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A eleição pode acabar no 1º turno – para ambos lados
E se não houver 2º turno em 2026? Maurício Moura vê uma chance pequena, mas nada desprezível, de Lula ou Flávio Bolsonaro vencerem já na primeira votação. Salomão destrincha essa tese, e o que ela pode significar para os mercados.
Tinha decidido escrever nada neste feriado, mas fiquei com um assunto martelando minha cabeça depois do episódio com o Maurício Moura (gestor do fundo Asa Zaftra, que só opera disputas eleitorais pelo mundo) que resolvi compartilhar aos leitores que não viram esse podcast.
Mauricio falou muita coisa interessante: explicou como transforma análise política em posição de investimento, explicou por que no Brasil o “retorno financeiro” do investimento para ser eleito deputado é muito melhor do que para tentar ser presidente da República…
Mas o momento mais “mind blowing” da conversa definitivamente foi quando ele disse que a eleição acabar no 1º turno não é um cenário de cauda, pra nenhum dos dois lados.
Isto mesmo: ele vê uma chance pequena, porém longe de ser desprezível, do Lula ou Flávio (o mais provável da oposição) saírem vencedores já no 1º turno. “É um cenário bem possível. Os dois lados”, reforçou Moura.
Vale dizer que, em quase 4 anos de histórico do Asa Zaftra, será a primeira vez que Moura vai operar o Brasil, pois só agora ele enxerga alguma assimetria entre preço de mercado e os cenários eleitorais previstos.
Vamos entender cada um dos dois cenários.
Como Lula ganharia a eleição no 1º turno?
Moura explica que o PT nunca ganhou uma eleição no 1º turno porque sempre havia um candidato que “roubava” votos à esquerda. Foi assim em 2002, quando Garotinho “tirou” 16% dos votos do PT no 1º turno.
Em 2006, foram Heloísa Helena e Cristóvão Buarque, somando 10%. Em 2010 e 2014, foi a Marina Silva, com 20% e depois 15%. Em 2018 e 2022, foram o Ciro Gomes e a Simone Tebet — e o voto da Simone, inclusive, acabou sendo decisivo pra vitória do Lula no segundo turno de 2022.
Em cada uma dessas eleições, se você somasse o voto desses candidatos ao do Lula ou da Dilma, o PT teria fechado no 1º turno – em alguns casos com larga vantagem.
Dessa vez, ninguém está cumprindo esse papel. É a primeira eleição presidencial sem concorrência à esquerda pro PT no 1º turno. Para acompanhar isso, Moura recomenda acompanhar a avaliação do governo, pois a votação do Lula tende a ficar muito próxima do percentual de aprovação que ele tiver na reta final.
Como Flávio ganharia a eleição no 1º turno?
No caso de alguém da oposição, a explicação gira em torno de algo que Moura definiu como “antipetismo de chegada”. É um fenômeno que, segundo ele, se repete em praticamente toda eleição que ele cobriu no Brasil – e sempre na mesma janela, que são os últimos dias antes da votação.
O eleitor que preferia um candidato menos competitivo (porque gosta mais dele, ou se identifica mais, por exemplo) muda de ideia na última hora e migra pro nome mais bem posicionado pra vencer o PT. Menos convicção, mais cálculo de última hora.
O gestor revisita 2018, quando Geraldo Alckmin perdeu 10 pontos percentuais de gente que “gostaria” de votar nele mas migrou para Jair Bolsonaro, visto como mais forte pra vencer já no 1º turno. Em 2014, foi o inverso: Aécio Neves ganhou 12 pontos na reta final, quando o eleitorado percebeu que Marina não tinha competitividade contra Dilma no 2º turno.
Hoje, quem se beneficiaria desse movimento é o Flávio Bolsonaro. Não porque o eleitorado ame o Flávio, mas simplesmente porque ele está mais bem posicionado que Cury, Zema, Caiado ou Renan.
Quando chegar na reta final, se o antipetismo de chegada se repetir como sempre se repetiu, Flávio receberá essa leva de “voto útil”.
O jeito que o Maurício mede isso é o detalhe que mais me chamou atenção. Ele não olha a pesquisa estimulada — aquela em que o entrevistador lê a lista de nomes e o eleitor escolhe. Ele olha a espontânea, onde a pessoa tem que lembrar e falar o nome sem ajuda nenhuma.
É mais difícil, mas é mais fiel: no Brasil, você vota digitando um número de cabeça na urna, sem ver nenhuma lista na tela. E hoje, somando Cury, Zema, Caiado e Renan na espontânea, o total não passa de 10%. Pouquíssimo pra segurar um eleitor de oposição se o Lula começar a crescer de verdade na reta final.
Então fica o quadro: se a aprovação do Lula subir, ele fecha no 1º turno porque não tem mais quem rouba voto dele à esquerda. Se não subir – e o antipetismo de chegada se repetir como sempre se repetiu – o eleitor de oposição se concentra rápido demais no Flávio tentar acabar no 1º turno também.
Embora seja o cenário menos provável de acontecer, foi inevitável ouvir essa análise sem pensar o que aconteceria com os mercados caso não tivéssemos 2º turno, para ambos cenários possíveis.
Já imaginou?
ps: Mauricio Moura é um dos 7 especialistas que estão no GABINETE DO INVESTIDOR, o projeto do Market Makers que reunirá esta turma com investidores que querem receber as melhores análises e insights sobre a corrida eleitoral.
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