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As ações favoritas dos gestores que estão batendo com folga o Ibovespa em 2022

Cassio Bruno, da Moat Capital, e Gustavo Salomão, da Norte Asset, tocam dois dos melhores fundos Long Bias do Brasil em 2022

Por Matheus Soares

24 set 2022 11h04 - atualizado em 24 set 2022 11h48

Em nossa quarta Live de Sexta no Instagram (assista aqui), repetimos a dupla de gestores do último episódio do Market Makers (assista aqui) para falar das principais convicções da carteira deles. Cassio Bruno, da Moat Capital, e Gustavo Salomão, da Norte Asset, tocam dois dos melhores fundos Long Bias do Brasil em 2022: o Norte Long Bias e o Moat Long Bias rendem 15% e 22% em 2022, respectivamente. No mesmo período, IBOV sobe cerca de 6%.

Na conversa, Cassio Bruno falou de BRF (maior posição da carteira) e Americanas, enquanto o Salomão falou de Arezzo (ação que está na carteira desde a cota 1 do fundo) e Minerva. Abaixo, um resumo sobre as principais teses comentadas:

BRF (BRFS3)

A Moat gosta de empresas que carregam ativos de qualidade e a BRF talvez tenha o melhor ativo de frango do mundo. Plantas localizadas em lugares corretos, relativamente novas, e marcas boas (Sadia e Perdigão): “essa é a primeira coisa que a gente olha, é um ativo muito bom.”

A segunda característica é o preço: Cassio acha que a empresa está bem descontada. É uma companhia que tem um problema de estrutura de capital – tem um problema de endividamento e gera muito pouco caixa -, reflexo de uma companhia que foi muito mal gerida por muitos anos. “A gestão da companhia foi por muito tempo um fundo de pensão, depois foi tocada não muito bem por gestores da Faria Lima e por último virou uma Corporation (empresa sem um dono).” Não à toa, entregou uma margem operacional muito abaixo do que deveria ser.

Do ponto de vista de gestão, ela mudou. Depois da Marfrig comprar 33% da BRF, ela agora é uma empresa de dono. Passou a ter um conselho alinhado à companhia e entende que tem muito mato alto pra cortar: executivos, plantas, monetização e gestão. Tudo isso deve ajudar a levar a uma melhora grande de margens e lucro.

Além disso, o ciclo do frango, que foi bastante negativo por conta da alta dos grãos no mundo impulsionado pela peste suína africana, parece ter virado.

Arezzo (ARZZ3)

Se trata da maior posição da Norte há 11 meses. Está na carteira desde a cota 1.

A Arezzo tem se transformado a partir de uma estratégia de crescimento baseada em aquisições de marcas. Começou como uma empresa de calçados femininos (com 30% de participação em calçados no Brasil). Inclusive, por conta dessa elevada participação o mercado sempre acreditou que seria dificil crescer muito além disso. Mas a verdade é que ela vem conseguindo através do desenvolvimento de novas marcas, ou “House of Brands” como o mercado gosta de falar. A aquisição da Reserva foi muito bem executada e, ao entrar em vestuário, permitiu com que ela expandisse seu mercado endereçável.

Além disso, passou a licenciar a marca Vans no Brasil. Apesar de no início o contrato não permitir uma expansão acelerada – dado o cuidado com a marca -, o sucesso na execução permitiu a renegociação do contrato e agora não há mais um limite de abertura de novas lojas.

Com isso ela conseguiu criar uma empresa de marcas valiosas: Vans (marca jovem), Reserva (focada no público masculino) e que agora também tem calçados, Oficina (focada no público de escritórios) e a última aquisição foi a Carol Bassi, estilista paulista que tem a loja que mais vende do shopping Cidade Jardim.

