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XP vs. EQI: o clássico da rivalidade do Condado

Ex-amigas, atuais rivais, se enfrentam na Copa do Condado

Por Renato Santiago

22 mar 2023 11h14 - atualizado em 22 mar 2023 04h16

A aleatoriedade que envolve os sorteios e chaveamentos das Copas do Mundo costuma brindar o público com pérolas geopolíticas nos campos. Quer exemplos?

Os torneios de 1998 e 2022 tiveram partidas entre Estados Unidos e Irã, países que vivem em tensão ininterrupta desde 1979 (uma vitória para cada lado); a Copa de 1986 teve um Inglaterra e Argentina apenas quatro anos depois da Guerra das Malvinas, ocasião em que Maradona fez aquele gol de mão; em 1974, auge da Guerra Fria, as duas Alemanhas se enfrentaram, com vitória dos orientais em uma das maiores zebras das Copas.

Tudo isso rende horas e horas de conversa (quase sempre inúteis) nas mesas redondas televisivas.

Guardadas as devidas proporções, na Copa Flash Expense do Condado não foi diferente.

Quiseram o acaso do sorteio e os resultados em campo que as oitavas-de-final do torneio tivessem um confronto cheio de tensão na geopolítica do Condado da Faria Lima: EQI x XP Investimentos.

Mas antes, contexto: a Copa Flash Expense do Condado é um torneio de futebol organizado pelo Thiago Salomão que reúne 32 empresas do mercado financeiro. Como na Copa do Mundo, as equipes foram distribuídas em oito grupos de quatro, classificando-se os dois primeiros colocados para a fase de mata-mata. Está sendo um sucesso, que você pode conferir aqui no Instagram oficial do torneio.

História da rivalidade entre XP e EQI

Voltando à geopolítica do mercado.

EQI e XP são os protagonistas de um redesenho importante na fronteira territorial entre entre dois dos maiores e mais ferrenhos antagonistas do condado: a própria XP e o BTG, que em 2020 começou sua investida sobre escritórios de agentes autônomos de investimentos — território no qual a rival reinava soberana até então.

Em um movimento audacioso, o BTG conseguiu tirar, até 2021, cerca de 40 escritórios de assessores de investimentos da concorrente, segundo esta reportagem do Seu Dinheiro. Por regulamentação, os escritórios trabalham de forma independente, mas só podem estar filiados a uma instituição financeira, em regime de exclusividade.

Entre esses escritórios estava a EQI, até então o maior escritório filiado á XP, com quase R$ 10 bilhões sob custódia e mais de 40 mil clientes — mais da metade dos quais migrou junto para o BTG nos primeiros meses. Do novo parceiro, o escritório conseguiu a promessa de que ele mesmo viraria uma corretora, o que ajudaria a aumentar muito sua margem.

O golpe foi duro na XP, cujo principal motor de negócios são os escritórios de agentes autônomos e dentro da companhia, “EQI” virou um termo interditado. Eu mesmo, ainda na outra encarnação, ao testar os limites da nossa independência editorial, perguntei se teríamos problemas ao entrevistar fontes da EQI. “Aí você pegou pesado”, disse meu interlocutor/superior. Na EQI a separação também deixou sequelas. Basta assistir a esta entrevista do fundador da empresa, Juliano Custódio, para perceber que ele só se refere à antiga parceira como “a falecida”.

A partir do desquite aconteceu o que costuma acontecer em divórcios de pessoas ricas: processo. Por um lado, a XP acusou a EQI de descumprimento de contrato na Justiça. Em resposta, a EQI foi ao Cade, enquanto perdia para a rival seu principal influenciador, Pablo Spyer.

No capítulo mais recente desse redesenho territorial do mercado de assessores de investimentos, o próprio Guilherme Benchimol e o CEO da XP, Thiago Maffra, disseram ao mercado que estão expandindo sua rede de assessores internos para depender menos de escritórios.

O jogo entre EQI e XP acontece hoje e esperamos que o espírito esportivo prevaleça.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br