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Bola no chão. Precisamos falar de Cazé

O recorde da CazéTV reforça sua força como fenômeno digital. Mas a disputa pelas transmissões esportivas ainda está longe de ser decidida.

Leopoldo Rosa

Por Leopoldo Rosa

19 Jun 2026 10h01 - atualizado em 22 Jun 2026 10h52

Olá, tudo bem?

É da Cazé TV, desde o último sábado, o título de maior audiência numa live esportiva na história do Youtube. A partida entre Brasil e Marrocos teve 12,7 milhões de dispositivos simultâneos sintonizados no canal de Casimiro Miguel. 

Um feito e tanto. 

Mas bola no chão. Precisamos falar da CazéTV com um pouco mais de profundidade.

A CazéTV é um fenômeno. Ponto. Mas é um fenômeno curioso porque ela não entrega – especialmente nas transmissões esportivas – nada além do que os outros fazem. Até porque o produto não permite isso. 

A magia da CazéTV é fazer do básico um diferencial. Ela transforma uma commodity num produto com diferenciais. E há um enorme mérito nisso. Galgada no carisma de Cazé, ela entra espontaneidade no ordinário, um caminho que a TV ainda pena para encontrar. 

A Cazé é a ponta do iceberg. 

Isto posto, vale colocar alguns pingos nos is. 

A audiência da Cazé ainda não chega perto da registrada na TV aberta. O jogo do Brasil alcançou cerca de 22 milhões de pessoas na Globo e 7 milhões no SBT.

Uma reportagem num site especializado trouxe uma conclusão que eu gostei: o que a Cazé causa na TV aberta é um incômodo mais mercadológico do que estatístico. 

Também há que se ponderar que a Cazé não é mais independente como quando surgiu.

Hoje, a marca e o canal pertencem à Livemode, uma empresa que nasceu no Brasil mas que hoje tem sede nas Ilhas Cayman. Os dois sócios-fundadores da Livemode não são outsiders desse mercado, pelo contrário. São responsáveis pela criação do extinto Esporte Interativo, que na época foi um baita fenômeno para o contexto da época. 

Tudo isso não para desmerecer o sucesso da Cazé, mas para ponderar alguns fatores-chave:

1) a TV aberta segue sendo uma força de massa muito imponente;

2) a institucionalização de um empreendimento como a Cazé pode ser decisiva para um sucesso de longo prazo – a informalidade pode permanecer na tela, nos bastidores não; 3) há uma clara reconfiguração de forças na arena das transmissões esportivas – e a Globo ainda é protagonista disso.

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Explico mais o terceiro ponto. A Globo não deixou de comprar a Copa toda porque não tem dinheiro. Deixou de comprar porque não achou que valia a pena. 

O custo está inflado e a receita publicitária e audiência não coadunam. Nesta semana, a emissora marcou 11 pontos exibindo Uzbequistão e Colômbia e 18 reexibindo uma novela do Globoplay (que não tem nenhum custo extra). 

Isso explica muito do vácuo aberto. Se na TV a receita parece “cansada”, na internet ela encontra frescor, uma estrutura de custos menos pesada e o hype. 

Um abraço, 
Leopoldo Rosa



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Leopoldo Rosa
Por Leopoldo Rosa

Leopoldo Rosa é COO do Market Makers. Jornalista com MBA em Mercado de Capitais pela UBS/B3 e em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Tem passagens por Globo, CBN, CNN e Abril.

leopoldo.rosalino.ext@mmakers.com.br