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Carta do Buffett: os 5 melhores insights

Um pequeno resumo com várias boas frases

Por Josué Guedes

01 mar 2023 11h52 - atualizado em 01 mar 2023 01h42

Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, já explicitou várias vezes em suas newsletter e podcasts que se tem algo que lhe dá preguiça é quando alguém cita Warren Buffett, diretor executivo da Berkshire Hathaway, para parecer mais inteligente ou como argumento de autoridade.

Bom, peço licença ao Miranda, mas nesta edição da CompoundLetter teremos uma “chuva” de Buffett.

O motivo para isso é mais do que justificado: no sábado (25/02), Buffett soltou sua carta anual e vi tantos tweets, threads e stories sobre o assunto que não seria justo deixar de compartilhar tudo que li e salvei.

Antes de qualquer coisa, vale a pena mostrar uma pequena curiosidade que ocupa sempre uma página das cartas que Buffett escreve há 58 anos e pode servir como um balizador simples para livrar qualquer um de propostas faraônicas de investimentos, como as que tomaram o noticiário policial do país nas últimas semanas. Trata-se da comparação de performance entre a Berkshire e o S&P 500.

Desde 1965, o retorno composto anualizado do índice das 500 maiores empresas dos EUA é de 9,9%, enquanto o de Buffett, considerado um dos maiores investidores de todos os tempos, 19,8%

É isso mesmo. Você não leu errado: 19,8% ao ano

Guarde com carinho esse número e use-o como “benchmark” quando estiver diante de uma oferta muito “generosa” de retorno, porque, como você já deve ter percebido, não existem muitos Buffett’s por aí.

Voltando, além de apresentar os últimos resultados trimestrais do conglomerado, que não foram tão bons quanto em 2021, a carta traz sempre muitos insights valiosos e que frequentemente podem ser resumidos de forma simples e didática em pequenas frases ou parágrafos para investidores mais apressados.

Então aqui estão os 5 trechos mais valiosos da última carta do Oráculo de Omaha:

1) Ética de negócios

“Quando grandes empresas estão sendo gerenciadas, tanto a confiança quanto as regras são essenciais. Nós compreendemos os erros de negócios; nossa tolerância para má conduta pessoal é zero.”

Além de investir em companhias de capital aberto, a Berkshire faz aquisições para assumir o controle de negócios também. Nesses casos, o direcionamento da alocação de capital e a seleção do CEO fazem parte do trabalho de Buffett.

Então, escolher CEOs com boa conduta pessoal se torna fundamental para o sucesso de longo-prazo do negócio.

2) A destruição criativa do capitalismo e os investimentos

“O capitalismo tem dois lados: o sistema cria uma pilha cada vez maior de perdedores ao mesmo tempo em que entrega uma enxurrada de bens e serviços aprimorados.”

Segundo Buffett, seu objetivo como investidor é fazer investimentos significativos em negócios com características econômicas favoráveis e duradouras e “gerentes” confiáveis.

Apesar de parecer que não, por conta do resultado acumulado, ao longo dos anos, Buffett cometeu muitos erros como investidor. Mas seus acertos acabaram compensando-os. Seu portfólio atual, em suas palavras é “uma coleção de algumas empresas que têm extraordinárias vantagens econômicas e um outro grande grupo de companhias razoavelmente boas”.

Para chegar nisso, algumas empresas investidas também ficaram pelo caminho com “seus produtos indesejados pelo público”.

Numa analogia ao processo de destruição criativa do capitalismo, Buffett demonstra que investir também é deixar os negócios perdedores pra trás e se concentrar nos grandes vencedores.

3) O poder do “compounding”

“As ervas daninhas perdem importância à medida que as flores desabrocham. Com o tempo, são necessários apenas alguns vencedores para fazer maravilhas. E, sim, ajuda começar cedo e viver até os 90 anos também.”

Em agosto de 1994, a Berkshire finalizou a compra de 400 milhões de ações da Coca-Cola. O custo total desta aquisição foi de US$ 1,3 bilhão.

Naquele mesmo ano, o dividendo da Coca-Cola para a Berkshire foi de US$ 75 milhões.

Em 2022, US$ 704 milhões.

4) A importância da América para a Berkshire

A América teria se dado bem sem a Berkshire. O contrário não é verdade.

Na carta de 2021, Buffett soltou a famosa frase “never bet against America” para demonstrar sua convicção nas vantagens da economia norte-americana e agora ressaltou a importância disso para o seu sucesso como investidor, creditando parte do seu sucesso ao “vento de cauda de América”.

Em seu Twitter, Daniel Haddad, CFO da Avenue, traduziu e ressaltou dois trechos da carta sobre isso:

5) A sabedoria de Charlie Munger

Buffett sempre faz questão de ressaltar a importância da sabedoria do seu quase centenário sócio, Charlie Munger, para o sucesso da Berkshire. Usando uma entrevista dada por Munger num podcast (curiosidade: foi a primeira vez que essa palavra apareceu numa carta da Berkshire), Buffett selecionou alguns pensamentos de Munger para “resumir em uma frase o que ele levaria uma página para explicar”. 

Aqui estão os 3 melhores:

1. Você tem que continuar aprendendo se quiser se tornar um grande investidor. Quando o mundo muda, você deve mudar;

2. Você pode aprender muito com pessoas mortas. Leia sobre o falecido que você admira e detesta;

3. A paciência pode ser aprendida. Adquirir a habilidade de ter foco durante um longo período e a capacidade de se concentrar em um coisa por muito tempo é uma grande vantagem.

Para quem quiser ler a carta na íntegra, clique aqui.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br