Notícia

2min leitura

Como envelhecer 5 anos em 2 meses usando renda fixa

A volatilidade e as emoções do mercado que supostamente não oscila

Por Renato Santiago

05 maio 2023 17h30 - atualizado em 05 maio 2023 05h31

Quem investe em ações e nunca perdeu o sono está mentindo sobre como dorme ou sobre como investe. 

Tranquila mesmo é a vida do investidor em renda fixa, afinal, ela é fixa. Você contrata uma taxa de remuneração, espera o tempo passar e pega o dinheiro no final, corrigido. As opiniões do mercado sobre seu ativo não importam, não existe uma cotação para você se estressar e achar que está perdendo dinheiro. Basta escolher uma empresa sólida, com um bom histórico, e ser feliz…

Se você pensasse assim até 9 de janeiro deste ano, quando a Americanas levou para baixo até o fundo de reserva imediata do Nubank, estaria apenas desinformado. Mas se você pensar assim mesmo depois da publicação do episódio 43 do Market Makers, que foi ao ar ontem, aí você estará muito desinformado. 

Conversamos no programa com o Eduardo Alhadeff, gestor do Ibiuna Credit, fundo especializado em títulos da chamada renda fixa. Ele nos contou bastante do estresse que é lidar com esse tipo de investimento. 

Em primeiro lugar, note que o nome do fundo contém credit. Eles mesmos não o batizam como um fundo de renda fixa. “A renda fixa não é fixa porque o mercado diariamente desconta dos papéis a nova realidade“, explica Alhadeff.

Se esses descontos existem e são diários, então a volatilidade não deve ser esse passeio no parque que imaginávamos. Não, e você vai entender com a história que o próprio Alhadeff contou.

“Temos uma posição em uma empresa mexicana de cabos de fibra ótica, chamada Totalplay. Seu bond saiu de 85% do valor de face para 55% e agora está de volta nos 70%”, conta.

Aqui vale uma explicação: o valor de face é o quanto o título, ou bond, pagaria no vencimento. Se valesse seu valor de face fosse US$ 1.000, é como se tivesse sido comprado por US$ 850 e valesse no mercado US$ 550, uma queda de 35%.

É uma volatilidade respeitável até para renda variável. E tudo isso aconteceu por causa de outra empresa do mesmo dono, que tem dívidas de curto prazo, mas não pagou, mesmo tendo dinheiro para tal. “Só isso já bastou para o mercado ficar de mal humor (…) Eu envelheci cinco anos em dois meses“, completa.  

E de se imaginar, portanto, que hoje ele queira distância dessa empresa. “Falava toda semana com o RI da empresa para saber o que ia acontecer. Agora um refinanciamento da Totalplay saiu e eu comprei mais”, resume.

Essa história é apenas um aperitivo de tudo que Alhadeff nos contou ontem. No episódio #43 falamos muito mais sobre Americanas (sim, eles eram credores antes da descoberta da fraude), Light (entraram no papel depois que os problemas da empresa foram revelados) equívocos que muita gente comete ao pensar, falar e principalmente investir em renda fixa. Não perca.

Compartilhe

Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br