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Um otimismo cético

Daniel Leichsenring, da Verde Asset, e Felipe Miranda, da Empiricus, jogam luz sobre o otimismo brasileiro com os próximos 4 anos

Por Josué Guedes

05 out 2022 12h42 - atualizado em 05 out 2022 12h50

Apesar do “mercado” já ter vencido em 2022, como o analista político, Luciano Dias, afirmou na nossa live de segunda-feira (confira aqui), as perspectivas para o Brasil em relação às melhorias necessárias para tornar o país mais competitivo e integrado às cadeias globais de produção não são as melhores.

De 4 em 4 anos, os brasileiros comparecem às urnas para votar e quase sempre o clima é de “agora ou nunca”. Nos últimos tempos essa ideia parece ter tomado mais força ainda, mas, do ponto de vista econômico, Daniel Leichsenring, da Verde Asset, e Felipe Miranda, da Empiricus, trouxeram, no nosso primeiro episódio ao vivo, algumas ideias e análises que não deixam ninguém mais atento se enganar com essa perspectiva “8 ou 80” para o Brasil.

“Meu otimismo é o de quem já está muito frustrado diante do que se tem na mesa. Não tem nenhuma expectativa ingênua ou falsa esperança de que a gente vai realizar algum tipo de reforma estrutural ou que a gente vai perseguir produtividade que de fato é o que a gente deveria”, comentou Miranda no começo da conversa sobre eleições.

E fato é que quem observa a história do Brasil nas últimas décadas, ou até séculos, realmente não nutre uma grande expectativa sobre o futuro econômico do país, porque a realidade não permite. Para resumir essa ideia, Miranda contou que certa vez André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, estava conversando com um investidor e foi perguntado sobre o que ele estava achando do banco:

– Acho que o banco vai bem nos próximos anos
– Ah, que bom saber que você está otimista com Brasil
– Não, não estou otimista com Brasil
– Ah, então é um alerta pra gente ficar pessimista?
– Não, também não falei que estou pessimista com Brasil

O Brasil é isso: não é um país grandioso, mas também não é um pária internacional.

Ao lado de Miranda, Daniel Leichsenring reforçou a ideia, mas trouxe um ceticismo um pouco maior em relação ao cenário do país por conta da estagnação da produtividade brasileira.

“O Brasil é essa mediocridade, mas minha preocupação é crescente, porque estamos com a produtividade da economia brasileira estagnada há 16 anos e não existe aumento de renda média da população com produtividade estagnada. O Brasil é um dos casos únicos de ter produtividade estagnada por tanto tempo no mundo”, ponderou Leichsenring.

Sua grande preocupação atualmente é quanto tempo mais o Brasil aguenta com esses níveis de produtividade que não avançam.

“Estamos num equilíbrio político que me parece de certa maneira instável e que vai continuar barulhento (…) mas hoje há um risco e um custo de oportunidade também maior [para o país]”, concluiu adicionando um tom a mais de ceticismo.

O período de eleição geralmente traz a ideia de que os próximos governantes irão mudar a realidade econômica do país para melhor, porém, o que se tem atualmente é um quadro que foi construído durante décadas e que não tem perspectiva alguma de ser alterado em apenas um mandato.

Como diz Marcos Lisboa, “o Brasil não é pobre à toa. Isso aqui é trabalho de profissional. A gente faz um esforço imenso para ser um país pobre”.

As eleições podem até trazer ares de renovação e mudança no país, mas o quadro indica que os ‘profissionais’ continuarão se esforçando para manter o Brasil na mesma trajetória de sempre.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br