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Sobre futebol e as empresa que investimos
Lideranças de qualidade fazem diferença. Antes de investir, vale olhar não só os números, mas também quem está no comando.
Olá, tudo bem?
Quando Carlo Ancelotti foi anunciado técnico da seleção brasileira, aconteceu o óbvio: os veículos de comunicação escarafuncharam o currículo do italiano a fim de explicar ao público leigo de onde ele veio, o que já tinha feito na vida e o que se podia esperar dele à frente da seleção com mais títulos mundiais do mundo.
Provada a capacidade técnica dele, nossa aposta de que a seleção pode ir mais longe na Copa do Mundo ficou mais sólida. Ainda falta acertar o time, dar ritmo aos jogadores, controlar o emocional dos menos experientes e garantir que os mais experientes consigam render tudo o que podem.
Mas um técnico bom é meio caminho andado.
Assim é também nas empresas.
Aprendi com Matheus Soares, nosso fundador e analista de ações, que olhar o corpo diretivo de uma empresa é um fator essencial antes de decidir investir nela. Quem são as pessoas que comandam? Como pensam? Que currículo têm? Que lastro possuem e que podem nos dar a confiança de que farão um bom trabalho?
Uma curtíssima história: num almoço, um gestor de fundos experiente com mais de 20 anos de rodagem foi questionado sobre o desafio inglório de tentar dar resultado num Brasil com sequências intermináveis de governos do PT – um partido sempre pouco amigável ao mercado. A resposta dele foi: “eu comecei a fazer gestão num governo do PT, passei por todos eles e consegui dar resultado, superar as metas e fazer meu nome”. E completou: “o segredo é saber fazer um bom trabalho mesmo em cenários adversos”.
Assim é no futebol: eventualmente você não terá o melhor time logo de cara. Os adversários não serão os mais fáceis e ainda vai chover. Talvez tenha altitude. Mas você precisa entrar em campo sabendo qual é o necessário para vencer.
Assim é no mundo corporativo: não dá para esperar que todos os planetas se alinhem ao mesmo tempo com o cenário macro organizado, o fiscal tinindo, a geopolítica pacificada e uma boa safra agrícola. Aliás, no mundo volátil que estamos vivendo, isso será cada vez mais raro de acontecer.
Por isso, cada vez mais importam as figuras de liderança. Porque mesmo que esse cenário altamente positivo aconteça, se não há uma gestão experiente e competente, engajada e com objetivos claros, o negócio pode não decolar.
É natural olhar o preço da ação, as previsões para o futuro do setor, o impacto da IA no segmento, se a companhia é muito alavancada ou não, entre outros multifatores, antes de decidir investir num negócio. Mas pouca gente olha com critério para a liderança.
Volto ao Matheus Soares e me lembro da decisão de tirar a Tupy do nosso FIA. Na época, o Math explicou: não se trata de acreditar ou não no negócio, mas a mudança de liderança por uma interferência política coloca a confiança em xeque. E mais ainda num cenário em que se acreditava na piora no setor. Ou seja, cenário piorado e liderança que ainda não havia se provado eficiente.
Por outro lado, me recordo da entrevista que fiz há um ano com Pedro Bartelle, da Vulcabras. Ele falou de momentos de crise da companhia e da volta por cima que deram. Houve um baita esforço concentrado para fazer o ponteiro virar pra cima novamente. Se não fosse uma empresa “de dono” isso teria acontecido?
Ao fim e ao cabo, você pode comprar uma ação porque está barata ou porque o segmento de tal empresa está em seu melhor momento. Mas olhar só pra isso pode ser como ver um belo time sem saber quem é o técnico. Você diria que isso não faz diferença?
Um abraço, Leopoldo Rosa.