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Terras raras e as oportunidades que o Brasil perde
Terras raras podem colocar o Brasil no centro de uma disputa global, mas será que vamos aproveitar essa oportunidade?
Olá, olá, tudo bem?
O Brasil é o segundo país com maior quantidade de terras raras mapeadas. E há quem diga que poderíamos assumir a liderança do ranking se o mapeamento fosse melhor feito. Independentemente disso, temos nessa nova queridinha dos mercados um ativo importante, mais do que o volume, esses elementos se espalham em solo brasileiro numa camada menos profunda, é mais barato para explorar e, teoricamente, embute menos risco ambiental.
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Mas o ponto que eu quero trazer é que o Brasil não está vendo nas terras raras sua primeira oportunidade de ganhar protagonismo global. Somos o país com maior disponibilidade de recursos hídricos no mundo. Temos uma matriz energética robusta e limpa enquanto energia é o grande dilema da Europa. Temos a Amazônia e uma biodiversidade inédita. Somos chamados de “celeiro do mundo” quando esse mesmo mundo discute a disponibilidade alimentar como um problema a ser resolvido nas próximas décadas.
O que incomoda, portanto, no tema das terras raras, é o histórico de baixíssimo aproveitamento de oportunidades por parte do Brasil. Já houve – e há – uma dezena de outros ativos que poderiam conferir ao país o protagonismo que ele merece, mas que escorreram pelas mãos de um país que parece confundir abundância com destino.
O pré-sal é o exemplo mais recente e mais caro. Descoberto como o maior achado de petróleo em décadas, prometia transformar o Brasil num player global de energia. Duas décadas depois, discutimos ainda partilha de royalties e gargalos regulatórios enquanto outros países que descobriram petróleo depois de nós já monetizaram a reserva.
O padrão se repete: descobrimos o ativo, comemoramos o potencial, e paramos exatamente no ponto em que caberia construir a cadeia de valor — infraestrutura, marco regulatório estável, capital de longo prazo. Terras raras podem ser diferentes por um motivo específico: a disputa geopolítica entre EUA e China por essa cadeia de suprimentos está reorganizando o mapa de fornecedores globais agora, não em uma década. Há uma janela. Mas janelas, o Brasil já experimentou, sabem fechar sem aviso.
A pergunta que fica não é se temos os recursos. Isso nunca foi problema. A pergunta é se, dessa vez, seremos capazes de transformar reserva em resultado antes que o mundo encontre outro fornecedor.
Um abraço,
Leopoldo Rosa