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O pesadelo e a oportunidade do momento para Rogério Xavier

Xavier contou o que o mercado não está vendo

Por Gabriel Rosenbaum

09 fev 2024 11h37 - atualizado em 14 fev 2024 11h50

“Essas duas mesas estão desalinhadas”.

A primeira frase do Rogério Xavier (fundador e CEO da SPX) ao entrar no estúdio para gravar o podcast conosco revela que seu cuidado quase obsessivo com os detalhes não se aplica apenas aos seus investimentos. 

Ao longo de duas horas de entrevista, ele nos explicou que está bastante preocupado com alguns sinais da China que estão sendo desprezados pelo mercado.

Enquanto as taxas de juros no mundo todo estão em patamares elevados numa tentativa dos bancos centrais de combaterem a inflação, a China tem sofrido com o problema oposto: a deflação.

A deflação revela um enfraquecimento da economia chinesa e um provável esgotamento do seu modelo econômico, baseado em investimentos pesados em urbanização e que por décadas foi capaz de sustentar um crescimento de duplo dígito do PIB.

Os sintomas mais evidentes disso são percebidos na crise do setor imobiliário nos últimos dois anos, exacerbada pela recente quebra da Evergrande, segunda maior incorporadora do país. E Xavier afirma: “nunca vi uma crise imobiliária que não tenha desencadeado uma crise bancária”.

A gravidade do problema parece ainda maior ao se considerar os inúmeros esforços do governo chinês em estimular a economia com cortes de juros e tentativas de sustentar o mercado de capitais com medidas como a proibição de operações de venda à descoberto – que até agora não têm funcionado, dado que a bolsa chinesa se encontra na mínima de muitos anos.

Este enredo de uma economia em decadência já é conhecido por Xavier, por ser uma história parecida com o que ele já viu em países como a Turquia, por exemplo. 

As implicações de uma crise na China

Já que estamos falando de China e de crise, é curioso notar que a palavra “crise” em chinês (weiji) é a junção das palavras perigo (wei) e oportunidade (ji), que são justamente os dois lados da moeda que Xavier indicou como consequências de uma crise na China.

Do lado do perigo, como a China é a segunda maior economia do mundo e um grande mercado consumidor, uma crise levaria a uma queda da demanda por commodities, o que reduziria seus preços e quantidades consumidas, prejudicando economias exportadoras como é o caso do Brasil, que tem fortes laços comerciais com o país asiático.

Já a oportunidade é justamente a queda do preço das commodities, a qual contribuiria para a queda da inflação e abriria espaço para uma aceleração no ciclo de cortes de juros pelo mundo. O Brasil é um caso particular, pois apesar da desaceleração da inflação, uma menor receita com exportações e um ambiente de aversão ao risco poderiam contribuir inclusive com juros mais altos.

Porém, para economias desenvolvidas como os Estados Unidos, a queda da inflação poderia acelerar os cortes de juros, estimulando uma economia que já está forte e que desafia inclusive a teoria de pouso suave  – que antes era um risco de cauda e virou o novo cenário base -, pois parece que ela nem vai “aterrissar”.

Traçado esse cenário, Xavier pondera que faz mais sentido apostar em economias mais maduras e desenvolvidas, com menor risco e que podem se beneficiar de uma crise na China.

Além de tratar da crise chinesa e seus desdobramentos, ele também deu sua visão sobre as eleições nos EUA, a dívida americana, a política brasileira, criptomoedas e contou sobre o processo de internacionalização da SPX.

Veja a entrevista completa no link abaixo:

2 HORAS COM ROGÉRIO XAVIER

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Por Gabriel Rosenbaum

gabriel.rosenbaum@empiricus.com.br