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2min leitura

O binário mundo da renda fixa

Com o caso Americanas, o investidor está sentindo na pele os riscos do mercado de crédito

Por Renato Santiago

04 mar 2023 12h44 - atualizado em 04 mar 2023 12h47

Não, não é fácil para os fundos de renda variável competirem com a renda fixa quando a taxa básica de juros é de 13,75% ao ano.

Menos ainda se há no mercado emissões de grandes e famosas empresas que remuneram o investidor com CDI mais 8% ao ano, como aconteceu no ano passado.

A tentação de comparar as taxas praticadas no mercado de crédito com a performance da Bolsa em 2022 é simplesmente alta demais para ser evitada. Como olhar para o retorno de 4,7% do Ibov, e para um debênture de 22,75% ao ano, e não realocar nem um pouquinho do patrimônio?

Muita gente fez isso no ano passado, tanto que os fundos de renda variável perderam quase R$ 190 bilhões apenas em 2022.

Os riscos da renda fixa

Talvez você mesmo tenha corrido para a renda fixa — e não há nada de necessariamente errado nisso.

A questão é: você sabe o que estava fazendo? Você conhece os verdadeiros riscos da renda fixa?

No episódio de ontem, conversamos  com a Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus, e com Michel Rubin, diretor de crédito da M8 Partners, gestora especializada em FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios).

Segundo os dois, muita gente apenas compara as rentabilidades de dois fundos e troca de investimentos baseado apenas nisso.

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“A grande maioria dos investidores ainda quer aquela dica de sucesso para mandar no WhatsApp falando ‘olha quanto deu minha carteira hoje’”, diz Costa. “Um fluxo muito grande de capital veio da renda variável para crédito. E o caso de Americanas está trazendo um pouco da realidade para aquele investidor que apenas trocou uma coisa por outra por causa do rendimento. Não queremos que ninguém aprenda com prejuízo, mas de fato isso pode acontecer”, completa.

Pois é. Com Americanas e outras empresas correndo o risco de ficarem inadimplentes, muita gente descobriu que, se der errado, um investimento em renda fixa pode terminar na ausência de renda.

“Agora o investidor de crédito está descobrindo que crédito não é algo simples. O mundo do crédito é binário”, diz Rubin. “Na renda variável, em ações, se você não vender, você não realiza o prejuízo. Mas no caso do crédito, se você perder o dinheiro, vai ser muito difícil recuperar e vai ser parcialmente, em cima de execuções. É outra recuperabilidade e é muito pior que esperar o mercado de ações voltar”, completa.

Então não se esqueça: não basta comparar apenas os retornos, é preciso também comparar os riscos.

O episódio completo, que contém muito mais sobre Americanas, está aqui.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br