Gustavo prefere Arezzo à lojas de departamento (Lojas Renner, C&A e Marisa, por exemplo) por conta da marca. “Marca tem resiliência, quando você cria uma marca você tem consumidores leais a essa marca.” O perfil do negócio também é outro, com grande parte das lojas de departamento oferecendo crédito em um momento em que a inadimplência deve subir. “As classes A e B se seguram mais em uma crise econômica por conta do poder de compra dos seus clientes, mas o mais importante no varejo é o poder de execução.”

“A Arezzo está dentro do que chamamos de fórmula da felicidade [que é quando a realidade é melhor que a expectativa]. A gente vê o que o mercado está esperando e o que o cara vai entregar. No último trimestre a Arezzo (no consolidado) cresceu 70% a/a com crescimento de 3 pontos percentuais de margem bruta. O mercado cresceu vendas em 40% a/a e perdendo margem bruta. Conseguir crescer venda ganhando margem é uma prova que eles estão fazendo a coisa certa. O sell side está cada vez mais revisando os números pra cima. E nós também. Arezzo negocia a 17 vezes o lucro do ano que vem. Estamos com lucro acima de R$600 milhões e o consenso por volta de R$540 milhões pro ano que vem.”

Americanas (AMER3)

A Moat tem uma característica de gostar de companhias que ninguém gosta. “Quando a gente investe, tenta identificar se é algo fora do preço e do radar. Quando olho Americanas, gosto do setor de varejo e e-commerce e acho que uma empresa de e-commerce integrada com lojas é bom. Vejo a Americanas bem posicionada no varejo de passagem agora que as pessoas voltaram às ruas.”

“Ativo bom, que foi pioneira no formato dela e na B2W. O que aconteceu é que a cia ficou pra trás. Atrasada no tempo. E esse fator vem de uma cultura que vem mudando muito ao longo dos últimos anos e que teve dificuldades de se adaptar nesse ambiente mais tech. É uma companhia de dono que entendeu que o mundo mudou e, por conta disso, está passando por uma mudança de gestão. Sergio Rial é um dos maiores executivos do Brasil, se não o melhor, e assume a companhia a partir do ano que vem.”

O Cassio acompanha o Rial há muito tempo: “A principal coisa que ele sabe fazer é identificar aonde a empresa precisa chegar, tornar esses objetivos claros para as pessoas e incentivá-las corretamente. Foi assim que ele transformou o Santander. Quando o funcionário entende que pode ser melhor remunerado se atingir certos objetivos, a mudança salarial que você traz para ele é tão grande e tão relevante que muda a vida dele como um todo. Isso faz com que ele coloque a alma pra que aquilo dê certo. Ele é bom em trazer esse espírito para os colaboradores da cia.”

Os principais pilares da tese são:

1. Crescimento de participação no varejo físico e online pautado na ideia de que o varejo não terá apenas um player (no caso o Mercado Livre);

2. Braço financeiro: com a chegada do Rial, espera-se que a Ame Digital ganhe protagonismo nos resultados. Hoje, é uma financeira que transaciona muito, mas que gera pouco valor para a companhia;

3. Macro a favor: é uma empresa muito alavancada a juro (lucro fica muito deprimido quando o juro está alto, mas, quando o juro cair, converte em lucro muito rápido).

Além disso, é uma companhia que ninguém gosta e ninguém nem quer estudar.

Minerva (BEEF3)

É uma das 3 maiores posições da Norte.

“Minerva tem plantas na América do Sul, região com o menor custo de produção, e o seu principal mercado consumidor é a China. O que é interessante do ciclo do gado: depende da geografia. Principal insumo é gado. Margem sobe quando você tem uma oferta excessiva de gado e tem que ver como a demanda se comporta. Os grandes ofertantes além do Brasil são Austrália e EUA. Estamos num momento que o ciclo está virando: oferta excessiva de gado no Brasil com pouca oferta de carne na Austrália e pouco oferta de carne para a exportação. É um negócio que não tem margem alta (~10%). Com o menor custo de produção e maior preço de venda, a margem da Minerva está saltando de 9% pra 12% de margem e vai crescer mais ainda no ano que vem”, explicou o gestor durante a live.

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Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br