Notícia
7min leitura
Que cheiro de covid é esse?
A guerra entre EUA e Irã já foi de “finalmente vai acabar” pra “isso vai durar pra sempre” em poucas horas nos últimos dois meses. E por várias vezes.
“O mercado parece subprecificar esse risco de cauda” (trecho do relatório da Gavekal sobre o risco de disparada do petróleo pelo conflito entre EUA e Irã)
Enquanto isso, o mercado já panicou e “euforizou” bastante, mas parece orbitar perto de uma normalidade, como se o conflito estivesse sob controle.
Podemos inferir então que “nos acostumamos” a viver num mundo em que não conta com o Estreito de Ormuz para transportar materiais básicos?
A única resposta possível é: nem ferrando.
O mercado é muito bom em antecipar o futuro. Afinal, o preço de praticamente todos os ativos reais negociados nada mais é do que a estimativa dos investidores para o que aquilo valerá no futuro, trazido a valor presente.
Mas para certas coisas, a eficiência do mercado não é tão eficiente. Ele pode demorar para perceber aquilo que já está acontecendo na vida real.
Quem lembra da Covid e em como o pânico que já era visto no oriente demorou para “fazer preço” neste lado do mundo?
Pois bem, talvez seja isso que esteja acontecendo agora com o petróleo.
Semana passada, mediei um painel no “ETF Day” (evento de ETFs do BTG Pactual) com Ricardo Kazan, sócio do BTG e um dos maiores especialistas de commodities do mercado.
E o recado do Kazan foi bem óbvio: o cenário está muito positivo para investimentos em commodities. E isso é péssimo pro resto do mundo.
Veja bem: o que antes só parecia uma discussão sobre “quanto a alta do petróleo vai impactar minhas Petrobras e PRIO3” agora começa a ter seus impactos na vida real.
Na Europa, 2 milhões de pessoas não voaram nos últimos dias pois tiveram seus voos cancelados por falta de querosene na aviação.
Duas milhões de pessoas. MILHÕES.
Na Ásia e Europa, o termo “racionamento” não mais bate na porta: ele já arrombou com um chute e invadiu a casa da população.
“Ah, mas isso é pontual. Abriu o Estreito de Ormuz, é vida normal de novo”, pode dizer um investidor menos preocupado.
Enquanto isso, o mercado já panicou e “euforizou” bastante, mas parece orbitar perto de uma normalidade, como se o conflito estivesse sob controle.
Podemos inferir então que “nos acostumamos” a viver num mundo em que não conta com o Estreito de Ormuz para transportar materiais básicos?
A única resposta possível é: nem ferrando.
O mercado é muito bom em antecipar o futuro. Afinal, o preço de praticamente todos os ativos reais negociados nada mais é do que a estimativa dos investidores para o que aquilo valerá no futuro, trazido a valor presente.
Mas para certas coisas, a eficiência do mercado não é tão eficiente. Ele pode demorar para perceber aquilo que já está acontecendo na vida real.
Quem lembra da Covid e em como o pânico que já era visto no oriente demorou para “fazer preço” neste lado do mundo?
Pois bem, talvez seja isso que esteja acontecendo agora com o petróleo.
Semana passada, mediei um painel no “ETF Day” (evento de ETFs do BTG Pactual) com Ricardo Kazan, sócio do BTG e um dos maiores especialistas de commodities do mercado.
E o recado do Kazan foi bem óbvio: o cenário está muito positivo para investimentos em commodities. E isso é péssimo pro resto do mundo.
Veja bem: o que antes só parecia uma discussão sobre “quanto a alta do petróleo vai impactar minhas Petrobras e PRIO3” agora começa a ter seus impactos na vida real.
Na Europa, 2 milhões de pessoas não voaram nos últimos dias pois tiveram seus voos cancelados por falta de querosene na aviação.
Duas milhões de pessoas. MILHÕES.
Na Ásia e Europa, o termo “racionamento” não mais bate na porta: ele já arrombou com um chute e invadiu a casa da população.
“Ah, mas isso é pontual. Abriu o Estreito de Ormuz, é vida normal de novo”, pode dizer um investidor menos preocupado.
