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O mês do Market Makers FIA
Todo início de mês, gosto de prestar contas aos cotistas do Market Makers FIA e compartilhar algumas reflexões sobre o que aconteceu no mercado, como nos comportamos e o que estamos enxergando daqui para frente.
A cota do Market Makers FIA recuou 0,3% em maio, enquanto o Ibovespa caiu 7,2% e o índice Small Caps caiu 3,7%. No ano, o fundo acumula alta de 7,7%, praticamente em linha com o Ibovespa, que sobe 7,9%, e acima do Small Caps, que recua 1,3%. Desde o início, em outubro de 2022, o Market Makers FIA acumula valorização de 68,5%, contra 57,9% do Ibovespa e ~4% do Small Caps. Para uma carteira formada majoritariamente por small caps, ficamos felizes com o desempenho.

Depois de um início de ano forte, marcado por entrada relevante de estrangeiros e melhora de percepção com ativos emergentes, maio trouxe uma reversão importante. Os investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 14 bilhões da bolsa brasileira no mês, acumulando mais de R$ 26 bilhões de saída desde meados de abril. Esse fluxo ajuda a explicar por que a bolsa brasileira se descolou negativamente de outros mercados.
Para se ter uma ideia, o S&P 500 avançou 5,1%, o Nasdaq disparou 10,5%, Taiwan subiu 16% e a Coreia mais de 30%, impulsionada por semicondutores, memória e toda a cadeia ligada à inteligência artificial. O Brasil não participa diretamente da euforia com inteligência artificial, não tem grandes empresas de semicondutores no índice e, para piorar, voltou a conviver com ruídos conhecidos: inflação, juros e política.
No campo dos juros, a inflação esperada voltou a subir. O mercado, que no início do ano chegou a trabalhar com um ciclo de queda de Selic mais intenso, passou a precificar uma redução bem menor para 2026. A discussão deixou de ser “quanto o Banco Central vai cortar?” e passou a ser “quanto ele conseguirá cortar?”. Esse detalhe faz muita diferença para ações brasileiras, especialmente para empresas domésticas e small caps, que são mais sensíveis ao custo de capital. Juros reais longos ainda muito elevados comprimem múltiplos, reduzem o valor presente dos fluxos de caixa e tornam o investidor mais exigente.
Nesse contexto, o desempenho relativo do Market Makers FIA foi bastante positivo. A carteira se defendeu porque é composta por um conjunto de empresas que, na nossa visão, continuam negociando a preços atrativos, com fundamentos próprios, balanços fortes e motores de valor que não dependem exclusivamente do humor do índice.
Ao final de maio, nossas maiores posições estavam em Priner, Celesc, OceanPact, Mills, Grupo Mateus, Allos, Technos e Valid. É uma carteira bastante diferente do Ibovespa. Não temos uma exposição relevante aos grandes bancos, Petrobras ou Vale, que dominam o índice. Também não montamos a carteira para “parecer” com o Small Caps. O que buscamos são empresas que conseguimos entender com profundidade, negociadas com margem de segurança e, preferencialmente, com algum vetor claro de geração de valor ao longo dos próximos anos.
Em maio, algumas notícias específicas também foram relevantes para nossas posições. A Mills teve um mês muito forte, refletindo a aquisição do controle pela Loxam e a perspectiva de uma oferta pública para fechamento de capital. A ação foi uma das poucas do universo de small caps que subiu de forma expressiva no mês e acabou ajudando bastante a carteira. Já Grupo Mateus, Priner e OceanPact continuaram no centro das nossas discussões internas, não necessariamente por movimentos de preço, mas pela evolução das teses. Em Grupo Mateus, seguimos acompanhando a integração do Novo Atacarejo, a normalização operacional após os ruídos recentes e a capacidade da companhia de voltar a entregar crescimento com rentabilidade. Em Priner e OceanPact, seguimos vendo empresas posicionadas em setores com demanda estrutural relevante, contratos de longo prazo e potenciais ganhos de escala.
Evidentemente, uma queda de juros ajudaria bastante várias posições. Mas não queremos depender apenas disso. Queremos empresas que consigam criar valor mesmo que o ambiente continue difícil por mais tempo.
A pergunta natural é: depois da correção, o que esperar daqui para frente? A resposta honesta é que não sabemos. O investidor que disser que sabe exatamente quando o fluxo estrangeiro vai voltar, quando os juros longos vão cair ou como o mercado vai reagir às eleições provavelmente está superestimando sua própria capacidade de previsão. O que podemos dizer é que, depois da queda recente, a bolsa brasileira voltou a negociar em níveis mais atrativos. Ao mesmo tempo, o sentimento técnico ficou bastante deprimido, o que historicamente costuma criar boas oportunidades para quem consegue olhar alguns trimestres à frente.
Para nós, o ponto mais importante é que a relação entre risco e retorno parece melhor hoje do que parecia há algumas semanas. O mercado brasileiro voltou a ficar barato em um momento em que o pessimismo aumentou. E, quando olhamos para small caps, essa assimetria parece ainda mais evidente. O universo de empresas menores segue muito descontado em relação ao Ibovespa, em parte porque sofre mais com juros altos, menor liquidez e ausência de fluxo. Mas é justamente nesse universo que encontramos várias das melhores oportunidades da carteira.
Se tudo estivesse claro, confortável e previsível, os preços provavelmente não estariam onde estão.
No Market Makers FIA, nosso trabalho é encontrar empresas que valem mais do que o preço de tela, comprar com margem de segurança e ter paciência para deixar a tese amadurecer.
Seguimos com a mesma filosofia que guia o fundo desde o início: investir em bons negócios, tocados por pessoas competentes e honestas, a preços que ofereçam uma boa relação entre risco e retorno. Continuamos vendo oportunidades relevantes na carteira atual e acreditamos que, para o cotista paciente, momentos de desconforto como o atual tendem a ser mais aliados do que inimigos.
Aos cotistas que seguem conosco, muito obrigado pela confiança. Maio mostrou que, em um mercado difícil, a carteira conseguiu se defender bem, mas o jogo que estamos jogando continua sendo muito mais longo do que um mês. Nosso objetivo segue sendo o mesmo: compor capital ao longo dos anos, com disciplina, estudo, paciência e margem de segurança.
Um abraço, Matheus Soares.