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Modus Operandi

Se na vida a humildade é importante, no mercado financeiro ela é imprescindível

Por Matheus Soares

14 jul 2022 10h12 - atualizado em 14 jul 2022 12h25

O processo de investimento é sobre encontrar uma vantagem, ou preços errados, e construir um portfólio que aproveite estes preços errados. Devido a sorte ser alta nos investimentos, resultados de curto prazo são indicadores não confiáveis de habilidade. Mas com o tempo, o bom processo vence.

Michael J. Mauboussin em Lessons from Freestyle Chess

Humildade é uma das virtudes que eu mais admiro em uma pessoa. É preciso ser muito corajosa para reconhecer aquilo que não se sabe. Diferentemente do que muitos podem pensar, humildade não é falta de confiança, mas sim a maneira mais fiel de ser honesto consigo mesmo. Conforme disse Epictetus há milhares de anos, “it is impossible for a man to learn what he thinks he already knows.” 

Se na vida a humildade é importante, no mercado financeiro ela é imprescindível. Embora seja possível traçar cenários nos mercados e na economia, não existe certeza. Aliás, se existe alguma certeza, é que na maioria das vezes estaremos mais errados do que certos. Por conta dessa dinâmica assimétrica, o grande segredo de quem se torna bem sucedido nesse negócio é: quando errar, errar pequeno e quando acertar, acertar grande. 

Aqui no Market Makers eu encaro a humildade como uma disciplina que me prepara para o pior cenário possível. No dia a dia do mercado, meu trabalho como analista e investidor é encontrar empresas com bons fundamentos que ofereçam potencial de valorização em suas ações. Ciente da possibilidade de estar errado, o maior desafio é evitar a perda permanente de capital. E a forma que eu enxergo de diminuir ao máximo essa chance é implementando um processo de investimento.

No fim do dia, o processo consiste em aplicar um teste de hipótese de que o preço da ação da empresa analisada tem potencial de valorização. Mas, de acordo com a estatística, existem dois possíveis erros ao realizar essa análise: o erro do tipo 1, que é decidir que a ação não era um bom investimento mas ela subir na sua cara; e o erro do tipo 2, que é decidir comprar uma ação e os fundamentos dela pioram a ponto do preço dela não subir.

O meu objetivo como analista não é eliminar o erro do tipo 1 – se fosse, faria mais sentido fazer a recomendação de um índice de ações -, mas sim o de tentar eliminar o erro do tipo 2, uma vez que esse é o grande responsável pela perda permanente de capital.

Diante disso, a melhor forma de evitar o erro do tipo 2 é promovendo um estudo fundamentalista sobre a empresa antes de tomar a decisão de compra. Esse estudo (ou processo) possui essencialmente três etapas:

  1. Filtro de procura: é aqui o momento em que decido onde irei alocar meu tempo de análise. Dentro dessa caixinha, levo em conta: i) nossas conversas com gestores e analistas do mercado que diariamente compartilham sua inteligência conosco, ii) empresas que podem estar em algum momento de inflexão de receita, margens e lucro e iii) nosso círculo de competência, colocando em prática nossa humildade intelectual;
  2. Valuation ou análise do valor intrínseco da empresa: embora essa análise não seja uma ciência exata, aqui é o coração do processo. É aqui que passamos a maior parte do tempo. Isso porque o retorno de um investimento é uma variável do preço que se paga nele. Para nos ajudar nessa tarefa, preparei um documento composto por 72 perguntas que nos ajudará a entender a empresa em profundidade. 
  3. Gerenciamento de risco: aqui o nosso objetivo é responder se o investimento oferece margem de segurança o suficiente. Queremos comprar uma moeda de 1 real pagando 50 centavos. Tão simples quanto isso.

“O truque para investir é apenas sentar e assistir passo-a-passo e esperar pelo momento certo no seu ponto ideal. E se as pessoas estiverem gritando “mexa-se seu vagabundo”, ignore-as”. Warren Buffett

Na próxima CompoundLetter, trarei aqui algumas das 72 perguntas que nós fazemos para entender os fundamentos de uma empresa. 

Antes de finalizar, deixo para você o meu “Food For Thought” da semana. Como dissemos no nosso manifesto do Market Makers, conhecimento não vale nada se não for compartilhado. 

Food For Thought da semana:

It’s not what you buy, it’s what you pay, and success in investing does not come from buying good things, but from buying things well and if you don’t know the difference you are in the wrong business… literally.

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Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br