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Um ano de Market Makers: aprendizados e reflexões

Por Thiago Salomão

10 jul 2023 12h45 - atualizado em 10 jul 2023 12h45

“Tal qual um ‘market maker’ conecta investidores com ações de uma empresa, nós queremos conectar os profissionais do mercado ao investidor comum. Essa é a razão da nossa existência: o Market Makers será o local onde os investidores comuns poderão beber do conhecimento e dos insights das grandes mentes do mercado.”

(Trecho do “Empiricus Day One” de 27/06/2022)

Completamos 1 ano de Market Makers neste começo de julho. Por isso peço licença a todos os 3 leitores fiéis desta newsletter, pois trocarei o insight de mercado que a CompoundLetter se propõe a entregar por um compilado de aprendizados adquiridos nestes 12 meses e mais de 50 podcasts gravados.

Abaixo você verá apenas uma parte de todos esses aprendizados. Uma outra parte você poderá ver ou ouvir no episódio bônus que gravamos com os 4 sócios do MMakers (eu, Renato, Josué e Matheus): cada um falou sobre o que aprenderam e respondemos perguntas mais pessoais enviadas pelos nossos assinantes. Vai ao ar quarta-feira, 12/jul.

Lições de 1 ano de Market Makers:

Investir numa empresa para o longo prazo ou criar seu próprio negócio: tudo se trata de pessoas. Estar ao lado das pessoas certas é importante para a perenidade do business – ao mesmo tempo, evitar as “pessoas erradas” é vital.

Desconfie do que todos gostam e seja curioso ao que todos rejeitam. Pela nossa profissão, estamos conectados com as grandes mentes do mercado o tempo todo e dessa forma sabemos quais as ações favoritas dos grandes gestores. Tiramos vários insights com isso, mas o principal é: evitar cair nos modismos. Não gostamos de investir em algo que está em quase todas as carteiras de fundos do Brasil. Que diferencial teremos em comprar o que todos têm?

Trazendo para a prática a lição acima: empresas como Hapvida e Natura, que colapsaram na bolsa de 2022 pra cá, estavam presentes nas carteiras dos principais fundos do Brasil – e com alto percentual de participação. Não compre uma ação só porque todo mundo está comprando – mesmo que no “todo mundo” estejam os maiores fundos do Brasil.

Estudar ao máximo uma empresa antes de investir é importante, mas o que te dará conforto em carregar um investimento é o preço que você pagou para entrar. O preço, se muito baixo, torna-se o principal vetor para a compra; se muito caro, torna-se o motivo para não comprar, por melhor que seja a empresa.

Controlar as emoções é uma das tarefas mais difíceis para um investidor. Por isso, não subestime a sabedoria que só a experiência empírica pode trazer aos mais vividos.

Controlar as emoções é uma das tarefas mais difíceis para um investidor. Por isso, não superestime o controle emocional de um investidor experiente, ele também está fadado ao erro.

Entre mudar de posição ao admitir um erro de cálculo/estratégia ou manter-se numa posição só para não admitir que estava errado, escolha a primeira. Parece óbvio, mas basta ver nas redes sociais o quanto as pessoas se preocupam com o que os outros pensam sobre ela e verá como esse erro é comum. Admitir o erro trará um prejuízo financeiro bem menor.

Seja você um investidor amador ou profissional de ações, tenha um foco claro ao entrar no mercado. Isso vai evitar com que você perca tempo com as distrações que esse mundo traz. A ‘fintwit’ é o melhor exemplo disso: com foco, você pode aprender muita coisa legal e conhecer gente inteligentíssima; sem foco, você ficará horas discutindo a nova polêmica da semana (“é melhor comprar uma casa ou viver de aluguel?”).

A bolsa pode estar super barata (como está), mas você precisa ter cabeça de longo prazo para aproveitar essa pechincha, pois é impossível saber quando ela vai começar a subir. E a única forma de você conseguir isso na prática é sendo um poupador líquido (que ganha mais do que gasta ao mês). Organize suas finanças antes de querer se aventurar na bolsa.

Fazer poucas coisas com excelência é melhor do que fazer mil coisas de forma “ok”. Um podcast por dia nos daria muito mais audiência e visibilidade publicitária, mas um podcast por semana nos permite entregar algo com muito mais qualidade. Da mesma forma, ter mais do que 15 ações na nossa carteira recomendada nos tira a capacidade de buscar um diferencial nas nossas investidas. Menos é mais – mais qualidade e mais “alfa”.

