Notícia

3min leitura

icon-book

Em SP eu não sei, mas na Faria Lima existe amor sim

Dizem que não existe amor em São Paulo. Mas, depois de um ano e meio na Faria Lima, descobri uma história bem diferente. Talvez o lugar mais árido da cidade tenha mais generosidade do que você imagina.

Leopoldo Rosa

Por Leopoldo Rosa

04 Sep 2026 10h00 - atualizado em 04 Sep 2026 01h23

“Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra
Afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu”

Esse mês faz um ano e meio que eu entrei no Market Makers. Ou que o Market Makers entrou definitivamente na minha vida. E refletindo sobre o mote icônico da música do Criolo, que diz que não existe amor em São Paulo, me dei conta de que encontrei muito amor, olha só, na Faria Lima, talvez o metro quadrado mais árido dessa cidade fria e cinza.

Cheguei aqui como um outsider. Como você sabe, sou jornalista de formação e embora tenha coberto a economia, a política e o mercado na carreira, eu nunca fui parte do mercado, tinha um olhar externo a ele. 

Portanto, a generosidade e a gentileza das pessoas é, além de agradável e bem-vinda, muito útil para que eu possa fazer um trabalho cada vez melhor nesse universo que me desperta tanta paixão. E eu confesso que esse ano e meio me marca por ser um acúmulo de gentilezas diárias que venho recebendo.

O Salomão é a síntese disso: tem generosidade impressa em cada ação. Seja nas oportunidades que me dá como host e como executivo da empresa, seja nos ensinamentos diários sobre como o mercado funciona, seja nas trocas e aconselhamentos amistosos off-expediente. O Matheus Soares têm sido meu professor. De value investing, de risco, de análise de ativos, de postura e comportamento profissional irretocáveis.

Fui abraçado também pela audiência do Market Makers desde que comecei a participar da bancada. Ouvi elogios, encorajamentos e críticas muito importantes para que eu pudesse ser melhor. Fui tratado como respeito e cortesia por nossos entrevistados. Gente muito mais inteligente do que eu, que nos dá a honra de seu tempo para estarmos juntos. 

É claro que há hostilidades na Faria Lima. Há egos. Há “eu sou o chefe, eu mando”. Há crachás e “quanto de AUM você tem?”. Mas eu, por ora, pude experimentar muito mais do lado colaborativo, de gente inteligente e interessante que olha para o mercado não como quem olha apenas para o próprio bolso, mas como uma forma de desenvolver o país e torná-lo um lugar melhor e mais justo.

A Faria Lima, como tantas coisas no mundo hoje, sofre com a generalização: somos as pessoas de colete, patinete e copo Stanley. Spoiler se você nunca veio aqui: não somos. Também somos gestores quebrando a cabeça para gerar resultado, executivos fazendo malabarismo para manter suas equipes, podcasters tentando traduzir o mercado, outsiders tentando entender como essa engrenagem funciona. 

A Faria Lima “média”, da vida real, aliás, é bem distante do Lobo de Wall Street e, quem vive dessa imagem, saiba, é só imagem e projeção.

Trabalham aqui 16 mil pessoas todos os dias. A média de expediente de um “faria limer” é de 9h40 minutos e 5% do PIB de São Paulo surge a partir dessa região da cidade.  A grande maioria das pessoas está apenas trabalhando, vivendo e tentando – como todos nós. 

Existe amor na Faria Lima. Não o amor romântico – embora algumas janelas possam apontar que sim. Mas o amor de quem gosta do que faz e é generoso o bastante para dividir com quem quer aprender. Pode ser que, ao longo deste caminho, que eu espero, seja longo, eu descubra ainda o dark side dessa Gotham City da baleia. Aí, eu volto para contar. Por ora, fico com o otimismo dos ‘novatos’ (risos). 

Um abraço,
Leopoldo Rosa

Compartilhe

Leopoldo Rosa
Por Leopoldo Rosa

Leopoldo Rosa é COO do Market Makers. Jornalista com MBA em Mercado de Capitais pela UBS/B3 e em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Tem passagens por Globo, CBN, CNN e Abril.

leopoldo.rosalino.ext@mmakers.com.br