Chegamos ao final deste longo janeiro e preparei uma newsletter que ficou com cara de reflexão de dados históricos, correlações e eventos que aconteceram neste mês.
Separei em 8 grandes reflexões que considero importantes para todo investidor começar bem esse mês de fevereiro:
1.
Em todos os anos que o Ibovespa subiu em janeiro, ele fechou o ano em alta. Nas últimas 10 vezes que isso aconteceu, a performance média do Ibovespa no ano foi de 30%, tendo a máxima de 82,7% e a mínima de 4,7%.

Fonte: Levantamento da FW Capital
2.
O tal do “debasement” (o rebaixamento do dólar como reserva de valor) que ditou o rumo dos investimentos em 2025, tem tudo para continuar em 2026. O enfraquecimento do dólar vai além de mero capricho do Trump, suas atitudes ríspidas com o resto do mundo contribuem para que essa tendência persista neste ano. A leitura do Fórum Econômico Mundial de Davos de que a forma como vemos a globalização mudou reforça este ponto.
3.
A relação entre a trajetória do Ibovespa e da nossa taxa de câmbio não tem uma regra claramente definida: existem anos que o dólar subiu e o Ibovespa também, que o dólar subiu mas o Ibovespa caiu e que o dólar caiu e o Ibovespa subiu. Mas nunca, NUNCA, o Ibovespa caiu em um ano que o dólar caiu.

Fonte: Dahlia Capital
4.
Correlação espúria ou prenúncio de um grande rali para nossa bolsa? O gráfico abaixo mostra a fortíssima correlação entre o EWZ (bolsa brasileira negociada em dólares) e o preço da platina nos últimos 25 anos. No finalzinho do gráfico, a platina disparou e o EWZ ficou pra trás… mas até quando?

Fonte: Apresentação da Dahlia Capital durante o Dahlia Day
5.
Kevin Warsh foi confirmado como próximo presidente do Fed. Por ser uma figura notoriamente mais “hawkish” que a maioria dos outros candidatos ao páreo (o que significa que ele é mais duro em relação a cortar juros) e pela sua indicação ter sido por fatores predominantemente técnicos, a última sexta-feira foi de reversão de tudo que aconteceu em janeiro – ou seja, dólar subiu muito afora, prata despencou 25%, ouro caiu 10% e outros ativos de risco foram junto. Correção de um movimento exagerado que vimos em janeiro ou o mercado deu um giro de 180 graus? Fico com a primeira opção.

6.
Selic não caiu em janeiro mas tudo indica que cairá a partir de março. A dúvida é se cairá 25 pontos-base ou 50 pontos-base. As “opções de Copom” negociadas na B3 já indicam isso:
O corte de 50 pontos fechou sexta negociado a 55,75, enquanto os contratos de 25 pontos de corte fecharam a 28,50. Neste mercado de opções de Copom, o preço do contrato representa a probabilidade percentual que o mercado atribui para este cenário acontecer (ou seja, o mercado coloca 55,75% de probabilidade que a Selic caia 50 pontos-base).
A saber: hoje o contrato que prevê a manutenção da Selic em 15% está sendo negociado praticamente no mesmo preço do contrato que estima queda de 75 pontos-base, como você pode ver no gráfico abaixo.

Fonte: site da B3
Pela ordem do maior para o menor: i) Queda de 50 pontos-base = 55,75% / ii) Queda de 25 pontos-base = 28,50% / iii) Queda de 75 pontos-base = 7,35% / iv) Manutenção = 6,0% (dados do fechamento de 30/jan/26)
7.
O que fazer com sua carteira de ações neste cenário? Da forma como vemos o mercado, a única resposta que nos cabe é “a mesma coisa que você estava fazendo antes de janeiro começar”. Somos investidores de longo prazo e focados em escolher boas empresas a preços interessantes. Além de não utilizarmos fatores macro de curto prazo nas nossas tomadas de decisão, o fato é que a bolsa subiu em janeiro guiada principalmente pelo combo “Petro + Vale + bancos”. Small caps e empresas mais ligadas ao mercado interno (que são a predominância da nossa carteira) ficaram atrás do Ibovespa neste mês. Isso só reforça nossa visão de que o mercado mudou dentro do nosso campo de atuação.
Inclusive, falamos muito sobre isso no último episódio do Market Makers. Publicado neste domingo. Clique na imagem abaixo para assistir:
8.
Pelo fato das maiores contribuidoras da alta do Ibovespa não serem as ações mais predominantes nas carteiras dos fundos de ações, pouquíssimos fundos long only conseguiram bater o índice em janeiro. Terei uma conversa com um dos que conseguiu bater para entender o que ele carregou na carteira em janeiro. Detalhe: este fundo já tem sido destaque entre os long onlys nas últimas janelas de 12, 24 e 36 meses.
Vamos esperar nos próximos dias pelo ranking mensal de fundos que nosso amigo Samuel Ponsoni posta em suas redes para ver quem mais se destacou.