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O problema não é você, sou eu

Assim no amor como no mercado: insights e teses sobre ações com Sara Delfim e Ciro Aliperti

Por Josué Guedes

23 jul 2022 15h53 - atualizado em 23 jul 2022 03h53

Você já terminou um relacionamento com alguém que era apaixonado? Quem já passou por isso sabe o quão difícil é admitir pra si mesmo que aquele sentimento, outrora tão caloroso e satisfatório, já não existe mais.

Acredite, no mercado financeiro a dificuldade é a mesma. Imagina a história: você conhece uma empresa, dedica-se a estudá-la por semanas, meses ou anos e ganha muito dinheiro com ela. Passado um tempo, essa empresa não entrega mais os mesmos resultados de antes, mas você, inebriado por tudo que sabe dela e por tudo que ela já te deu, não consegue perceber o óbvio: ela não serve mais para você.

“A decisão de comprar [uma ação] não é difícil. A decisão mais difícil, pra mim, é quando vender”, disse Sara Delfim, da Dahlia Capital, no episódio do Market Makers que foi ao ar ontem (confira os links para assisti-lo ao final do texto).

Para exemplificar como é difícil terminar um relacionamento de longo prazo, Sara contou os desinvestimentos em Natura e Magazine Luiza, cada uma por motivos diferentes. A rede de cosméticos vem passando por uma reorganização operacional e societária após a compra da Avon; já o término com a varejista de eletrodomésticos foi mais por fatores exógenos, que é o fato da piora macroeconômica do País e que atinge em cheio a empresa.

O outro entrevistado, Ciro Aliperti Neto (fundador e gestor da SFA Capital), mostra-se uma pessoa mais tradicional em termos de relacionamento: sua maior posição no fundo é Sinqia, que responde por quase 30% da carteira. Detalhe: ele investe nela há mais de 10 anos. “Quando montei a posição em Sinqia, ela era 1% do portfólio”, conta o fiel gestor.

Será que Ciro está cegamente apaixonado a ponto de não conseguir vender a Sinqia caso ache necessário? Ele garante que não e trouxe várias evidências que acompanha na empresa para justificar seu otimismo com ela.

O episódio foi muito legal também por reunir dois gestores com uma vasta experiência no mercado (são quase 20 anos de estrada cada um) mas que encaram a bolsa de maneiras totalmente diferentes: Ciro gosta de uma carteira mais concentrada, tendo quase 50% da carteira alocada em Sinqia e Porto Seguro.

Já a Sara tem um portfólio pulverizado, com Vale, Petrobras e Itaú respondendo por 25% da carteira, segundo dados da CVM que têm defasagem de 3 meses (a Sara revelou na conversa, no entanto, que essa participação de Petrobras e Vale já diminuiu, colocando uma maior parcela de varejistas).

A SFA tem apenas um fundo e ele possui patrimônio de R$ 400 milhões, o que permite ao Ciro ser mais concentrado. Já a Dahlia é uma casa “multiprodutos”, com vários fundos que somam R$ 7 bilhões em ativos sob gestão, o que faz da diversificação e o foco em blue chips algo mais necessário.

A semelhança entre os dois: a preocupação com a inflação – e como suas preferências na bolsa se protegem deste mal mundial.

Nas recomendações de livros para não ler, descobrimos que Ray Dalio é o principal candidato a ser o 1º colocado nessa categoria.

Ouça o episódio (SpotifyYouTube e outros) e nos conte o que achou! Seu feedback é muito importante.

ps: para mantermos o padrão de 60 minutos de programa, o episódio ficou com gostinho de quero mais, principalmente para falar de teses comentadas no início da entrevista, como Renner, Google e Itaú. Por isso mesmo já está agendada uma “parte 2” desta conversa.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br