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Racional, contrarian e apaixonado

Como reduzir a dependência às frases do Warren Buffett

Por Josué Guedes

14 set 2022 11h46 - atualizado em 14 set 2022 11h48

Diz o Faria Lima Elevator que para dias de forte queda nos mercados, como ontem, no qual o S&P 500 despencou 4,3% e o Ibovespa 2,3%, recomenda-se três doses de frases do Warren Buffett a cada 3 horas para aguentar a volatilidade.

Ele que me desculpe, mas preferi revisitar o que já aprendi com Charlie Munger, Howard Marks e Luiz Alves Paes de Barros.

Munger

Munger, sócio de Buffett e vice-presidente da Berkshire, diz que uma das principais características de quem consegue vencer no mercado é a racionalidade. Isso é essencial, porque só sendo racional você é realmente capaz de controlar suas emoções e não vender nas quedas.

Em uma reunião de acionistas em 2020, um investidor pediu para Munger explicar como uma pessoa poderia se tornar mais racional. Embora tenha deixado claro que não há um passo-a-passo, o mega investidor explicou que uma maneira de fazer isso é evitando o viés de confirmação:

“Trabalho tentando descartar crenças irracionais. A maioria das pessoas apenas valoriza qualquer noção idiota que já tenha porque supõe que deve ser boa.”

Os investidores racionais reconhecem suas próprias limitações, e, principalmente, estão abertos a ideias que se contrapõem a suas próprias convicções.

Marks

Mas ser racional não é suficiente para suportar os momentos difíceis no mercado. É preciso ser contrarian.

Em “O Mais Importante para o Investidor”, Howard Marks, co-fundador da Oaktree Capital, classifica os investidores em basicamente dois tipos:

1. Os seguidores de manada;
2. Os bons investidores.

Os investidores do primeiro grupo estão propensos a comprar o que está na moda e fazê-lo no momento errado. Os do segundo, além de racionais, têm coragem para comprar quando os outros estão vendendo e vender quando outros estão comprando. Essa é a essência de um investidor contrarian.

contrarian age sabendo que na mesma proporção em que o pêndulo oscila ou o mercado passa por seus ciclos, o êxito depende de fazer o oposto da manada.

Isso costuma ser muito doloroso quando a tendência vai contra suas posições. É normal, somos humanos e ninguém gosta de perder dinheiro ou pensar que está errado (difícil achar que se está certo quando você vê o ativo investido caindo).

E, em momentos de forte volatilidade, além de racionalidade e espírito contrarian, o investidor pode colocar tudo a perder se não tiver uma filosofia de investimento e vida que o faça aguentar momentos de baixa do mercado.

Luiz Alves

É preciso aprender com Luiz Alves Paes de Barros – um grande investidor brasileiro infelizmente ainda menos citado do que Buffett -, qual é o objetivo de um investidor vencedor, aquele que o fará suportar dias, meses ou até mesmo anos de mercados difíceis.

Em um vídeo que circula na internet há mais de um ano, Luiz Alves afirma que seu objetivo de vida é ganhar dinheiro pelo prazer de ganhar. E, segundo ele, quem tem isso está sempre procurando ganhar dinheiro:

“Tem gente que quer ganhar dinheiro para comprar um automóvel, comprar uma casa, ou poder viajar. Mas um dia o dinheiro pode acabar. O meu prazer é ganhar o dinheiro pelo prazer de ganhar. Passar a vida fazendo um jogo gostoso.”

Alves, sem dúvida, é o exemplo claro de um apaixonado pelo mercado, porque sua filosofia lhe permite aceitar longos períodos de “vacas magras” sabendo que a bonança virá. Ele não entrou no mercado para tentar ganhar alguma coisa nos próximos meses ou anos ou pra “postar boleta” nas redes. LAPB, como costumam chamá-lo, está no mercado pelo desafio há décadas e não pretende parar.

Sendo racional como Munger, contrarian como Marks e apaixonado como Luiz, com certeza as doses diárias de frases Buffettinianas nestes momentos de queda serão bem menos necessárias.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br