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SVB, crédito, ciclos e redes: o novo memo do Marks

Um novo ciclo pode estar começando

Por Josué Guedes

26 abr 2023 14h16 - atualizado em 26 abr 2023 02h16

Após o barulho da crise provocada pelo Silicon Valley Bank (SVB) diminuir, o renomado gestor Howard Marks, conhecido por muitos pelo seu best seller O Mais Importante para o Investidor, divulgou sua visão sobre a crise bancária recente nos EUA em um memorando.

Para os mais apocalípticos e apressados: Marks não acredita em uma onda de falências bancárias na terra do Tio Sam.

Mas, na sua visão, o colapso do SVB pode levar a um aperto ainda maior de crédito por lá. Algumas instituições financeiras provavelmente reduzirão a oferta de crédito, aumentando a pressão sobre os tomadores de empréstimos. Resultado: startups e outras empresas terão mais dificuldade para se financiar nos próximos meses.

Como o motivo da crise já foi amplamente abordado, não vale aqui retomar o tema (leia a CompoundLetter do Matheus e entenda tudo), porém, não pude deixar de lembrar a fala do André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, sobre os estagiários e o risco tomado pelo SVB (entenda aqui) quando Marks descreveu como desconcertante a decisão do SVB em relação a alocação dos depósitos do banco em títulos do tesouro: “Como alguém poderia pensar que taxas tão baixas eram mais propensas a se manter estáveis ​​ou cair do que subir?”

Com uma visão extremamente apurada dos ciclos de mercado, Marks considera que o momento atual de mais escassez de crédito pode começar a abrir boas oportunidades para os “caçadores de pechinchas”, pois, em suas palavras: “quando a psicologia [dos investidores] oscila na direção da desesperança, torna-se razoável acreditar que começarão a aparecer oportunidades de melhores retornos”.

E, para ele, o colapso do SVB foi um passo inicial nessa direção.

Comparando a crise bancária atual com o que aconteceu em 2008, Marks ressaltou o impacto das redes sociais na corrida ao SVB. Na crise do subprime, passaram-se vários dias ou semanas para que os problemas em alguns bancos chegassem às massas e, por isso, os reguladores tiveram mais tempo hábil para se preparar.

No entanto, no mundo tão digitalizado quanto o atual, e com a maioria dos clientes especialistas em tecnologia, no caso do SVB, as informações sobre o problema no banco se espalharam quase que instantaneamente.

“A notícia das perdas com os títulos viajou numa velocidade impressionante, por meio de depositantes inusitadamente interconectados e que tinham a capacidade de solicitar saques online”, ressaltou o gestor.

A corrida bancária que antes ocorria apenas em horário comercial e levava dias ou semanas para se tornar um grande problema, hoje com o efeito “contágio” das redes sociais pode gerar problemas em questão de algumas poucas horas. Para Marks, esse é um novo fator de risco para os bancos.

O memorando completo com mais detalhes sobre uma outra grande preocupação que os bancos enfrentam hoje, o risco no setor imobiliário comercial, você encontra aqui. Vale a leitura!

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br