Estou lendo um livro sobre vergonha e vulnerabilidade. Chama-se “A Coragem de Ser Imperfeito”, de Brené Brown (tem uma palestra dela na Netflix sobre o mesmo tema também). E nesse livro, a gente entende um pouco sobre como nossos vieses podem definir fracasso e sucesso – e o que isso vai significar para nós.
Em paralelo, terminei nessa semana a Formação em Finanças Comportamentais. É um curso que Ivan Barboza, da Ártica, ministra em parceria com a Market Makers Academy, nossa vertical de educação.
Um dos pontos centrais abordados pelo Ivan são os tais vieses: de confirmação, de retrovisor, de extrapolação.
Unindo esses dois conteúdos (o livro e o curso), vi como a nossa forma de ver o mundo – e de ver a nós mesmos e nossas vulnerabilidades – pode definir se teremos bons resultados ao investir ou não.
Te convido a ficar comigo nessa leitura: separei cinco lições importantes sobre isso para refletirmos.
#01 – O que são os vieses cognitivos
São atalhos mentais sistemáticos que o cérebro usa para processar informações rapidamente, resultando em julgamentos e decisões irracionais ou imprecisas. Ivan Barboza fala sobre como esses vieses são ligados às nossas finanças e aponta dois caminhos para evitar que essas tendências contaminem as decisões de investimento:
- Identificar os momentos em que você está sob ação de um viés;
- Sobrescrever o impulso instintivo com a decisão resultante de análises racionais.
#02 – O viés de extrapolação
Ivan Barboza refuta a tese de que padrões sempre vão se repetir. É o que ele chama de “viés de extrapolação”.
Para o gestor, embora a gente tenha a tendência de assumir que o padrão de algo deve seguir se repetindo, os negócios e investimentos são mais complexos do que isso. Portanto, é preciso tomar cuidado com esse viés.
#03 – Outro viés: aversão à perda
“No mercado de ações é muito comum que as pessoas fiquem criando opiniões rápidas”, diz Ivan Barboza na aula 4.
Segundo ele, a maioria dessas opiniões é cristalizada a partir de poucos fatos. O gestor explica que, ao longo do tempo, a tendência do investidor é sempre lembrar daquilo que acertou em termos de previsões e esquecer do que errou.
Daí, vem outra armadilha, a de atribuir os acertos à nossa habilidade e os erros ao azar. “O grande risco é você entrar no jogo em que acha que joga muito bem, mas na verdade não joga tão bem”, alerta.
#04 – O que o viés faz com a gente (e com o mercado)
Volto a citar Ivan Barboza que explica como os vieses agem sobre o mercado para causar determinados excessos. Tomei a liberdade – com a devida autorização do time da Academy – de reproduzir um slide com um diagrama bem explicativo sobre isso. Veja.

#05 – Como o processo nos protege dos males de um viés errado
O viés cognitivo, de que natureza for, pode recair sobre qualquer um de nós. Assumir essa vulnerabilidade é importante demais.
E não tem “cura”. Mas tem formas de criar proteção contra ele. Ivan Barboza destaca na terceira aula da Formação a importância de ter um processo na hora de decidir por um investimento.
O gestor afirma que disciplina não é rigidez, “é consistência com feedback”. E explica seu ciclo:
“Hipótese > Alocação > Acompanhamento por indicadores-chave > Post-mortem”.
Sem esse ciclo, diz Ivan, o investidor vira refém do mercado. E de seus vieses cognitivos.
Ponto final
Escrevi um pouco mais sobre o livro de Brené Brown na minha coluna “Happy Hour” no portal Money Times. E a Formação em Finanças Comportamentais, com Ivan Barboza, está com vagas abertas. Te convido a obter mais informações no site, clicando aqui.