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A boia do Aché

Para Squadra, bolsa está barata e momento é de foco no valuation e na qualidade do portfólio; confira atualização de posições da gestora

Por Thiago Salomão

15 ago 2022 11h38 - atualizado em 15 ago 2022 11h39

Foz do Iguaçu, 13 de agosto de 2022. Estava prestes a me arrumar para o casamento do meu sócio e parceiro de aventuras, Renato Santiago. Roupa separada, texto da newsletter de segunda já pronto, tudo estranhamente organizado. Até que por volta das 15h30 horas uma mensagem no meu Whatsapp faz toda essa (rara) organização vir abaixo.

Ao ler a carta semestral da Squadra Investimentos, tive que refazer a CompoundLetter de hoje para trazer um breve insight que extraí das 23 páginas do relatório, pois ele vai muito em linha com o que falamos no último episódio do Market Makers.

Breve resumo aos que não conhecem a Squadra: ela é uma gestora carioca focada em ações e criada no início de 2008 por Guilherme Aché, um dos mais respeitados investidores do Brasil. Os fundos da casa têm resultados consistentes no longo prazo, mas foi mais recentemente, em 2020, que a Squadra tornou-se mais conhecida, após divulgar um longo relatório explicando por que estava “short” (vendida) nas ações do IRB (que já caíram mais de 90% desde então).

O grande insight: estamos vivendo tempos difíceis (juros em alta no mundo todo, risco de estagflação, guerra na Ucrânia, eleições no Brasil…). Com isso, é mais fácil que um investidor fique pessimista ao ler as notícias e saia da bolsa. Pois bem, nestes tempos, Aché diz que existe uma boia que ele se segura para permanecer com ações: “a boia é o valuation e a qualidade do nosso portfólio”, diz na carta.

Até aí, nada de muito novo: comprar boas ações a um preço baixo é uma forma excelente de fazer hedge em momentos de forte incerteza. Mas a Squadra trouxe uma imagem que evidencia o quão barata está a carteira deles – ou seja: o quão seguro eles estão agarrados nesta boia em meio à tempestade. 

A tabela abaixo mostra o “Preço/Lucro” projetado para 12 meses das empresas que fazem parte da carteira dos fundos da Squadra. Esse múltiplo, que em média fica em torno de 17x, hoje está na faixa de 10,6x.

“Ter um portfólio diversificado entre ótimas companhias precificadas aos valuations vigentes no encerramento do semestre é um ponto de partida atrativo. Não significa que não vai cair mais no curto prazo, não significa que vai subir amanhã ou no próximo ano. Porém, é um elemento fundamental para que os retornos para frente sejam melhores que aqueles observados no passado recente”, resume a Squadra.

Pra isso fazer sentido, o investidor precisa ter em mente que bolsa é para o longo prazo. E o que isso significa na prática? Você precisa ser um “poupador líquido” (ganha mais do que gasta todo mês) e ir colocando esse dinheiro para trabalhar com você. Tão simples quanto isso.

Teremos meses de mar agitado pela frente. Mas a boia já está na água. Segure-se firme.

Quais são as “boias” do Aché? Consultando a CVM (lembrando que existe a defasagem de 3 meses, ou seja, as posições podem sofrer alterações), vemos como maior posição o fundo Long Bias da Squadra a Equatorial (15,5%). Logo atrás, vem por Rumo (7%) Petrorio (6,5%), Bradesco (6,1%), Itaú (4,5%) e Auren (3,9%). Mas na carta, ele revela que tem comprado nos últimos tempos mais XP Inc e Mercado Livre.

Por falar em teses, a carta revela por que e como a Squadra cometeu um grande erro com Natura&Co. Ele cita inclusive como culpado o “groupthinking” – quem leu nosso Manifesto sabe como abominamos isso. Por fim, há também uma explicação de dois outros “shorts” da carteira, além de IRB: Nubank e Aeris.

Enviamos o link da carta completa em nosso Telegram. Acesse o canal clicando neste link.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br