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O que faz uma empresa atingir a excelência?

Quando o bom é inimigo do excelente

Por Josué Guedes

30 ago 2023 14h40 - atualizado em 30 ago 2023 02h40

Buscar a excelência, por definição, é não contentar-se apenas com o bom.

Porém, do aprimoramento pessoal até a administração de negócios e carreiras, é mais fácil contentar-se com um nível aceitável (bom) em vez de lutar pela excelência.

Por isso, a grande maioria das pessoas e empresas demonstra excelência em poucos ou mesmo nenhum aspecto.

Para entender os motivos disso no meio empresarial, Jim Collins, autor de Good to Great, realizou um estudo buscando os fatores que levam certas empresas a superarem a mediocridade e alcançarem uma grandeza sustentada ao longo do tempo.

Ao longo de 15 anos, Collins e sua equipe analisaram os dados financeiros de várias empresas, identificando aquelas que tiveram desempenho inferior ou iguais a um desempenho médio, seguido por 15 anos de retornos três vezes acima do benchmark.

As descobertas revelaram um padrão que Collins denominou de “De bom a excelente”. O estudo mostrou que algumas empresas conseguiram fazer essa transição justamente por priorizarem a busca pela excelência, em vez de se contentarem com resultados medíocres.

Para tentar explicar o que diferencia as empresas que continuam boas daquelas que atingem a excelência, Collins se inspirou no ensaio “O Porco-espinho e a Raposa” do filósofo Isaiah Berlin, que categoriza as pessoas em dois grupos: aquelas que se assemelham à raposa, que sabe muitas coisas, e as que se assemelham ao porco-espinho, que sabe muito bem uma coisa.

As raposas parecem vencedoras e acham que são inteligentes. Elas perseguem muitos fins simultaneamente, nunca integrando o seu pensamento numa visão unificadora.

Por outro lado, os porcos-espinhos são modestos. Eles simplificam um mundo complexo em uma única ideia organizadora, um princípio ou conceito básico que orienta tudo.

Isso também é o que as melhores e mais bem-sucedidas empresas fazem. Elas usam a “natureza do porco-espinho” — saber muito bem uma coisa — para ir de bom a excelente.

Collins percebeu que aqueles à frente de empresas medianas tinham tendência a ser como raposas, nunca alcançando uma vantagem única. Eles se mostravam dispersos e inconsistentes, provavelmente porque não faziam as perguntas adequadas e definiam seus objetivos mais movidos pela audácia do que pela compreensão.

Mas como deixar de ser “raposa” e encontrar a “natureza do porco-espinho” numa empresa boa que quer se tornar excelente?

Segundo Collins, mover-se do patamar de bom para extraordinário demanda uma compreensão profunda de três áreas interconectadas, que se traduzem em um conceito simples e nítido.

Exatamente onde esses três pontos se sobrepõem a “natureza do porco-espinho” de uma empresa emerge:

1. Paixão: somente quem é verdadeiramente apaixonado por algo poderá descobrir o que precisa melhorar;

2. Vantagem: entenda o que faz você se destacar e torne isso sua competência principal e use essa capacidade para se tornar o melhor em seu nicho;

3. Motor econômico: identifique os impulsionadores do seu motor econômico, procure aquele vetor de maior impacto.

Não por acaso, todas as empresas de excelência descobriram como sustentar retornos econômicos fabulosos, obtendo conhecimentos profundos sobre a sua realidade econômica e compreendendo estes três fatores fundamentais.

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br