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Duas lições que a Dynamo me ensinou

"Se o investidor não fizer muita besteira, escolher empresas minimamente boas e dispor de capital de longo prazo, o tempo estará a seu favor"

Por Thiago Salomão

22 ago 2022 14h03 - atualizado em 27 ago 2022 04h04

Não sou de ficar revendo entrevistas minhas. Eu sempre fico muito envergonhado, querendo corrigir tudo que perguntei (ou deixei de perguntar). Mas tem algumas dá tanto orgulho de ter feito que revejo sempre que possível. E uma das mais especiais eu revi neste final de semana.

Foi uma entrevista com Pedro Damasceno, em dezembro de 2016. Damasceno era sócio da Dynamo (uma das mais importantes gestoras de ações do Brasil). Infelizmente, Damasceno faleceu menos de um ano depois, vítima de um infarto fulminante aos 47 anos. Uma perda trágica.

Todo investidor deveria ver esta entrevista pelo menos uma vez na vida. Não só pela performance do Dynamo Cougar, que acumula retorno de 25.760% desde sua criação (1993), mas pela simplicidade e didática do Damasceno em explicar a filosofia de investimentos da Dynamo e tantos outros ensinamentos passados na conversa.

Aos mais apressados (quem não é, nos dias de hoje), deixarei um resumo dos dois melhores insights da conversa. Confira abaixo:

1. O Brasil tem seus problemas eternos? Tire proveito disso. “Como brasileiro, é chato falar que o Brasil tem uma série de problemas, gargalos, infraestrutura muito ruim… Porém, quando a gente olha sob a ótica do investidor, a gente vê o outro lado da moeda: todo esse cenário ruim faz com que a gente tenha um ambiente competitivo menos ferrenho. E eu diria que onde você tem menos competição os retornos tendem a ser maiores. Então sob a ótica do investidor, o Brasil ainda é um lugar que, a despeito da dificuldade de crescer, você tem excelentes retornos pela falta de competição. A gente evita olhar para essa questão de pessimismo ou otimismo, a gente tá muito mais voltado para os fundamentos de cada negócio, evitando a generalização e olhando para o caso a caso”.

2. Evite grandes erros e você terá sucesso na bolsa. “Se o investidor não fizer muita besteira, escolher empresas minimamente boas e dispor de capital de longo prazo, o tempo estará a seu favor. Os problemas acontecem quando as pessoas se desesperam e vendem na hora errada ou se animam em momentos de euforia. Pode parecer simplista, mas bom senso é mais importante para um investidor do que qualquer coisa. Tentar adivinhar os movimentos de mercado é muito difícil. Nós mesmos temos dificuldade em acertar o momento exato de vender uma ação. Normalmente, nós na Dynamo vendemos cedo demais, e fazemos isso porque gostamos de ter uma margem de segurança”.

Um relato pessoal: uma das partes mais legais da entrevista (para mim, pelo menos) é na última resposta, quando ele fala sobre como uma gestora de recursos conseguiu criar um ambiente de realização pessoal para seus colaboradores:

“A Dynamo é um negócio que se tornou perene, não tem um cara que diz ‘vou me aposentar, já ganhei dinheiro…’ a Dynamo é um estilo de vida, é muito mais do que um trabalho. Aqui é um lugar onde as pessoas podem fazer disso sua extensão das suas vidas […] O desafio é a gente continuar nessa conjugação desse estilo de vida, num lugar saudável, bacana, que todo mundo tem prazer de trabalhar, mas ao mesmo tempo um lugar onde tem competição, busca por retorno e excelência. Essa sintonia fina é o grande desafio”.

Market Makers nem completou dois meses de vida ainda, mas espero chegar na mesma relação de “longevidade + satisfação pessoal” que a Dynamo alcançou. E claro, com uma performance tão boa quanto em nossos investimentos.

Isso quer dizer que o Market Makers também terá um fundo?”

Mês que vem eu explico melhor. Setembro é logo ali.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br