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Os gringos vão voltar?

Rogério Xavier (SPX): “Não me matem, mas o investidor estrangeiro prefere o Lula ao Bolsonaro"

Por Josué Guedes

01 nov 2022 12h00 - atualizado em 03 nov 2022 10h15

Texto originalmente publicado na CompoundLetter, a newsletter do Market Makers. Inscreva-se na newsletter gratuitamente deixando o seu e-mail aqui!

Com forte oscilação da bolsa e do dólar no dia pós-eleição, o que não faltou por aí foram análises (freestyles ou não) para explicar o motivo do Ibovespa ter fechado em alta e a moeda americana em queda.

De “efeito Lula” a “buy Brazil”, um tema voltou à cena após a repercussão política mundial da volta do ex-presidente Lula ao Planalto: os gringos.

Se nos últimos anos dizia-se por aí que o investidor estrangeiro tinha perdido o interesse pelo Brasil por conta da adoção de uma agenda não amigável internacionalmente, principalmente na questão ambiental, alguns gestores acreditam que isso poderá mudar a partir de 2023.

Um dos que diz isso é ninguém menos que Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, gestora que chegará no seu 12º aniversário mês que vem e tem mais de R$ 80 bilhões sob gestão, com escritórios espalhados em vários lugares do mundo.

Em 2022, após antecipar corretamente uma alta nas taxas de juros globais, a performance do fundo SPX Raptor, versão com mais risco do carro-chefe SPX Nimitz, acumula um retorno de 53,75% (vs 9,8% do CDI), o que o coloca entre os melhores multimercados aqui no Brasil.

Deixando de lado paixões políticas, o gestor, que reside na Inglaterra e está em contato direto com o estrangeiro, explicou no Market Changers, evento de 13 anos da Empiricus, o que o faz acreditar que os gringos voltarão a olhar pro Brasil de um jeito diferente.

“Lula tem uma agenda mais amigável do ponto de vista do meio ambiente, na questão das armas, política externa. A gente, no Brasil, esgarçou demais os limites desses assuntos, dando pouca importância ao mundo e quase se isolando”, afirmou o Xavier.

Para o gestor, essa reaproximação do Brasil das pautas de interesse do investidor estrangeiro trará de volta a atenção deles para o país e, consequentemente, o fluxo de investimento.

Do ponto de vista político, para Xavier, o mais provável é que Lula adote uma postura mais pragmática, como a do seu primeiro mandato.

“Estou convicto de que ele sabe que foi eleito com ajuda da centro-esquerda e acho que se ele não fizer movimento caminhando para esse centro, ele corre risco muito grande de ter dificuldades à frente para a condução do seu governo”, explicou o gestor.

Com a melhora da imagem no país no estrangeiro e uma política mais voltada ao centro, a expectativa do gestor é de que o Brasil, nos próximos anos, ganhe destaque e tenha uma performance melhor do que o resto dos emergentes.

Apesar de acreditar nessa melhora dos ativos, em especial a bolsa, Xavier está preferindo aguardar uma definição a respeito da equipe econômica de Lula para aumentar sua exposição em Brasil: “Podemos até entrar um pouco mais tarde, mas com mais segurança”.

Enquanto isso, o mercado também segue em compasso de espera de diminuição de incertezas pós-segundo turno.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br