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4min leitura

Brasil: tá ruim, mas tá bom

A boa notícia, mais uma vez, vem do exterior

Por Thiago Salomão

16 jan 2023 11h57 - atualizado em 16 jan 2023 12h00

Texto originalmente publicado na CompoundLetter, a newsletter do Market Makers. Inscreva-se na newsletter gratuitamente deixando o seu e-mail aqui

Domingo retrasado tivemos o hostil discurso de posse de Lula. Domingo passado o governo quase caiu com a invasão dos patriotas em Brasília. Já ontem, controladores da Americanas e bancos dão início a uma briga que deve se arrastar por um bom tempo em busca dos responsáveis pelo rombo bilionário da varejista.

Definitivamente, ainda não tivemos um domingo tranquilo em 2023.

Se em Brasília a temperatura esfriou na última semana, na Faria Lima vai ser fundamental acompanhar os próximos 30 dias para sabermos o que acontecerá com a Americanas e quais serão as consequências. Para o mercado, o trio da 3G é no mínimo co-responsável pelo desastre, como relatou ontem à noite o Brazil Journal.

Em meio a tudo isso, fiz meu exercício rotineiro favorito de fim de semana: reouvir o último episódio do Market Makers. Além do dever profissional de ouvir pra ver se encontro algum ponto a melhorar nas próximas entrevistas, este último papo trouxe informação demais para ser absorvida de uma vez só.

Separei alguns trechos que considero os mais importantes nesta segunda ouvida. Em resumo: a fotografia do Brasil é terrível, mas todo pessimismo precisa ser relativizado pelo forte interesse que os estrangeiros ainda terão sobre nós por causa do grande call de 2023, que deve ser a reabertura da economia chinesa.

Confira abaixo o resumo, mas sugiro fortemente que você acompanhe a conversa na íntegra: a acidez do Alexandre Schwartsman e a experiência e “skin in the game” do Paolo di Sora fizeram desse episódio uma aula prática sobre Brasil.

> “Estou moderadamente mais pessimista hoje do que na véspera das eleições”. Dois dias antes da eleição, o PT divulgou uma carta reforçando os princípios da Nova Matriz Econômica. Ou seja, ele deu uma sinalização ainda mais à esquerda quando na verdade ele precisava estar fazendo um aceno ao centro. “Se ele está fazendo isso quando na verdade ele tinha que fazer o contrário, é porque ele acredita naquilo [na Nova Matriz Econômica]”.

> Vamos fazer um aumento fiscal sem precedentes (exceção aos tempos de pandemia, cujo aumento fiscal estava previsto por lei) num cenário de inflação ainda alta. Ainda temos uma inflação rodando na faixa de 5%, que é acima da meta do BC. Então, enquanto o Tesouro pisa no acelerador, o BC vai ter que pisar no freio. Quando isso acontece, o carro derrapa.

> No passado, lá em 2002/2003, o PT dizia ter ideias novas e boas. Mas as novas não eram boas e as boas não eram novas. Hoje, só temos ideias velhas e ruins. Por isso, vejo o cenário econômico complicado.

> Haddad planeja mostrar o novo arcabouço fiscal… mas alguém tem que ser muito burro pra acreditar que essa regra será respeitada. Sempre que o governo tiver que escolher entre a regra fiscal super bacana e o interesse de curto prazo, o que vai prevalecer é o interesse de curto prazo.

> A devastação institucional que aconteceu aqui não vai ser corrigida com uma lei tirada da cartola, ela só será corrigida quando dedicarmos esforços para as reformas que já sabemos que precisam ser feitas. Mas você vê alguém com vontade de fazer isso agora?

> “RH” do governo Lula decepcionou. Todo mundo diz que o Lula se destaca por ser um “animal político”, mas não acho que ele construiu tão bem sua equipe como fez em 2002.

Fernando Haddad x Antonio Palocci: não que o Palocci tivesse muita autonomia, mas ele tinha uma equipe mais qualificada do que o Haddad. Além disso, Palocci emplacou muita coisa que desagradou o “PT raíz”. Hoje, você tem um monte de “yes, man” circundando o Haddad e o Lula.

> O Haddad está lá para cumprir a agenda econômica que está na cabeça do Lula. Esqueça o resto!

Por que o mercado brasileiro não “panicou”? Porque o contexto internacional está muito favorável pra nós. O grande call de 2023 deve ser a retomada da economia chinesa. O Brasil se aproveita disso sendo uma derivada da economia chinesa. Além disso, tem muita gente que investe direto na China, seja pelas perdas recentes, seja pela questão ESG.

Conclusão: esse pessimismo extremo ao Brasil tem que ser relativizado pelo interesse estrangeiro em nós.

> A única certeza que temos no Brasil é: a nova matriz econômica será testada de novo. Então, juros terão que subir.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br