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Gringos: buy ou bye Brasil?

Por Josué Guedes

21 dez 2022 12h29 - atualizado em 21 dez 2022 12h29

Em 10 dias estaremos comemorando o começo de um novo ano.

2023 tem tudo para começar com todo aquele simbolismo típico de renovação de réveillon. Mas, sendo realista, nada muito transformador irá acontecer quando o relógio bater meia-noite, no dia 31/12, enquanto você faz algum tipo de promessa, discute se a bolsa está barata com seu primo e come aquele clássico arroz com uva passa da sua tia.

Agora, se por um lado a mudança de ano não irá provocar nenhuma transformação instantânea em ninguém, por outro, pode significar muito para quem investe em ações. E a razão para isso está justamente no que Luis Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, chamou de “efeito calendário” num evento promovido pelo Itaú esse mês.

Com Selic a 13,75% ao ano, é quase consenso no mercado que a bolsa está barata, mas, segundo Stuhlberger, não somos nós brasileiros que iremos colocar as ações em outro patamar. Será o “buy” do gringo:

“Quando a gente olha para a dinâmica global, ganhamos por WO. Se 1% do que ia para China vier para cá, já seria um fluxo relevante. Acredito que esse gringo entre em Brasil, mas está esperando o governo de fato tomar posse e tem também um efeito calendário. Ninguém abre book em dezembro”.

Sob essa ótica, algo muito transformador pode acontecer quando 2023 começar.

Porém, diferentemente do Stuhlberger, há quem enxergue que o gringo está na verdade dando “bye Brasil” e não será 2023 que irá mudar isso.

Na última sexta, na nossa tradicional live no Instagram, André Laport, gestor da Vinland, comentou que o gringo está tirando dinheiro do Brasil: “Eu fiz um roadshow lá fora nas últimas 3 semanas e, pelo que tenho falado com estrangeiros, vai ter resgates em fundos brasileiros”.

Com o mercado de bonds americano voltando a ter um retorno atrativo (até 10% de yield em dólar) e reabertura da China no radar, dois fatores que impactam diretamente a escolha de alocação dos gringos, o estrangeiro começa a ter escolha de ficar longe da incerteza atual pela qual o Brasil está passando no cenário político e macroeconômico.

“Quando o gringo começa a ver essas patinadas, ele conclui que ele não precisa disso [ficar no Brasil]. Pra ficar, ele precisa de mais prêmio”, explicou Laport.

Como não conseguimos interferir na decisão de “buy ou bye brasil” do gringo, talvez um dos principais gatilhos para a bolsa nos próximos meses (Matheus falou sobre isso aqui), nos resta apenas ter bons ativos na carteira e acompanhar o fluxo que pode renovar o sonho de ver o Ibovespa acima dos 130 mil pontos novamente.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br