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Precisamos de um país mais seguro
A insegurança pública também afeta a economia: aumenta custos para empresas e famílias e amplia a sensação de vulnerabilidade.
Olá, tudo bem?
Segurança pública é um tema que preocupa todo mundo. No mundo todo. Um estudo feito pelo cientista político da UnB, Murilo Medeiros, apontou que 70% das eleições ocorridas nos últimos 3 anos na América Latina foram vencidas por quem colocou o combate ao crime no centro do debate.
Apesar disso, a gente sempre teve dificuldade de correlacionar o mercado e a economia a esse tema. Parece que os dois sempre habitaram universos distintos na cabeça das pessoas. Mas há baldes de água fria nessa separação que vem mudando isso.
No ano passado, a RD Saúde (dona da rede de farmácias Droga Raia e Drogasil) apontou em um de seus trimestres uma piora no resultado justificada pelo crescente número de assaltos em suas lojas. Ladrões em busca das caras e desejadas canetas emagrecedoras – que possuem todo um mercado paralelo off-label, off-receita, off tudo.
Foi o caso recente mais emblemático de como a segurança pública vai em cheio no mercado. No setor bancário, há as fraudes e golpes. Na energia e no saneamento, as ligações ilegais.
Agora há uma contramão interessante pouco explorada.
A economia ruim impacta diretamente na nossa sensação de insegurança.
A verdade é que a ascensão da classe C, o aumento do poder de compra das famílias e o consequente aumento de suas possibilidades de “ter” é artificial. Primeiro porque a condução da política econômica brasileira é instável por si mesma, já que nunca tem ou teve um projeto com continuidade. Mesmo quando o governo sucessor é aliado do antecessor, temos tudo novo de novo.
Daí que a pessoa que não podia antes ter um iPhone 17 Pro Max compra um. Endivida-se. Mas como a economia é insegura e seu crescimento é baseado no endividamento, a pessoa sabe que não pode comprar outro caso seja roubada. Pimba! A sensação de segurança aumenta exponencialmente. Agora, você tem nas mãos um objeto caro, pago em parcelas, alvo do desejo de 10 entre 10 assaltantes mequetrefes. Mas sabe que, se perder aquele, ficará com as parcelas na mão e sem a possibilidade de repôr o objeto no curto prazo.
Isso naturalmente eleva a sensação de insegurança e o medo de um roubo. Não apenas porque os ladrões parecem brotar feito gremlins nas grandes cidades, mas porque a ascensão social não tem perenidade. E a gente sabe disso. Não é um simples “se me roubarem eu compro outro”. Aliás, é justamente essa insegurança econômica que faz muita gente reagir a assaltos e estar em risco de coisa pior do que apenas perder um bem material.
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Nas famílias com estrutura financeira um pouco melhor, o impacto da segurança está no gasto a própria. É o seguro do carro, do celular, da moto, do laptop. Uma linha de custo extra que se soma aos impostos que já pagamos para o Estado nos proteger e cujo resultado é perceptivelmente ineficiente.
Quando eu digo, no título deste texto, que a gente precisa de um país mais seguro, é disso que eu estou falando. Precisamos de segurança para andar nas ruas sem o risco de ser assaltado, mas também segurança de que, se formos assaltados, temos um cenário econômico que nos permite repor o bem roubado.
Um abraço,
Leopoldo Rosa