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Vai faltar barco

Poucos barcos, diárias em alta e muito caixa no horizonte: por que a OceanPact virou uma das teses mais assimétricas da Bolsa.

Matheus Soares

Por Matheus Soares

20 May 2026 11h19 - atualizado em 20 May 2026 11h21

Na semana passada, recebemos no Market Makers o Flavio Andrade, CEO e fundador da OceanPact, e o Eduardo de Toledo, CFO da companhia (LINK AQUI). Como não poderia deixar de ser, a conversa foi especialmente sobre a própria OceanPact: quando a empresa foi fundada, por que foi fundada, sua transformação ao longo dos anos, quem foram os sócios que participaram da sua história, como faz dinheiro, diferenciais competitivos e o que esperar para os próximos anos. Também falamos bastante sobre o setor de apoio marítimo no Brasil, que voltou a viver uma dinâmica favorável depois de muitos anos difíceis.

A conversa foi particularmente importante para nós porque a OceanPact é hoje uma das principais posições do Market Makers FIA. Depois do episódio, resolvemos organizar em um relatório completo a nossa visão sobre a companhia, reunindo a história da empresa, a dinâmica do setor, os principais números, os riscos e os motivos que nos deixam otimista com a tese de investimento. A ideia desta CompoundLetter não é repetir o relatório inteiro, mas apresentar os três pilares centrais da tese e deixar o convite para quem quiser se aprofundar.

O primeiro pilar está no momento do setor de óleo e gás no Brasil. Entre 2015 e 2020, a queda do petróleo, a Lava Jato e a desvalorização do real desmontaram um ciclo que, no pico de 2014, tinha mais de 500 embarcações operando para a Petrobras. A crise foi profunda: estaleiros brasileiros praticamente desapareceram, armadores globais enfrentaram enormes dificuldades financeiras e quase nenhum barco de apoio offshore novo foi encomendado no mundo ao longo da última década. O problema é que, enquanto a oferta ficou parada, a demanda voltou.

Em seu plano de negócios, a Petrobras prevê investir US$ 109 bilhões entre 2026 e 2030. Além disso, o pipeline de novas plataformas offshore segue relevante, o que aumenta a necessidade por embarcações de apoio. Como esse tipo de ativo é caro, especializado e leva tempo para ser construído ou reativado, a oferta não responde rapidamente. Na prática, temos hoje uma combinação favorável para quem já possui embarcações: demanda forte, oferta limitada e diárias de afretamento em alta. Nos últimos dois anos, essas diárias praticamente dobraram no Brasil.

Esse ponto nos leva ao segundo pilar: a alavancagem operacional. Em uma empresa como a OceanPact, a diferença entre um barco parado e um barco contratado a uma diária atrativa é enorme. Parte relevante dos custos já existe independentemente da utilização da frota: manutenção, tripulação, estrutura operacional e obrigações financeiras. Por isso,

quando a ocupação melhora e as diárias sobem, uma parcela importante da receita incremental tende a se transformar em EBITDA.

Essa dinâmica é especialmente relevante porque a OceanPact passou os últimos anos carregando uma estrutura operacional que não refletia plenamente o potencial econômico dos ativos. Em um ambiente de maior demanda, melhores diárias e contratos mais previsíveis, as embarcações têm o potencial de gerar um nível de resultado muito diferente. A tese, portanto, não depende apenas de crescimento de receita, mas da combinação entre maior utilização, melhores preços e diluição de custos fixos.

O terceiro pilar é o valuation. Mesmo com a melhora do ambiente setorial e com o potencial de expansão de resultados, a OceanPact ainda negocia como uma das empresas mais descontadas do setor. Em nossas estimativas, a companhia pode gerar cerca de R$ 1 bilhão de EBITDA a partir de 2027. E esse crescimento deve coincidir com uma fase de menor necessidade de investimentos em embarcações, já que o cronograma de obras nos barcos tende a ser menos intenso.

Essa combinação de mais EBITDA e menos CAPEX é o que pode transformar a tese em uma história relevante de geração de caixa. Nas nossas contas, a OceanPact pode entregar um free cash flow yield – geração de caixa dividido pelo valor de mercado da empresa – de 18,5% em 2027 e 20% em 2028. Nesse cenário, não seria uma surpresa se a companhia distribuísse, ao longo dos próximos dois anos, pelo menos metade do seu valor de mercado atual em dividendos.

Naturalmente, a tese tem riscos. A OceanPact ainda é uma empresa alavancada, que atua em um setor intensivo em capital, dependente de grandes contratos com a Petrobras e exposta a riscos operacionais, regulatórios e de execução. Esses riscos ajudam a explicar por que a empresa ainda negocia descontada. Mas, para nós, a pergunta central é se o preço atual compensa esses riscos diante do potencial de geração de caixa dos próximos anos.

Foi justamente essa assimetria que tentamos organizar no relatório completo. A OceanPact não é uma tese simples, mas acreditamos que ela é uma das mais interessantes dentro da carteira do Market Makers FIA. Para quem quiser entender melhor a empresa, sua história, o setor em que atua, a dinâmica das embarcações, nossas estimativas, os riscos, o valuation e o potencial de dividendos, o relatório completo está disponível no link abaixo:

Relatório completo

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Matheus Soares
Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br