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O gato de schrodinger
Um experimento social do físico austríaco Erwin Schrödinger criado em 1935 ficou mundialmente conhecido
Nele, o físico propõe colocar numa caixa um gato, um frasco de veneno e uma combinação de um átomo radioativo que pode ou não estourar o frasco dentro da caixa.
Se o frasco estoura, o gato morre. Se o frasco não estoura, em tese, o gato permanece vivo.
Mas enquanto a caixa não é aberta, o gato pode estar ao mesmo tempo vivo ou morto.
Assim é neste momento a candidatura de Flávio Bolsonaro. A notícia – e as provas robustas – de ligação do senador com Daniel Vorcaro (que é ao mesmo tempo o veneno e o átomo radioativo), podem ou não ter enterrado a chance do 01 de Bolsonaro assumir o Planalto.
A bem da verdade, wishful thinkings à parte, nada disso é inesperado de fato. Ora, depois da possível ligação de Vorcaro com Ciro Nogueira, homem de confiança da família Bolsonaro, não é preciso ter a mente de Schroedinger para imaginar que uma ligação com a família viria.
Admitamos, porém, que os áudios surpreendem, irmão.
Também não é surpresa a possibilidade de implosão da candidatura de Flávio. Um cientista político que conversei na semana passada me disse o seguinte: “a eleição está nas mãos do Flávio. O Lula já fez e falou todas as bobagens que poderiam surpreender o eleitor depois de 3 mandatos e tantas eleições concorridas. Quem está no zero é o Flávio. Quanto menos bobagens acumular na corrida, menos rejeição e mais votos.”
Mas nós também já tínhamos mapeado – ou deveríamos ter – a probabilidade de um telhado de vidro do senador que outrora foi acusado de participação num esquema de rachadinha.
Ainda sim, o mercado sentiu. A bolsa despencou na quarta-feira. O dólar tocou de novo os R$ 5.
E o mundo político começou a se movimentar. Aliados de ocasião já pegaram lançaram suas pedras em direção à Geni da vez. A oposição sambou no caixão do gato – que, relembro, não sabemos se morre ou vive. O senador tratou de pedir CPMI, negar acusações e, antecipando movimento, disse que não sabe nada sobre os irmãos.
O que vai definir se o gato está vivo ou morto agora é o lastro. O quanto de veneno tem no frasco e o quanto esse veneno vai render até outubro. Que o frasco estourou é fato. Se o gato lambeu o veneno é que são elas. Afinal, vale lembrar que não há candidato à direita com o recall de Flávio e seu sobrenome presidencial. E num ano em que as eleições começarão só depois da Copa do Mundo para a maioria dos eleitores, o veneno pode secar antes de ser lambido.
Para o gato, não há mundo melhor do que estar na caixa. É sua única chance de estar 50% vivo.
Lula e a esquerda passam longe da caixa, sobejam-se no fato de que, pelo menos por ora, o fiscal descontrolado, a falta de picanha e a derrota de um Messias vão ficar fora do noticiário.
E a direita, podia aproveitar o gato na caixa e buscar outros felinos para chamar de seus. Eis aqui uma chance e tanto.
Ps: nenhum animal foi maltratado na confecção deste texto. Inclusive, adoro os bichanos!
PARA FECHAR…
A nossa super quarta:
Na quarta-feira, o Thiago Salomão conduziu uma edição extra ao vivo do Market Makers que começou com as presenças de Matheus Spiess e Walter Maciel, mas teve até a entrada do pré-candidato Renan Santos para comentar os acontecimentos envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Você pode assistir a esse conteúdo aqui.
Um abraço, Leopoldo Rosa