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O Dia da Marmota Fiscal

Quase 90 dias esperando o fim do feitiço

Por Renato Santiago

30 mar 2023 12h26 - atualizado em 30 mar 2023 12h28

Acompanhar as cotações e notícias do mercado financeiro nos últimos meses me fez ter certeza de algo que aprendi no episódio 22 do Market Makers: estamos vivendo um grande Dia da Marmota.

A referência, trazida pelo Guilherme Motta, da Studio Investimentos, é ao filme “Feitiço do Tempo”, uma excelente comédia de 1993. Nela, Phill (Bill Murray), um arrogante jornalista, é enviado para uma cidade pequena para cobrir o Dia da Marmota, festival no qual uma marmota (obviamente) aparece e indica à população qual será a duração do inverno.

A viagem era para durar um dia, mas Phil magicamente acorda mais uma vez na cidade e mais uma vez é o Dia da Marmota. Sua conversa com a dona da pousada é a mesma; seu tropeço em um buraco na rua também; o encontro com um amigo de infância se repete. O mesmo acontece no dia seguinte, no próximo, no próximo, e Phil vive dias totalmente repetidos até que ele é capaz de quebrar esse feitiço do tempo também magicamente.

Por aqui parece que estamos coletivamente vivendo uma espécie de Dia da Marmota repetido com as novas regras fiscais do governo. Todo dia é o dia em que teremos alguma certeza sobre como será o fiscal nos próximos quatro — mas nada acontece.

Antes da posse do atual governo, o Dia da Marmota parecia ser a PEC da Transição, ou da Gastança, com notícias semelhantes todos os dias, até que o martelo foi batido e o teto de gastos ampliado em R$ 145 bilhões por um ano.

Isso aconteceu em 12 de dezembro passado e a partir daí o Dia da Marmota passou a ser o Dia do Novo Arcabouço, a regra fiscal prometida pelo ministro Fernando Haddad para substituir o demolido Teto de Gastos.

Desde então vivemos dias que parecem repetidos, com notícias quase idênticas: “o arcabouço sai até março“; “nova regra fiscal sai até o meio de abril”; “regra agrada ministro”; “regra vai agradar o mercado, diz ministra”, e assim por diante.

Enquanto isso, nada do feitiço ser quebrado e a Bolsa fica no patamar entre 105 mil e 100 mil pontos e os juros futuros para 2025 entre 12% e 13%.

Spoiler a partir daqui

No filme, Phil consegue quebrar o feitiço ao fazer com que uma colega se apaixone por ele. No nosso Dia da Marmota Fiscal, dependemos que o ministro Fernando Haddad divulgue essas regras (que já começaram a vazar aqui). Se estamos diante de romper o Feitiço do Tempo ou não, é questão de tempo saber.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br