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Argentina de Milei: ‘a fonte de dinheiro’, carajo

"Se a Argentina chegar ao nível da Nigéria, a gente já vai ganhar bastante dinheiro", diz sócio da Vinci Partners

Por caio.nascimento

17 maio 2024 20h53 - atualizado em 17 maio 2024 08h53

“No mundo como um todo, existem quatro tipo de países: os desenvolvidos, em desenvolvimento, Japão e a Argentina”.


É assim que José Carlos Carvalho, sócio e estrategista da Vinci Partners, define os nossos vizinhos. Afinal, o desastre econômico ao longo das últimas décadas e os seguidos erros dos governos fizeram da terra do tango um mundo à parte.

Ele destrincha isso no episódio #98 do Market Makers Podcast ao lado de Daniel Delabio, gestor de portfólio da Exploritas Investimentos.

Acompanhando o país desde a década de 1990, Carvalho destaca que a Argentina está “muito fora do preço”, vê espaço para ganhar dinheiro com isso e que, por esse motivo, está com um fundo de situações especiais focado no cenário dos hermanos.

Para explicar o potencial de ganho, ele conta que a Argentina tinha um rating em moeda estrangeira CCC- pela S&P Global até pouco tempo atrás (a pior nota que existe), ficando abaixo de países subdesenvolvidos como o Egito, Turquia e Nigéria.

Em outras palavras, o mundo classificava a Argentina como um país sem menor potencial de pagar sua dívida externa.

Há um mês, elevaram para CCC após os resultados de um swap de títulos locais que liberou mais de US$ 50 bilhões em vencimentos futuros.

Assim, as medidas economicamente drásticas (no bom sentido) de Milei para combater a forte crise e recuperar a credibilidade global — com suas ideias puristas de rigor fiscal espelhadas pelo seu slogan: “viva la libertad, carajo” — podem levar o país, em 2 anos, a uma nota próxima da recebida por outros pares (B puro) que são ruins, mas que estão melhores que a Argentina.

“De seis meses a um ano, se você for olhar para o crédito da Argentina, a reserva não vai estar mais em menos de US$ 15 bilhões. Vai estar subindo. Esperamos também que o câmbio passe de fixo para flexível. O gigantesco déficit fiscal permanente ao longo de 12 anos, que foi 5% do PIB fiscal, vai virar superávit. Então uma agência de rating vai ver isso dentro de um ano e vão elevar a nota”, afirma Carvalho.

Se a Argentina chegar ao nível da Nigéria, a gente já vai ganhar bastante dinheiro. A gente não vai colocar dinheiro dentro da Argentina. Vamos comprar papéis argentinos que negociam no mercado internacional. É um fundo oportunista de tempo limitado”, diz.

A carteira na prática

Para buscar esses ganhos, Carvalho conta que a estratégia é ter 85% em títulos soberanos de 10 anos e 15% em ADRs.

“A gente acredita que haverá uma redução de taxa em 400-500 base points na Argentina à medida que for convergindo nessa direção que esperamos. Portanto, se você comprar um papel com 10 anos de duração e fechar a 4%, 5%, você ganha 40%, 50% em dólar, fora o carrego. Enquanto você está esperando [esse cenário], o papel vai te pagando um carrego de 12 a 14% ao ano. Então você é pago para esperar e ter um ganho de captação significativo”, diz ele.

No que diz respeito às ações, o sócio da Vinci Partners está com alocações em ações de bancos e, por acreditar que o câmbio vai flutuar, também está de olho em papéis de transportadoras, energia e gás, sendo esse último muito embasado no potencial de crescimento do Vaca Muerta, considerada a 2ª maior reserva com óleo não-convencional (shale gas).

Num papo de 2h sobre tudo que você precisa saber sobre a Argentina neste momento, Delabio e Carvalho mostraram que entendem muito das oportunidades do país e das perspectivas com Milei, que, segundo eles, é uma mistura de Bolsonaro (sabe falar com o povão) com Paulo Guedes (no que diz respeito ao conhecimento técnico e acadêmico).

No episódio, você vai aprender:

  • O que está acontecendo com a Argentina;
  • Como a Argentina destruiu sua economia;
  • Tudo sobre o problema fiscal argentino e como Milei está tentando resolvê-lo;
  • Qual a viabilidade de dolarizar a economia da Argentina;
  • Quais são as dificuldade política que Javier Milei enfrenta;
  • As diferenças e semelhanças de Javier Milei e Macri;
  • As perspectivas de fechar o Banco Central;
  • Curiosidade sobre a bolsa argentina; e
  • Onde estão as oportunidades de investimentos na Argentina.

A Argentina passa por um momento de inflexão. Saiu de um governo de esquerda que fracassou para um economista de comportamentos peculiares, ideias fiscais puristas, adepto da Escola Austríaca e que espalha aos quatro ventos seu slogan em crítica ao peronismo: “VIVA LA LIBERTAD, CARAJO”.

Se a Argentina vai atingir essa tão sonhada liberdade (um país próspero, com superávit e credibilidade global), só o futuro irá dizer.

Mas este episódio ajuda a traçar, pelo menos, uma visão sobre o que esperar desse complexo nó político-econômico dos nossos hermanos.

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Por caio.nascimento

caio.nascimento@mmakers.com.br