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Onde você estava em 15 de setembro de 2008?

Cassio Bruno e o café do fim do mundo

Por Renato Santiago

23 set 2022 15h36 - atualizado em 23 set 2022 03h37

No dia 15 de setembro de 2008, quando o banco americano Lehman Brothers quebrou, começou a maior crise econômica e financeira que o planeta viu desde 1929.

Você se lembra onde estava nesse dia?

Os convidados dos Market Makers desta semana estavam em lugares privilegiados — para quem gosta de sofrer.

O Dia

Gustavo Salomão, hoje CIO da Norte Asset Management, era então chefe da mesa proprietária do Credit Suisse/Garantia. Viver tudo que aconteceu naquele dia, ele conta, teve até repercussões físicas.

“Psicologicamente foi a minha pior semana no banco”, diz Gustavo, referindo-se a sua trajetória de 21 anos no Garantia. “É um momento muito difícil. Você vai dormir à meia noite, exausto. Às 3 não consegue mais dormir, já vai olhar mercado da Ásia. Depois você vai tomar banho com ânsia de vômito e tem que ir para a mesa [de operações] , por que ela é sua responsabilidade E todo mundo está olhando para você”, resume Gustavo.

A semana do Cassio Bruno parece ter sido um pouco mais tranquila, apesar de ele ter virado a cara da tragédia.

“No dia a Globo estava no Pátria para gravar. Quando eu vi o que estava acontecendo no mercado, coloquei as mãos na cabeça desesperado. Fui filmado e meu gesto virou o símbolo do que estava acontecendo”, conta.

Infelizmente Cassio não tem as imagens e os arquivos online do Jornal Nacional não chegam tão longe.

Apesar de seu rosto ter virado símbolo de uma tragédia financeira, Cassio conta que não teve dos maiores prejuízo. Ele havia zerado suas posições duas semanas antes.

“Eu trabalhava com fundamentos. E nada do que estava acontecendo tinha fundamentos”.

As lições

Não perguntamos nada disso aos nossos convidados por sadismo. O importante é saber quais lições ficaram. Para Cassio, tudo ficou claro na pausa para o café.

“Eu entendia tudo que estava acontecendo. Eu vi aquilo e falei ‘acabou o mundo’. Reuni a equipe e fomos tomar um café no shopping Iguatemi. E lá na rua as pessoas estavam sorrindo, conversando, trocando ideia, conversando”, conta. “Aquele quê de normalidade foi muito chocante. As pessoas não entendem. E que bom, por que no fim elas estavam mais certas que a gente, por que o mundo não acabou, o mercado não acabou.”

Não, a lição não é a de que no final o governo sempre corre para salvar banqueiros alavancados, mas a de que o mundo não acaba tão fácil e a de que crises são oportunidades não apenas para ganhar dinheiro, mas para melhorar o sistema.

Gustavo concorda. “Se não temos corpos boiando hoje, é por causa de tudo que aconteceu lá”.

O episódio #13 já está disponível no YouTube e nas principais plataformas de podcast (Spotify ou Apple Podcast).

Convite

Eu não sei onde você estava 14 anos atrás, mas eu sei onde você precisa estar na semana que vem: acompanhando a semana especial do lançamento da Comunidade do Market Makers, o serviço que consideramos a espinha dorsal de tudo que queremos fazer pelas próximas décadas aqui no Market Makers.

A comunicação oficial do nosso lançamento será feita dentro do nosso canal no Telegram. Se você ainda não faz parte, entre agora (clique aqui) ou digite “mmakersoficial” na busca do app.

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Por Renato Santiago

Jornalista, co-fundador do canal Market Makers e do Stock Pickers, duas vezes eleito o podcast mais admirado do Brasil. Passou por grandes redações do país, como o jornal Folha de S. Paulo e revista Exame, e atuou na cobertura de diferentes temas, de cotidiano até economia e negócios. Sua missão, hoje, é a de usar sua expertise editorial e habilidades de reportagem para traduzir o mundo das finanças e mercado financeiro ao grande público.

renato.santiago@empiricus.com.br