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Isso salvou Ulisses

Concentre-se nos sinais, descarte os ruídos

Por Josué Guedes

09 nov 2022 10h52 - atualizado em 17 nov 2022 12h58

Texto originalmente publicado na CompoundLetter, a newsletter do Market Makers. Inscreva-se na newsletter gratuitamente deixando o seu e-mail aqui

Se Ulisses não tivesse pedido para ser amarrado ao mastro do navio, não teria resistido ao canto da sereia, o que levaria ao naufrágio de seu navio e à morte de todos da tripulação.

Seu pacto com os marujos, descrito na Odisseia, era que em hipótese alguma deveriam desamarrá-lo, mesmo que ele insistisse, porque sabia que sucumbiria se escutasse as sereias e o fim seria trágico.

Na mitologia, o canto da sereia era belo e tão encantador que fazia os homens se jogarem ao mar para se juntar a elas.

No contexto do mercado, o investidor é como Ulisses, mas o canto que pode levá-lo a um destino trágico, à ruína, não é agradável como o das sereias, apesar de também ser sedutor, porque vem em forma de “ruído”.

Os ruídos são as notícias, ou rumores, que podem até mexer com o mercado no curto prazo, levando os investidores a tomarem decisões irracionais, mas que não são capazes de alterar a direção das coisas no longo prazo.

Para não se deixar levar por eles, é preciso “se amarrar” naquilo que realmente importa: os sinais, eventos com potencial de realmente mudar o rumo das coisas (para melhor ou pior).

Acompanhando o noticiário nas últimas duas semanas, aqui no Brasil, a diferença entre os dois ficou bem clara.

Sinal: Um novo presidente foi eleito.

Ruído: Dezenas de nomes ventilados todos os dias para os ministérios.

Se cada tweet ou matéria com nomes de possíveis integrantes do governo fosse real, com certeza, 36 ministérios seria pouco para abrigar todo mundo. Só para o Ministério da Fazenda, a lista já passa de cinco.

A verdade é que, apesar da incerteza quanto à política fiscal e a equipe do próximo governo, dar ouvidos aos ruídos, apesar de muito tentador, é a pior coisa que o investidor pode fazer para tomar qualquer decisão de alocação.

Na Odisseia, é o que aconteceria com Ulisses se seu pacto com os tripulantes fosse quebrado: todos morreriam.

Com paciência e disciplina, aos poucos, os sinais estão aparecendo e alguns, já falados nos episódios do Market Makers — valuation da bolsa brasileira atrativo, mercado internacional em momento desafiador, juros em ponto de inflexão, baixa alocação dos fundos em ações e fluxo gringo — continuam intactos, mesmo com tanto ruído no momento atual.

Quem seguir o “pacto” de investir para longo prazo, irá resistir ao canto da sereia.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br