É impressionante a evolução profissional do Matheus Soares: a cultura “skin in the game” da nossa carteira recomendada trouxe a este grande analista uma percepção de gestor. E os resultados começam a aparecer na nossa carteira e no fundo Market Makers.

Se todos disserem que uma nova ideia que você teve é uma ótima ideia, esquece: ela não é uma ótima ideia. Vale na bolsa, vale no mundo dos negócios.

Tenha um bom advogado antes de precisar ter um bom advogado. Faz parte da vida de adulto e vai te poupar longas horas quando você realmente precisar dele. E se esse advogado for um tijucano raiz, melhor ainda.

Não seja seu próprio inimigo e não se leve tão a sério. Não sei exatamente em qual episódio que se deu essa transição, mas sinto que o Market Makers melhorou muito quando eu parei de me levar tão a sério e de me comparar ao “Thiago da XP”.

Adoramos fazer episódios contando histórias do mercado ou de personagens que marcaram épocas, mas o trabalho de apuração + roteirização + produção é infinitamente maior.

magia do caos existe. Nunca se esqueça. Seus mil planos e ideias não são capazes de controlar os planos do universo. Por isso, se você estiver o tempo todo ocupado, não vai perceber os imprevistos nem as oportunidades que surgirão. Seja muito produtivo não significa ser muito “produtor”.

A maior mentira do mercado chama-se “verdade absoluta”. Por mais convicto que você esteja, a verdade é que não sabemos o que vai acontecer no mercado nos próximos dias, meses ou anos. Expectativa todos têm, mas nunca uma certeza. E se alguém disser que sabe com certeza o que vai acontecer, ou ela é mal intencionada ou simplesmente não sabe que não sabe.

Aprendemos nos episódios mais focados em falar do Brasil que nosso país tem problemas estruturais há quase um século nas mais diversas esferas e que são quase impossíveis de serem solucionados, pois envolvem vários grupos de interesses na política, na justiça e nas principais indústrias e setores.

Aprendemos também que isso nada tem a ver com perspectivas para bolsa de valores: ciclos das bolsas internacionais explicam muito mais os ciclos do Ibovespa do que nosso noticiário político-econômico. 

Marcos Lisboa disse para nós no final do ano passado: é melhor um ministro da Fazenda político do que técnico – desde que ele escute esses técnicos para tomar suas decisões. 

“Felicidade = Realidade – Expectativa”. Ter altas expectativas é a maneira mais fácil de se frustrar com a realidade, seja na bolsa de valores ou na vida real (não que a bolsa não seja real, mas você entendeu).

Tornar-se um empreendedor com o Market Makers mudou completamente minha forma de interagir com os entrevistados. Passei a entender melhor e dar mais valor àquela convicção quase que inconsequentemente que só um empreendedor tem de que seu negócio vai dar certo – por mais que as probabilidades joguem contra. O episódio #10, com o Roberto Lee (fundador da Avenue) foi um dos meus prediletos por causa disso.

Ser amigo das nossas fontes facilita nosso trabalho, mas não há melhor maneira de demonstrar respeito do que perguntar algo que você (ou o mercado) realmente gostaria de saber, por mais que possa deixar este convidado desconfortável. Nesse quesito, o papo com João Landau focado em explicar o super drawdown que os fundos da Vista Capital tiveram foi algo nunca visto nessa nova era dos podcasts de mercado.

Ser pioneiro traz mais riscos (se a ideia for ruim, você se dá mal sozinho), mas o retorno caso dê é muito melhor para o primeiro colocado. Isso vale tanto para nossa produção de conteúdo quanto para ir em busca de novas ações para a carteira.

Encontrar com quem você se imagina trabalhando junto pelo resto da vida é tão ou até mais importante do que descobrir o que você mais gosta de fazer. Isso reduz a ansiedade e nos dá confiança de que chegaremos onde queremos chegar com este que é o projeto de nossas vidas.

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Por Thiago Salomão

Fundador do Market Makers, analista de investimentos CNPI-P, MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o MMakers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, co-fundou o podcast Stock Pickers e foi sócio da XP de 2015 a 2021

thiago.salomao@mmakers.com.br