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O que você faria se fosse “esse cidadão”?

Roberto Campos Neto é o primeiro grande bode expiatório do recém-formado governo

Por Renato Santiago

23 fev 2023 11h56 - atualizado em 23 fev 2023 01h00

Convém a todo mandatário ter um inimigo externo no qual possa depositar a culpa por algum fracasso.

Se ele não existir de fato, não há problema em nomeá-lo unilateralmente e a sua revelia. O ideal, inclusive, é que assim seja feito para dificultar sua defesa.

Para o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, o inimigo externo hoje é Roberto Campos Neto, que, no raciocínio do presidente, o impede de chegar a seu objetivo político: entregar crescimento do PIB e renda à população.

“Eu vou esperar esse cidadão terminar o mandato dele para fazermos uma avaliação do que significou o Banco Central independente”, disse Lula se referindo a Campos Neto. “Não existe nenhuma razão para a taxa de juros estar em 13,75%”, completou, em entrevista à RedeTV no último dia 2.

Parece que o presidente já prevê que sua política fiscal expansionista, demonstrada pela PEC da Transição, pode dificultar o atingimento de sua meta. Parece também que ele ignora o papel que a inflação tem nessa equação.

Mas o principal é que fazer de Roberto Campos Neto um espantalho político pode causar a interdição de um debate legítimo que interessa não só à Faria Lima, mas a todo o país: o das metas de inflação e das taxas de juros.

A política monetária brasileira é sustentada por duas regras: o regime de metas de inflação, adotado em 1999, e a autonomia do Banco Central para persegui-la, vigente desde o governo Bolsonaro.

Nesse sistema, o Banco Central estipula uma meta de inflação e regula a taxa básica de juros para atingi-la, sem se importar com a opinião de quem seja o presidente. A taxa de desemprego e o PIB também fazem parte do mandato, mas de forma secundária.

Esse mecanismo é consagrado mundo afora e busca trazer segurança e previsibilidade para a população e seus mercados.

O que não quer dizer que não haja espaço para debates, como:

  • Como deve ser definida a meta de inflação?
  • Ela deve ser a mesma para países desenvolvidos e emergentes?
  • Quais os patamares ideais para a taxa de juros segurar a inflação?
  • Como o Banco Central deve medir a expectativa de inflação do mercado?

Tudo isso pode e deve, sim, ser avaliado e debatido — e é isso que faremos hoje. Em um episódio ao vivo e especial, às 17h,  vamos discutir como adultos, e não como políticos em campanha, as taxas de juros do Brasil, a atuação do Banco Central e de Roberto Campos Neto. 

Nossos convidados serão gente que entende do assunto: Sergio Werlang, doutor em economia, professor da Fundação Getúlio Vargas, ex-diretor do Banco Central e um dos mentores do regime de metas do Brasil; e Braulio Borges, pesquisador do Ibre/FGV, economista sênior da LCA, mestre em economia e fonte recomendada pelo Samuel Pessôa.

Se você também acredita que não existe debate interditado, clique aqui, ative o sininho de seja avisado quando o programa começar. E não esqueça e mandar suas perguntas!

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br