Notícia

3min leitura

Se sua ação fosse uma seleção

Chegou a hora de misturar o que mais gostamos no mundo: futebol e bolsa

Por Renato Santiago

08 dez 2022 11h56 - atualizado em 08 dez 2022 02h16

Texto originalmente publicado na CompoundLetter, a newsletter do Market Makers. Inscreva-se na newsletter gratuitamente deixando o seu e-mail aqui

“Pode isso, Arnaldo?”
— Galvão Bueno

Quando algum grande evento monopoliza as atenções, como a Copa do Mundo, nasce uma tentação para todo produtor de conteúdo: tentar pegar uma carona no tema usando analogias duvidosas.

Essa estratégia é consagrada e traz frutos. Se você duvida, procure pelo relatório do Santander que comparava ações a funções em um time de futebol e veja a repercussão dele na época da apresentação da seleção.

Para nós, que falamos de futebol o tempo todo, essa é uma tentação muito fácil de cair.

Na verdade, resolvemos nos jogar nela. A CompoundLetter desta semana, portanto, é dedicada a isso: comparar ações a seleções da Copa.

Nosso propósito? Didático. Sua diversão? Garantida.

Antes de começarmos, um esclarecimento: tive ajuda de dois analistas CNPIs, Thiago Salomão (Market Makers) e Matheus Spiess (Empiricus) para as escolhas da lista abaixo, mas nada do que se segue é uma recomendação de investimento. Nosso propósito aqui é de entretenimento — quem sabe fazer você esquecer da sua pífia performance no bolão.

Agora, nossa lista:

Se Alemanha fosse uma ação da B3, seria Magazine Luiza (MGLU3): durante muito tempo foi a favorita e todos a olhavam com admiração e deferência. Hoje está mal, de vez em quando riem dela, mas ninguém vai ficar surpreso quando ela voltar ao topo.

França seria Weg (WEGE3): demorou muitas décadas para chegar ao topo e poder ser chamada de favorita. Mas uma vez conquistado seu lugar entre as melhores, não sai de lá e está sempre na lista dos melhores e dos favorito.

Itália seria Oi (OIBR3): tem uma história grandiosa, mas recentemente só dá vexame. Deu alguma esperança alguns anos atrás, mas segue longe da melhor forma. Ainda há quem acredite.

Holanda seria o Itaú (ITUB4): sua qualidade e tradição são incontestáveis, mas nunca é “A” melhor, e às vezes fica um pouco sumida. O laranja é sua marca.

Uruguai seria Paranapanema (PMAM3): gigante do passado, hoje não é nem sombra do que foi lá atrás. Tornou-se um grande azarão.

Marrocos seria PetroReconcavo (RECV3): a grande surpresa positiva deste ciclo.

Bélgica seria XP (XPBR31): até pouco tempo atrás empolgava, com uma equipe estrelada e talentosa, uma estratégia inovadora e ideias disruptivas que a fizeram chegar ao topo. Isso levou ambas ao topo do ranking (do setor e da Fifa). Hoje, o modelo tem mostrado sinais de exaustão: é como se a nova “geração belga” não tenha conseguido o mesmo entrosamento da anterior. Os resultados recentes evidenciam a falta de sintonia em campo.

Inglaterra seria B3 (B3SA3): é a madrinha do esporte, a dona da bola. De vez em quando tem performances boas, mas ficar no topo é coisa rara.

Espanha seria Natura (NTCO3): já foi favorita e se comporta como gigante, mas na hora de mostrar performance, derrapa.

Croácia seria GPS (GGPS3): tem um elenco entrosado e bem gerido. Já provou que é boa, mas hoje poucos estão prestando atenção pra valer.

Argentina seria Vale (VALE3): tem potencial e talento de sobra, mas é atormentada por todo tipo de problema, dentro e fora de seu controle.

Japão seria Hapvida (HAPV3): criou grandes expectativas, mas não entregou nada além do que sempre entrega.

Brasil seria Petrobras (PETR4): é a maior de todas. Tem tradição, qualidade, renome e ninguém em sã consciência ignora e todos têm uma opinião sobre. Mas às vezes passa por um 7 a 1 ou um maracanazo.

Se você não concordar com alguma, ou tiver outra ideia, responda a esse e-mail. Vamos adorar ler.

Episódio #24

Em contraste com este conteúdo jocoso e humorístico (ainda que didático), vai ao ar HOJE às 18h, no YouTube e plataformas de streaming, nossa entrevista com o Marcos Lisboa.

Economista, presidente do Insper e um dos maiores especialistas nos problemas econômicos do Brasil e do Estado brasileiro, Lisboa conversou conosco sobre os temas que viraram ideia fixa na Faria Lima e no Leblon nos últimos meses: teto de gastos, responsabilidade fiscal versus responsabilidade social, a PEC da transição, reformas e muito mais. Tem até um “bônus” no final do episódio com a opinião dele sobre a MMT. Imperdível.

Já ative o sininho no nosso Youtube clicando aqui para não perder esta entrevista.

Compartilhe

Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br