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Bola no chão. Precisamos falar de Cazé
O recorde da CazéTV reforça sua força como fenômeno digital. Mas a disputa pelas transmissões esportivas ainda está longe de ser decidida.
Olá, tudo bem?
É da Cazé TV, desde o último sábado, o título de maior audiência numa live esportiva na história do Youtube. A partida entre Brasil e Marrocos teve 12,7 milhões de dispositivos simultâneos sintonizados no canal de Casimiro Miguel.
Um feito e tanto.
Mas bola no chão. Precisamos falar da CazéTV com um pouco mais de profundidade.
A CazéTV é um fenômeno. Ponto. Mas é um fenômeno curioso porque ela não entrega – especialmente nas transmissões esportivas – nada além do que os outros fazem. Até porque o produto não permite isso.
A magia da CazéTV é fazer do básico um diferencial. Ela transforma uma commodity num produto com diferenciais. E há um enorme mérito nisso. Galgada no carisma de Cazé, ela entra espontaneidade no ordinário, um caminho que a TV ainda pena para encontrar.
A Cazé é a ponta do iceberg.
Isto posto, vale colocar alguns pingos nos is.
A audiência da Cazé ainda não chega perto da registrada na TV aberta. O jogo do Brasil alcançou cerca de 22 milhões de pessoas na Globo e 7 milhões no SBT.
Uma reportagem num site especializado trouxe uma conclusão que eu gostei: o que a Cazé causa na TV aberta é um incômodo mais mercadológico do que estatístico.
Também há que se ponderar que a Cazé não é mais independente como quando surgiu.
Hoje, a marca e o canal pertencem à Livemode, uma empresa que nasceu no Brasil mas que hoje tem sede nas Ilhas Cayman. Os dois sócios-fundadores da Livemode não são outsiders desse mercado, pelo contrário. São responsáveis pela criação do extinto Esporte Interativo, que na época foi um baita fenômeno para o contexto da época.
Tudo isso não para desmerecer o sucesso da Cazé, mas para ponderar alguns fatores-chave:
1) a TV aberta segue sendo uma força de massa muito imponente;
2) a institucionalização de um empreendimento como a Cazé pode ser decisiva para um sucesso de longo prazo – a informalidade pode permanecer na tela, nos bastidores não; 3) há uma clara reconfiguração de forças na arena das transmissões esportivas – e a Globo ainda é protagonista disso.
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Explico mais o terceiro ponto. A Globo não deixou de comprar a Copa toda porque não tem dinheiro. Deixou de comprar porque não achou que valia a pena.
O custo está inflado e a receita publicitária e audiência não coadunam. Nesta semana, a emissora marcou 11 pontos exibindo Uzbequistão e Colômbia e 18 reexibindo uma novela do Globoplay (que não tem nenhum custo extra).
Isso explica muito do vácuo aberto. Se na TV a receita parece “cansada”, na internet ela encontra frescor, uma estrutura de custos menos pesada e o hype.
Um abraço,
Leopoldo Rosa