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Precisamos (e queremos) falar sobre cripto

Mais de 4 milhões de pessoas investem em cripto apenas no Brasil, num mercado que ficou grande demais para ser ignorado

Por Renato Santiago

19 jul 2022 15h33 - atualizado em 19 jul 2022 03h46

“Criptomoedas: tudo que você não entende sobre dinheiro combinado a tudo que você não entende sobre computadores”
– John Oliver

Em 2017 o mundo descobriu que existia algo chamado bitcoin e que aquilo poderia valer muito dinheiro. Não era novidade para investidores mais libertários e alguns economistas austríacos que sempre quiseram ver longe do governo o poder sobre o dinheiro.

Mas para o financista médio, como eu e provavelmente você, era novidade.

De lá para cá, muita coisa aconteceu. O valor do bitcoin disparou e derreteu algumas vezes, numa montanha-russa que levou a criptomoeda aos US$ 64 mil por unidade em 2021. Enquanto isso, milhares de outros ativos digitais apareceram, criando um mercado trilionário (em dólares), um novo ecossistemama e uma nova economia baseada em descentralização.

Dentro e fora do mercado financeiro desde então, criptocínicos e criptoadeptos começaram a travar uma batalha de narrativas, cada um pregando que o outro lado é o otário da vez, seja por não perceber um golpe, seja por não compreender uma revolução. “É algo idiota e do mal“, disse o bilionário Charlie Munger; “Vai tomar o lugar do dólar”, diz Jack Dorsey.

Fato é que o mercado cripto se tornou grande demais para ser ignorado por Wall Street, pela Faria Lima e também por nós. Por isso, começa hoje o Criptoverso, uma série especial do Market Makers sobre esse mercado exótico, fascinante, estranho e rico – embora já tenha sido bem mais rico pouco tempo atrás.

Você pode estar pensando: “mas vocês só pensam em ações, só falam de bolsa, por que vão se meter nesse assunto agora?”

A resposta é a mesma que temos ouvido aqui na Faria Lima: ficou grande demais para ser ignorado. Você quer números? Então veja:

  • Só os 15 maiores criptoativos valem juntos quase US$ 1 trilhão
  • 4,3 milhões de brasileiros investem em criptomoedas, segundo a Anbima. Na B3, são 4,2 milhões de CPFs.
  • Mais de 30 fundos de cripto estão disponíveis para o investidor, segundo a CVM (sem contar ETFs)
  • Alguns desses fundos têm mais de 20 mil cotistas

No primeiro episódio da série vou tirar as dúvidas que me consomem há algum tempo sobre todo esse mercado. Se criptoativos são tão bons e revolucionários, por que ninguém está usando? Se tem tanto valor, por que pessoas como Warren Buffett chamam de golpe? Por que tanta gente está investindo tanto dinheiro sem entender direito como as coisas funcionam? Como você pode ver, são questões praticamente existenciais. Mas que eu acredito que são norma na Faria Lima.

Para respondê-las convidei dois caras de perfis bem diferentes. Um é o Felipe Sant’Ana, da Paradigma Education, um “coiner” raiz, como ele mesmo se declara, que investe e estuda o assunto antes de nós sabermos que criptomoedas existiam. O outro é Alexandre Ludolf, um convertido, que já trabalhou no mercado financeiro tradicional e hoje é gestor da QR, uma casa que investe exclusivamente em criptoativos.

Quando você abrir seu Spotify ou o YouTube hoje, às 18h, vai se deparar com um assunto tão estranho quanto fascinante. Pode parecer exótico, mas isso não quer dizer que não seja relevante – lembre-se que a própria internet há 25 anos era algo igualmente exótico e muita gente naquele momento não entendia o que acontecia e preferiu ignorar. Você quer correr esse risco?

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br