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Gerando valor através da recompra de ações

2023 está apenas começando e os anúncios de recompra também; entenda como isso funciona

Por Matheus Soares

10 jan 2023 18h01 - atualizado em 10 jan 2023 06h03

Você deve ter se deparado com anúncios recentes de empresas de capital aberto fazendo recompra de ações. Dois dos exemplos mais recentes foram a B3, que anunciou em dezembro do ano passado um programa de recompra de até ~4% do total de ações em circulação em até 12 meses, e a Eletrobrás, que semana passada anunciou que pode recomprar até 10% do total de ações – preferenciais e ordinárias – em circulação nos próximos 18 meses.

Elas não foram as únicas. Em 2022, 79 empresas anunciaram a intenção de recomprar suas ações no mercado, sendo que em 2021 outros 108 programas já haviam sido abertos (principalmente durante a segunda metade daquele ano, quando o Ibovespa saiu de 130 mil para 102 mil pontos em novembro).

A recompra de ações é uma operação em que a companhia vai ao mercado para adquirir seus próprios papéis a preços de mercado. As ações recompradas acabam na tesouraria da empresa e a companhia pode fazer o que bem entender com elas: cancelar, remunerar seus funcionários ou mesmo utilizá-las em fusões e aquisições.

Essa estratégia de alocação de capital das empresas tem basicamente dois objetivos. O primeiro é retornar recursos aos seus acionistas. Isso porque aqueles que carregam as ações da companhia, aumentam sua fatia no lucro da empresa à medida que existem menos ações em circulação no mercado.

O segundo objetivo é sinalizar aos investidores a avaliação dos executivos de que as ações estão baratas.

Ao fazer recompras quando as ações estão ‘baratas’, os executivos podem gerar muito valor para a empresa. Por exemplo, se um negócio vale R$ 50 por ação e a administração da companhia recompra 10% das ações a R$ 25 por ação, então aumenta-se automaticamente o valor do negócio para R$ 52,50 por ação (R$ 25 por ação multiplicado por 10% + R$ 50 por ação). Por outro lado, se ao invés disso pagar R$ 100 por ação, reduzirá o valor para o acionista.

Quanto menor o preço pago pela ação, mais valor os executivos irão gerar para os acionistas.

Com as empresas brasileiras, na média, iniciando o ano com um nível adequado de alavancagem quando medidas pela relação dívida líquida / EBITDA (em 1,8 vezes vs 7 vezes em 2016) e, (ii) com as ações descontadas do ponto de vista de múltiplos quando comparadas ao histórico de preço, os anúncios de recompra não devem parar por aí.

Embora não seja um super gatilho para as ações subirem, o programa de recompra de ações dá uma sinalização importante de que não existe coisa melhor pra fazer com o dinheiro do que recomprar as ações da própria empresa.

Contudo, não basta só a empresa anunciar que fará recompras, é importante monitorar se ela de fato está recomprando. Como mostrou o BTG no meio do ano passado, muitas empresas anunciaram programas de recompra, mas não fizeram nenhuma aquisição de ações.

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Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br