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O mês de junho do Market Makers FIA

Junho foi um mês mais desafiador para o Market Makers FIA. Confira os resultados e as principais movimentações da carteira.

Matheus Soares

Por Matheus Soares

08 Jul 2026 10h00 - atualizado em 08 Jul 2026 05h05

Como fazemos todo início de mês, gostaria de prestar contas aos cotistas do Market Makers FIA sobre como foi o mês anterior. Depois de termos conseguido defender bem a carteira em maio, junho se provou mais difícil. A cota recuou 3,0%, contra uma queda de 1,0% do Ibovespa, mas ainda conseguimos defender melhor do que o índice de Small Caps, que recuou 3,3% no mês, pressionado por um ambiente pouco amigável para empresas menores, menos líquidas e mais sensíveis ao custo de capital.

No ano, o Market Makers FIA acumula alta de 4,5%, contra 6,8% do Ibovespa e queda de 4,6% do índice Small Caps. Em 12 meses, avançamos 24,4%, ligeiramente acima dos 23,9% do Ibovespa e bem acima do índice Small Caps, que acumula queda de 1,4% no período. Desde o início do fundo, acumulamos 63,5%, contra 56,3% do Ibovespa e 1,1% do índice Small Caps. Nosso trabalho não é necessariamente ganhar do índice todos os meses, mas sim compor capital ao longo do tempo, evitando erros que nos tirem do “jogo” e carregando empresas que seguem gerando valor e negociando com margem de segurança.

No mês, o Ibovespa caiu pouco, mas o sentimento do mercado piorou bastante. A dinâmica continuou marcada por saída de capital estrangeiro, juros reais muito altos, inflação em trajetória desconfortável e aumento da volatilidade política à medida que a eleição presidencial se aproxima. Ao mesmo tempo, a trégua parcial no conflito entre Estados Unidos e Irã retirou prêmio de risco do petróleo, o Brent caiu de forma relevante e isso pressionou setores que tinham ajudado o índice nos meses anteriores. Em paralelo, o investidor global passou o mês alternando entre a volta do apetite por tecnologia e inteligência artificial e movimentos pontuais de rotação para mercados mais baratos. O Brasil, nesse contexto, ficou no meio do caminho: barato o suficiente para chamar atenção, mas ainda sem um gatilho claro para atrair fluxos de maneira consistente.

Como consequência natural do nosso processo de investimento, boa parte das oportunidades que encontramos hoje está em empresas menores ou médias, muitas vezes esquecidas pelo mercado, com baixa cobertura de analistas, menor liquidez e maior desconto em relação ao que acreditamos ser o seu valor justo.

Encerramos junho praticamente totalmente investidos, com cerca de 98% do patrimônio em ações. As maiores posições continuam sendo Priner, Celesc, Allos, OceanPact e Grupo Mateus. São empresas muito diferentes entre si, expostas a setores distintos, mas que compartilham algumas características que buscamos: negócios compreensíveis, com geração de caixa ou potencial claro de geração de caixa, equipes de gestão que acompanhamos de perto e preços que, na nossa visão, oferecem margem de segurança para o investidor paciente.

Priner continua sendo a maior posição do fundo. A companhia vem executando uma agenda de crescimento relevante, ainda que o mercado siga desconfiado da normalização de margens e da capacidade de converter esse crescimento em lucro líquido. Grupo Mateus, por sua vez, continua sendo uma tese importante da carteira: uma empresa regionalmente dominante, com avenida de crescimento, atravessando um momento operacional mais difícil e sendo negociada a múltiplos que, na nossa visão, já embutem muito pessimismo. OceanPact sofreu com a piora do humor em óleo e gás e com a queda do petróleo, mas nossa tese tem como pilar fundamental a dinâmica estrutural de demanda por embarcações, investimentos no offshore brasileiro e melhora de rentabilidade ao longo do tempo. Allos segue como uma tese de valor em shoppings, com ativos de qualidade, receitas relativamente previsíveis, proteção inflacionária e uma agenda cada vez mais clara de retorno de capital ao acionista.

A principal mudança foi a saída de Mills da carteira. Mills foi uma posição histórica e uma tese presente desde a cota 1 do Market Makers FIA. A companhia passou por uma transformação profunda nos últimos anos, especialmente por meio de aquisições, tornou sua receita mais diversificada e acabou sendo reconhecida por uma das maiores empresas de locação do mundo. A partir do momento em que a ação passou a negociar próxima do preço da OPA, entendemos que fazia mais sentido realocar esse capital em outras teses de investimento.

Também aumentamos a diversificação da carteira com teses menos relacionadas ao ciclo doméstico brasileiro, principalmente em setores ligados à mineração e a ativos dolarizados.

Olhando para frente, não achamos que o segundo semestre será trivial. A bolsa brasileira segue descontada, mas o Brasil também oferece hoje juros reais muito elevados, o que cria uma competição dura para qualquer ativo de risco. Além disso, a proximidade da eleição tende a aumentar a volatilidade e colocar o tema fiscal no centro da discussão. Não é difícil imaginar semanas de forte oscilação, movimentos bruscos de fluxo e narrativas mudando rapidamente conforme novas pesquisas eleitorais, dados de inflação ou sinais do Banco Central forem divulgados.

Nesse cenário, se tentarmos adivinhar o próximo movimento do juro, do dólar, do petróleo ou do fluxo estrangeiro, provavelmente vamos errar mais do que acertar. Nosso trabalho é outro: estudar empresas, entender suas vantagens competitivas, conversar com pessoas do setor, testar nossas hipóteses e comprar negócios que acreditamos valerem mais do que o preço de tela.

Continuamos acreditando que há oportunidades muito relevantes na bolsa brasileira, especialmente fora dos grandes nomes do índice. A relação entre risco e retorno em várias empresas que acompanhamos nos parece bastante interessante para quem tem horizonte de longo prazo. Seguimos confortáveis com a carteira atual e com a decisão de permanecer investidos.

Agradeço, como sempre, a confiança dos cotistas do Market Makers FIA. Segue a lâmina para quem quiser saber mais detalhes.

Um abraço,
Matheus Soares

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Matheus Soares
Por Matheus Soares

Fundador do Market Makers, analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o MMakers, foi analista responsável pela cobertura de Small Caps na XP Inc e analista fundamentalista da Rico Investimentos. Certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

matheus.soares@mmakers.com.br