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Acredite, (não) estou mentindo

Reflexões sobre mídias, eleições e mercados

Por Josué Guedes

31 ago 2022 11h38 - atualizado em 31 ago 2022 11h38

Faltando 22 pregões para o primeiro turno das eleições e com o rebuliço gerado nas redes após o primeiro debate presidencial, resolvi revisitar um livro que considero fundamental na minha jornada no marketing e na elaboração de estratégias online: Acredite, estou mentindo.

Muito distante de manuais de publicidade, esse clássico do Ryan Holiday, ex-publicitário e escritor americano, é literalmente uma confissão do autor sobre seu trabalho como um manipulador da mídia — e mentir foi o menor dos pecados de Holiday.

Criar furos jornalísticos, subornar blogueiros para criar notícias em pequenos sites, conspirar para marcas bilionárias, vandalizar outdoors que ele mesmo criou para gerar notícia e outras coisas compõem a extensa lista de “mentiras” criadas por esse ex-diretor de marketing da American Appareal, empresa americana de vestuário.

Sim, isso realmente existe e numa frequência maior do que você imagina.

Se você chegou até aqui e se perguntou o que isso tem a ver com mercado, ouso dizer, (quase) tudo. Principalmente no momento atual.

Com as eleições chegando, não há investidor imune à volatilidade criada pelas dezenas de notícias — verdadeiras ou não — que circulam diariamente na internet:

“Vão taxar os dividendos.”

“Isso daqui vai virar uma Venezuela.”

“Vão revogar as reformas.”

“O Brasil vai decolar!”

Acredite, várias dessas headlines não passam de truques marqueteiros de vários “Holidays” buscando seu clique e, na instância política, seu voto.

E é interessante como as pessoas costumam se esquecer disso durante as eleições, porque se apegam a sua preferência política, algo totalmente natural, e tudo que corrobora seu ponto de vista se torna verdade imediatamente.

Isso se torna um problema para o investidor e eleitor desavisado, porque uma das principais armas utilizadas em momentos pelos que estão caçando seu clique é o medo. E, agindo com medo, o investidor toma péssimas decisões de investimento, e o eleitor decide votar num só para evitar o outro, agindo de forma totalmente irracional.

Mas, além do medo, há outros elementos que podem ser usados: raiva, excitação ou riso.

E como identificar que alguém pode estar manipulando uma informação e não agir de forma irracional?

Tenha em mente o que Holiday explica em seu livro e use a seu favor.

1. Desconfie daquilo que gera emoções exageradamente polarizantes

Tim Ferris (autor best-seller): “Estude as matérias mais virais da internet e vai notar um padrão: as principais histórias polarizam as pessoas. Se conseguir afetar três coisas – comportamento, crença ou sentimento de pertencimento – das pessoas, você terá uma dispersão enorme, igual à de um vírus.”

2. Vá além da headline

Para quem precisa de cliques, tudo se resume ao título, à manchete.

3. Não existe almoço grátis

Para sites, tráfego é dinheiro. Então, algo que não é compartilhado não vale nada. Em muitos casos é mais importante fazer você clicar e compartilhar.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br