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A minha pergunta para a TB Capital

Como uma taxa de performance cobrada a cada 3 anos pode tornar uma gestora melhor investidora? Na reunião anual da TB Capital, David Kaddoum e Gabriel Saavedra explicaram o impacto dessa escolha na cultura e nas decisões de investimento.

Thiago Salomão

Por Thiago Salomão

31 Aug 2026 10h00 - atualizado em 31 Aug 2026 01h39

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A TB Capital realizou sua reunião anual na última semana. Apesar da pouca idade (ela nasceu em agosto de 2022), a gestora tem entre os fundadores David Kaddoum e Gabriel Saavedra, ex-sócios que ficaram mais de 10 anos na Atmos – e a Atmos é uma das mais reconhecidas assets de ações do Brasil.

Nestes 4 anos, aliás, a TB teve uma performance muito positiva. Mas não é só por isso que valeu a pena acompanhar a reunião anual da gestora: a TB é daquelas que evita aparecer em público ou ir em podcasts, o que torna esses eventos quase que um “must watch”. 

E a última reunião anual não foi diferente.

Cada tópico da apresentação deles merecia uma menção, mas para respeitar o tempo de todos os três leitores desta newsletter, trarei aqui um assunto que para mim foi muito especial.

Kaddoum e Saavedra me deixaram fazer ao todo três perguntas após as apresentações. Eles disseram na frente de todo mundo que foi por causa da maneira respeitosa e dedicada que eu tenho acompanhado o da TB desde o início. Fiquei muito honrado, de coração. Mas suspeito que eles fizeram isso também para ver se eu dou uma aliviada nos insistentes convites para trazê-los ao Market Makers…

Trarei nesta newsletter a minha primeira pergunta aos sócios da TB, que foi bem egoísta, na verdade. Eu a fiz pensando no MARKET MAKERS FIA, o fundo de ações do Market Makers que, assim como a TB, completará em breve 4 anos de histórico e conta com quase 1.000 cotistas.

A pergunta foi mais ou menos assim:

Durante a apresentação, me marcou muito uma frase dita pelo Saavedra: “cobrar taxa de performance a cada 3 anos nos tornou melhores investidores”. Isso me fez refletir sobre o Market Makers FIA, pois pelo fato de termos diversas linhas de negócio na empresa Market Makers, não encaramos o Market Makers FIA como um “produto financeiro”. Ele é, para nós, o melhor veículo para que eu, meu sócio Matheus Soares e nossos colaboradores possam colocar o “skin in the game” nas empresas que consideramos bons investimentos. E quem quiser nos acompanhar, basta virar cotista do fundo. Por isso, me chamou muito a atenção a frase dita pelo Saavedra, pois como encaramos o MARKET MAKERS FIA da forma que descrevi, poderíamos adotar essa medida se entendermos que isso nos ajudará a sermos melhores investidores. Todo esse preâmbulo para uma pergunta simples e direta: por que cobrar taxa de performance a cada 3 anos tornou vocês melhores investidores? Mas eu queria nessa resposta argumentos objetivos, que é o que valorizamos no mercado financeiro. De que forma, objetivamente falando, essa política de remuneração tornou vocês melhores investidores?

Saavedra e Kaddoum dividiram a resposta em dois pontos de vista: da porta pra fora (isto é, para os investidores do fundo) e da porta pra dentro (para sócios e colaboradores).

Da porta pra fora, é muito simples: alinhamento com o investidor. Receber uma taxa de performance somente após 3 anos te deixará mais alinhado ao objetivo de longo prazo que o cotista de um fundo desta natureza possui. Tão simples quanto isso. 

Da porta pra dentro, a questão é mais cultural. Esta medida, junto com várias outras, ajudam a mostrar para todos os colaboradores qual a direção que as discussões sobre investimentos devem tomar, diz Saavedra. “Como nascemos com isso, as discussões que não são alinhadas a esse horizonte elas morrem naturalmente”, disse. 

Kaddoum fez dois complementos interessantíssimos: o primeiro é que isso impede que qualquer “trade de curto prazo” ou aquelas conversas de “quente-e-frio” pré-resultados com as empresas não ganham espaço nas discussões. Assim, eles evitam cair no viés de tentar rebater todas as bolas.

O segundo complemento foi uma uma expressão que Kaddoum chamou de “brain farts” (na tradução livre, seriam os “peidos cerebrais”). Ele diz que todos nós, não importa a senioridade, estamos sujeitos a ter ideias que não cheiram muito bem – para fazer referência à expressão inglesa usada por ele. “Esse alinhamento ajuda a matar discussões esses ‘brain farts’, que são as discussões que não deveriam viver muito”.

Assim que a TB Capital disponibilizar a gravação da reunião e os slides da apresentação, trago aqui um resumo completo com as minhas apresentações. Por ora, finalizo com a frase que eles colocaram na apresentação antes de falar sobre a taxa de performance trianual:

“Always take the high road, it’’ far less crowed” 

Se quiser saber mais sobre o fundo da TB Capital ou do Market Makers, ambos estão disponíveis para aplicação na plataforma do nosso sócio, o BTG Pactual.

Forte abraço, Thiago Salomão.

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Thiago Salomão
Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

Thiago.Salomao@btgpactual.com