Sinto cheiro de Covid ao ler a frase acima.
O fato é: as reservas estratégicas dos países estão acabando. Ao mesmo tempo, a demanda já tinha crescido pela necessidade de investimentos em Inteligência Artificial. Fora que os países, temendo por um mundo cada vez menos globalizado, já estavam aumentando seus estoques.
Tudo isso contribui para que o tic tac do relógio seja cada vez mais alto para o início dos problemas. Kazan disse no evento que a Europa tem só mais 20 dias de estoque para querosene de aviação.
Ou seja, mais um mês de conflito e vamos ver o mundo entrar em um nível crítico. A consequência é óbvia: energia mais cara significa tudo mais caro. Isso é inflação na cabeça, pobreza no bolso e recessão na economia.
“Mas se a situação é tão caótica assim, por que o mercado está tão calmo?”
Bom, diferente da Covid, esse problema é de fácil solução. Basta EUA e Irã chegarem a um acordo, o Estreito reabrir e a oferta gradualmente se normalizar.
Simples…
Mas, diferente da Covid, onde o mundo todo parecia ter se juntado para achar uma solução, estamos vendo agora uma briga entre dois países e que está transbordando as consequências para o resto do mundo, como se não se importassem.
Fora que a situação está longe de se normalizar…
Acompanha meu raciocínio: o petróleo hoje está uns US$ 100 o barril. Mas a curva futura mostra o petróleo perto dos US$ 70 (ou seja, para o mercado, assim que essa guerra acabar, os preços se normalizam). Isso incentiva o produtor a vender o máximo possível de petróleo, antes que o preço caia.
Mas agora, o petróleo está acabando. Então a pressa do vendedor pode pular pro comprador, que passa a ter pânico de ficar sem a commodity.
Se você seguiu meu raciocínio, deve estar pensando o mesmo que eu: pra onde iria o petróleo se tivermos uma corrida de compradores e sem petróleo pra vender? Petróleo a US$ 100 é uma coisa, mas e a US$ 160, ou US$ 180??
“Caramba, o bagulho é sério! Então por que não chegam logo a um acordo?”
Porque a discussão mais delicada não é sobre o petróleo. É sobre a questão nuclear.
Os EUA já deixaram claro: não vai ter enriquecimento de urânio do Irã. E o Irã, depois de ter sido atacado, obviamente não vai abrir mão disso. Afinal, ninguém fala com Coreia do Norte ou Paquistão da mesma forma que falam com países sem enriquecimento nuclear.
O problema é que Trump tem pressa pra resolver esse impasse: o americano não gosta da guerra, o preço da gasolina pesa politicamente e em novembro tem uma eleição de meio de mandato pela frente – uma derrota de Trump, especialmente no Senado, o deixará muito fraco na segunda metade do mandato.
O Irã sabe disso. Por isso, cada semana de estreito fechado aumenta a pressão sobre Trump e melhora o poder de barganha iraniano.
Mas também há um limite para o próprio Irã: uma ditadura sem dinheiro sofre. Eles precisam do estreito aberto.
Conclusão: estamos diante de um cabo de guerra onde ganha quem aguenta mais dor. E os dois estão dispostos a ir até o limite.
“Caramba… e o que eu faço nesse cenário, Salomão?”
Deixo as duas dicas que o Kazan deu no painel do BTG: o ETF de ouro da casa (GOLB11) e o ETF de empresas exportadoras de commodities (CMDB11).
A minha dica é mais simples: repense seus planos de viajar para o exterior nos próximos meses
O que você PERDEU por não ser assinante do M3 Club O papo com o Kazan foi tão profundo que eu pedi para ele mandar para os assinantes do M3 Club (a comunidade de investidores do Market Makers) um resumo da sua tese. Resultado: um áudio de mais de 12 minutos, exclusivo para nossos assinantes.
São por pessoas como essa que posso dizer que nossa comunidade do M3 Club é o melhor lugar para o investidor brasileiro estar. Se você ainda não faz parte do M3, clique aqui e me chame pra conversar, em dois minutos de papo eu te convenço a entrar na nossa comunidade.