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É bom saber que sabemos nada

O maior risco é não saber o que não sabemos

Por Thiago Salomão

08 maio 2023 15h34 - atualizado em 08 maio 2023 03h34

Texto escrito sobre o Atlântico e sob a influência de Princípios do Estrategista, de Felipe Miranda.

A quantidade de coisas que não sabemos é muito maior do que a quantidade que sabemos.

Quem afirma entender claramente o que vai acontecer no mercado ou na vida é, na melhor das hipóteses, ingênuo, e na pior, charlatão.

Todo investidor de sucesso sabe que a imprevisibilidade comanda tudo. Saber que existe o caos é o primeiro passo para preparar-se para a magia que o próprio caos propicia.

O que seria do século XX se o destino do 4º filho de Klara Pölzl, empregada doméstica que perdeu os outros três filhos nos primeiros anos de vida, fosse o mesmo de seus irmãos? O mundo não teria conhecido Adolf Hitler.

Imagine-se agora no réveillon da virada do ano 2001. Depois de pular as suas ondas você é surpreendido por um lunático que jura ter acabado de chegar do futuro. Ele afirma que pode dizer o que acontecerá nas próximas duas décadas. Começa a lista:

– O terroristas vão atacar os Estados Unidos e derrubar duas torres simbólicas Nova York;

– Vamos testemunhar a maior crise financeira deixe 1929;

– Um tal de coronavírus vai paralisar o mundo;

– As cinco maiores empresas da bolsa americana serão destronadas;

– No Brasil, haverá um impeachment da primeira presidente mulher eleita no país;

– Um ex-presidente e donos das principais empreiteiras do Brasil serão presos por corrupção;

– A seleção brasileira de futebol vai perder de sete para a da Alemanha na Copa do Mundo que ocorrerá no Brasil;

– Você já ouviu falar de um deputado federal chamado Jair Bolsonaro? Aquele famoso por discutir com funkeiros e ex-BBBs no Super Pop? Pois é, ele vai ficar presidente do País.

Ser investidor significa entender que eventos surpreendentes sempre estarão à espreita, e, por serem surpreendentes, irão impactar os mercados, positiva ou negativamente. Por isso, devemos evitar ter certezas demais e não cair na ilusão de que podemos prever tudo.

Nenhum historiador ou cientista político previa a queda do Muro de Berlim. Presidentes do Federal Reserve enxergaram o surgimento de uma bolha quando nada houve e logo depois subestimaram uma bolha que deu origem à maior crise desde 1929.

O passado sempre será um grande professor, e no mercado financeiro, a história nem sempre se repete, mas rima. Mas não trate essas afirmações como dogmas, se auto questione sempre! Afinal, o que nos trouxe até aqui pode não funcionar para nos levar adiante. Além disso, coincidentemente as coisas que acontecem pela primeira vez na história nunca aconteceram antes.

Tão importante quanto saber o que sabemos é saber o que não sabemos. O grande risco está em não saber o que não sabemos.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br