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3min leitura

Manual de bolso para sobreviver ao próximo bimestre

Os próximos meses serão decisivos para o Brasil; prepare-se

Por Thiago Salomão

06 mar 2023 10h48 - atualizado em 06 mar 2023 10h48

Tivemos um primeiro bimestre muito difícil: a sensação de alívio vista nos mercados em janeiro logo virou um misto de piora nos fundamentos lá fora com tensão pitoresca no cenário interno.

Com isso, nosso Ibovespa caiu 4,4% e o dólar recuou 1,9% no acumulado dos dois meses, mas o grande destaque ficou com os juros futuros, que embicaram ainda mais para cima com o mercado enxergando um Lula cada vez mais “Dilma” (o Renatão fez uma newsletter impecável sobre isso semana passada, sugiro que leia aqui).

Acha que agora vai ser mais calmo? Achou errado. Os próximos dois meses reservam eventos que serão fundamentais para o futuro do Brasil: o novo arcabouço fiscal do ministro Fernando Haddad, que será anunciado em março, é o divisor de águas que o mercado espera para saber se ainda há esperanças no Brasil ou se é melhor jogar a toalha.

Se levarmos em conta o que vimos na última semana, não há motivos otimismo: as medidas anunciadas no setor petrolífero (taxação de exportação + suspensão de venda de ativos da Petrobras por 90 dias) não só acertaram as petrolíferas mas também deixaram o mercado todo assustado pela jurisprudência aberta com esta atitude.

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O governo, com esse combo, mostrou ao mercado que está aberto a buscar novas ideias – e é aí que mora o perigo. Ideias mirabolantes correm mais risco de darem errado, ainda mais num momento conturbado da nossa economia e ainda mais sabendo de onde estão vindo estas ideias…

Nos nossos dois últimos episódios, discutimos bastante sobre queda da taxa de juros e tivemos duas visões bem opostas: no ep #33, o pesquisador Braulio Borges disse que a combinação de um ajuste fiscal crível com o “efeito Americanas” provocando um enxugamento de crédito poderia levar a Selic de volta para um dígito. Já no ep #34, o gestor de crédito Michel Rubin não espera ver a taxa de juros cair ao longo deste ano.

Na nossa última live do Instagram, que fazemos todas as sextas às 16h (já fica o convite, aliás), o Matheus passou uma lição que é sempre válida mas neste momento mostra-se ainda mais importante: não tente ser o espertão que vai acertar o olho da mosca. Com o mercado tão indeciso deste jeito, o melhor acerto é não errar.

O resumo para sobreviver ao próximo bimestre: tenha caixa. O cenário está muito nebuloso e o carrego de deixar o dinheiro em caixa está pagando bem. Embora o mercado esteja cada vez mais “leve” pela falta de compradores e tenha muita coisa barata na bolsa (incrível quantas empresas soltaram resultados excelentes mas não reagiram a isso na bolsa), é melhor esperar.

Comprar um pouco mais caro mas com maior convicção é melhor do que queimar a largada e ser surpreendido com mais uma “ideia revolucionária” por parte do governo. A recompensa por esperar está bem satisfatória.

Mantivemos uma posição significativa em caixa na Carteira Market Makers ao longo de fevereiro – por isso até que caímos bem menos que o Ibovespa mês passado. Na última semana, fizemos umas compras táticas e seguimos com nosso radar ativado, ponderando entre aproveitar pechinchas e esperar para ver.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br