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Chegou a hora de comprar Vale (VALE3)?

A ação da Vale pode estar próxima de um ponto de inflexão

Por Matheus Soares

18 jul 2023 13h52 - atualizado em 18 jul 2023 01h52

Uma das coisas mais curiosas do mercado é a rapidez com que as condições e as narrativas mudam – é a tal da bipolaridade do Sr. Mercado.

Um exemplo disso é o que aconteceu com as ações da Vale nos últimos doze meses: a VALE3 foi de queridinha da Faria Lima no final do ano passado – sendo uma das maiores apostas dos gestores para a reabertura da China – beirando os R$ 100 por ação; para rejeitada e fonte de ‘funding’ para a compra de outras ações após a reabertura chinesa frustrar as expectativas.

Enquanto ao final de 2021 e início de 2022 a expectativa de aumento de consumo das commodities devido à aceleração da vacinação no mundo e a invasão da Ucrânia pela Rússia foram os grandes catalisadores para a alta das commodities devido aos receios de uma redução da oferta global; no segundo semestre, a desaceleração da economia chinesa – gerada pela política rígida de covid-zero – colocou a demanda por commodities em xeque e despertou uma correção de preços.

Porém, em outubro de 2022 a narrativa mudou novamente: dessa vez, o afrouxamento das políticas de isolamento pelo governo chinês levariam a um aumento da demanda por commodities. Aliás, muitos investidores apostaram no petróleo ao invés do minério de ferro já que o mais provável era que o chinês saísse de casa e consumisse mais combustível.

Para surpresa de todos, quem andou foi o minério e não o petróleo.

O gráfico abaixo do comportamento do minério de ferro resume essa história:

E por que estamos falando do minério de ferro?

Porque não tem como falar de Vale (em branco) sem falar de minério de ferro (azul):

E não dá para falar de minério de ferro sem falar da China: ela representa 70% da demanda global pela commodity e cerca de 50% da receita líquida da Vale. Entender para onde vai a ação da Vale envolve compreender a dinâmica da economia chinesa, que por sua vez, dita a direção do minério de ferro.

E como temos escutado no Market Makers, os investidores e especialistas em geopolítica estão cada vez mais céticos com o crescimento do país. No episódio #45, Ruy Alves contou que apesar do lazer e comércio de luxo terem retomado com força na reabertura, o setor imobiliário decepcionou e o crescimento do PIB têm sido frequentemente revisado para baixo. Inclusive, pontuou que o minério de ferro tem uma perspectiva estrutural de longo prazo negativa dado que com o tempo a China vai passar a reciclar a commodity, diminuindo sua demanda por minério importado pelos oceanos.

Mas então, será mesmo que é hora de comprar VALE3?

Como tudo no mercado é relativo, precisamos comparar o desempenho dela com as outras grandes mineradoras do setor:

De fato, a Vale é a que pior performou em termos relativos e, devido a isso, pode ter uma assimetria maior dentro do setor.

Tendo contato com muitos gestores e analistas, o Market Makers consegue fazer um “termômetro” do que o mercado acha de uma empresa. Acreditamos que as maiores oportunidades se encontram nas empresas que quase ninguém olha ou que quase ninguém gosta. No caso da Vale, muita gente olha mas poucos gostam.

A empresa sofreu muito este ano e descolou de todo o resto do mercado, contribuindo negativamente em quase 4000 pontos para o Ibovespa – a maior contribuição negativa no ano, conforme mostramos na imagem abaixo:

O gráfico a seguir mostra como as ações da Vale (linha azul) ficaram para trás das ações da Petrobras (linha branca): a Vale precisaria subir 80% – se a PETR4 ficar no mesmo preço – para que as duas ações empatem no ano. Difícil lembrar de outro momento em que ambas ficaram tão distantes.

Queremos entender se essa queda reflete adequadamente a deterioração das perspectivas do minério de ferro ou se o mercado exagerou nesse movimento e é um bom ponto de entrada para se ter Vale na carteira.

Isso passa por entender: 

i) A atual dinâmica de oferta do minério de ferro: será que tem nova capacidade entrando? 

ii) Demanda pela commodity: será que ela está, de fato, arrefecendo na China?

iii) Operacional da Vale: como a empresa frustrou as expectativas nos resultados do 1º trimestre de 2023, qual a expectativa para o 2T23?

iv) Gatilhos de curto e longo prazo: o que pode fazer a ação andar? 

v) Valuation: já podemos dizer que o preço está uma barganha?

Pensando na resposta de todas essas perguntas, hoje às 15 horas a Comunidade Market Makers vai receber Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI e gestor do GTI Dimona, um dos melhores e mais longevos fundos de ações do Brasil e que tem VALE (VALE3) em carteira.

Quer acompanhar a conversa, mas ainda não é membro da Comunidade Market Makers? Clique aqui e conheça nosso trabalho!

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Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br