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A economia global está em modo jazz; entenda

Como as dissonâncias e improvisos das cadeias globais estão afetando a economia

Por Renato Santiago

19 maio 2023 12h42 - atualizado em 19 maio 2023 12h45

Até 2020, a economia global estava perfeitamente organizada. Como uma obra musical clássica, tinha todas as notas encaixadas e era perfeitamente regida pelos maestros Estados Unidos e China. Até que apareceram problemas que transformaram essa música em algo muito mais parecido com um jazz.

Essa avaliação obviamente não é minha — entendo muito pouco de economia e menos de música — mas sim do Ruy Alves, gestor da Kinea, que esteve no episódio de ontem do Market Makers

O Ruy é uma das pessoas mais versáteis do mercado financeiro que eu conheço. Ele estuda de tudo e é capaz de explicar com uma didática ímpar fenômenos econômicos globais extremamente complexos, como a reorganização que a economia global está passando.

Segundo o Ruy existem quatro elementos que desorganizam hoje a economia global:

  • A produtividade, que parou de aumentar, apesar da revolução do smartphone e da tecnologia. ”Ficou mais fácil brigar com uma pessoa que você nem conhece na internet e só. Aumento de produtividade não está nos números”;
  • A mão de obra deixou de ser abundante e de crescer no mundo, uma vez que a China e outros países já estão integrados;
  • A energia barata, fruto da queima do carvão chinês e do petróleo de xisto norte-americano já não é mais abundante como antes;
  • A inflação, desconhecida para uma geração inteira, voltou, e voltou assustando.

Todos esses problemas podem ser entendidos como dissonâncias, sons desarmônicos e que podem parecer desagradáveis para quem não está acostumado ou nunca lidou com isso antes. Graças a ele, não sabemos mais onde vamos parar em termos econômicos. 

É nesse lugar que a economia global está hoje. Saímos de uma música clássica, organizada e até certo ponto previsível, para um jazz, improvisado, portanto cheio de acordes dissonantes e, por natureza, imprevisível.

A boa notícia, segundo Ruy, é que o jazz é um gosto adquirido. O normal e mais comum é gostarmos de músicas simples e fáceis. Mas o jazz é questão de entender, compreender, e finalmente, apreciar.

A economia em modo jazz foi apenas um dos temas explorados pelo Ruy Alves no programa de ontem. No episódio ele falou também sobre o novo paradigma da China — que não vai mais sustentar sozinha o crescimento global — a possível recessão americana, seus papéis favoritos na bolsa brasileira, o marasmo que no qual o planeta pode se colocar e muito mais. Para assistir, é só clicar aqui.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br