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O risco do “manteu” que nos ronda

Muita gente dá como certa a queda da Selic no ano que vem. Mas vozes dissonantes já se manifestam

Por Renato Santiago

07 out 2022 13h25 - atualizado em 07 out 2022 01h37

Pergunte algo para um economista e a resposta dele certamente vai ser “depende”, ou alguma coisa parecida, do tipo “sim e não“.

Tivemos um gostinho disso na nossa conversa com o economista e professor do Insper Roberto Dumas, convidado do episódio 15 do Market Makers, que foi ao ar ontem.

Thiago Salomão: Professor, por favor, explique como está o cenário do Brasil hoje.

Roberto Dumas: Depende. O Brasil relativo ou o Brasil absoluto?

Isso não acontece por que economistas gostam de ficar em cima do muro ou são indecisos, mas porque economia é algo complexo e baseado em variáveis que não podem ser isoladas. E também porque questões assim dependem do ponto de vista.

O raciocínio de Dumas, resumidamente, é o seguinte: o Brasil, em relação a outros mercados emergentes, vai muito bem, portanto, um gestor que trabalha nesse tipo de mercado vai optar por trazer seu dinheiro para cá.

“Quando houve a última rotação de ativos, as FAANgs caíram, a Nasdaq caiu, S&P caiu. Começou então a guerra na Ucrânia, as commodities subiram. O gestor gringo que veio para cá ganhou 40% em dólar”, diz Dumas. “Esse gestor hoje vai para onde? Rússia, Ucrânia, Turquia, Argentina, Chile? Acaba sobrando só o Brasil”, completa.

E no absoluto?

“Tivemos um crescimento de PIB anabolizado, cortamos ICMS, aumentamos auxílio para R$ 600”, diz Dumas. “O mesmo tempo, o mercado está comprando uma queda nos juros no ano que vem, mas um novo governo que abra as portas da esperança do crédito no ano que vem pode fazer a inflação subir de novo”, completa.

Ou seja: se a inflação subir, os juros não caem, e seus influencers favoritos do Twitter serão obrigados a postar “manteu“ a cada 45 dias em 2023, a cada vez que a taxa de juros não cair.

Falamos mais sobre isso na nossa newsletter de ontem, que você lê clicando aqui.

Vol. é vida, mas cadê a vol.?

A quarta cadeira da mesa no episódio de ontem foi ocupada por Paolo Di Sora, da RPS. Paolo havia sido um dos oito gestores que entrevistamos no episódio especial da semana passada sobre eleições.

Sua estratégia para explorar a volatilidade eleitoral chamou tanta atenção entre a audiência que resolvemos chamá-lo mais uma vez para explicar como ele usou opções da Petrobras para ganhar dinheiro com o resultado das urnas.

Clique aqui e veja a explicação completa.

O professor Dumas é um dos maiores especialistas em China do Brasil. Por isso, o Carlos Carvalho, membro da Comunidade Market Makers de Investimentos, mandou sua pergunta justamente sobre esse tema.

Pergunta: Professor Dumas, acabou a China de Deng Xiaoping e está voltando a China de Mao, que é mais centralizada e menos liberal?

Dumas: Sim e não. Acabou a China de Hu Jintao, que é muito mais liberal, e entrou a China de Xi Jinping, que é muito mais um capitalismo estatal que entra nas empresas privadas.

Não é um órgão de planejamento central, o verdadeiro comunismo, que era Mao. É uma visão mais draconiana de Estado. Essa é a vertente de Xi. Mas não chega a ser comunismo. A China não é comunista. Como um país comunista teria duas bolsas de US$ 18 trilhões.

O Carlos conseguiu mandar sua pergunta porque os membros da Comunidade Market Makers têm acesso prévio à agenda e um canal direto com a gente para mandar suas sugestões.

Para ter acesso à nossa pauta e agenda, clique no botão e torne-se membro da Comunidade Market Makers!

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br