arcabouço fiscal brasileiro, apresentado por Haddad, só pode ser cumprido de uma maneira: com mais inflação. E com esse Banco Central atual, isso não vai rolar. “Os números do Haddad fecham com a inflação entre 6% e 10%”, diz Pedro. “Como as despesas estão travadas com inflação e a inflação vem maior, o crescimento real vem menor do que o estimado, é preciso inflação como tributo adicional para fechar a conta.”

5) Multiplicando o capital por 38

Em 2007 a bolsa brasileira ainda não era uma empresa de capital aberto, mas sim uma espécie de clube formado por dono das corretoras que possuíssem cartas-patente. Vendo que esse tipo de organização duraria pouco e logo a bolsa se tornaria uma empresa, e poderia abrir capital, Marcelo e Pedro compraram duas cartas-patente por R$ 1,8 milhão. Em 14 meses, o valor delas chegou a R$ 70 milhões. Hoje parece fácil, mas o processo envolveu proibição da área de risco e um pedido de dinheiro emprestado à mulher do sócio.

Estes são apenas cinco histórias e lições que extraímos das quase duas horas de conversa com Pedro Cerize e seu irmão, Marcelo. O episódio completo tem muito mais e você pode ver aqui no YouTube ou ouvir no Spotify.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br