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Dólar, o sorridente inveterado

Entenda como a smile dollar theory funciona

Por Renato Santiago

20 abr 2023 15h17 - atualizado em 20 abr 2023 03h19

Trabalhar no Market Makers é sinônimo de aprender coisas novas pelo menos uma vez por semana. É por isso que eu adoro estar aqui.

E como diz o nosso manifesto, acreditamos que o “conhecimento não vale nada se não for compartilhado”.

No episódio da semana passada, Carlos Woelz, líder de algumas das unidades do condomínio de fundos que é a Kapitalo, citou a teoria do sorriso do dólar, ou a smile dollar theory, quando explicava como ele está posicionado frente à bastante provável desaceleração econômica que o ocidente deve viver em breve.

Sorriso do dólar? Do que se trata essa teoria? Seria economia comportamental?

Nada disso. A teoria do sorriso foi criada por Stephen Jen, um gestor de recursos especialista em moedas e ex-diretor do Morgan Stanley, para explicar o comportamento único do dólar em função da economia de seu país.

Via de regra, as moedas se valorizam conforme as economias de seus países se fortalecem ou enfraquecem. Se colocássemos seu valor em um gráfico, teríamos uma curva ascendente ou descendente conforme o desempenho do país. Isso acontece com a maioria das moedas.

No caso do dólar é diferente. O desempenho dele em função da economia dos Estados Unidos se parece muito mais com um sorriso.

Isso acontece por um motivo simples. Quando a economia está enfraquecida, a aversão ao risco aumenta e os investidores correm para a segurança. Pensando com a cabeça de um investidor global: quais são os ativos mais seguros do mundo? Títulos americanos. E o que é preciso para se comprá-los? Dólares.

Além disso, o dólar tem também um papel de reserva de valor internacional único no mundo, o que o fortalece ainda mais, inclusive em momentos de crise em outros países.

No caso de uma economia em crescimento, acontece o que acontece com as outras moedas: ela se fortalece, turbinada ainda pela expectativa de altas de juros para evitar sobreaquecimento.

A imagem abaixo, de um estudo feito com dados reais para comprovar a teoria, deixa tudo muito mais claro:

O estudo é do analista Daniel Dubrovsky. Além de usar números do PIB americano para testar a hipótese, ele também faz isso com dados de desemprego, vendas de veículos e outros indicadores da saúde econômica do país. O resultado é sempre um sorriso, às vezes mais para a direita, às vezes mais para a esquerda.

Como o gráfico mostra, a moeda norte-americana está em alta nas duas pontas da curva. Mas o que acontece no meio? O centro da curva, ou o fundo do sorriso, acontece em momentos em que não há aversão ao risco, mas a economia dos Estados Unidos não está mais forte que o resto do mundo. O dinheiro acaba migrando para outros ativos e outras moedas.

Hoje

E hoje? Em que ponto estamos dessa curva? A inflação dos Estados Unidos e os movimentos de aumentos dos juros do Fed indicam uma desaceleração da economia — ou até mesmo uma recessão — no futuro próximo, o que deve levar a uma apreciação do dólar. Portanto, podemos estar próximos do lado esquerdo do sorriso. Isso quer dizer, portanto, que é hora de comprar dólares? Não necessariamente. Lembre-se que todas as regras têm exceções, ainda mais no mundo das finanças, e que muitas coisas diferentes interferem no câmbio, ainda mais se você ganha e gasta em reais.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br