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Em defesa da Fintwit: 5 regras de bom uso

Como sobreviver e tirar o melhor da comunidade brasileira de finanças do Twitter

Por Josué Guedes

24 ago 2022 11h27 - atualizado em 27 ago 2022 04h02

Nos últimos 4 anos, o Twitter fez parte da minha rotina. Seja para tuitar, ou, principalmente, consumir conteúdo sobre mercado.

Entrei por indicação de um amigo que naquela época também estava tentando encontrar ordem no caos [do mercado] para tirar um cascalho, como disse poeticamente Luiz Alves Jr. no episódio #07, ou, num português mais claro, no meu caso, tentando pagar boleto comprando e vendendo dólar futuro (com pouquíssimo sucesso).

“Cara, tem um tal de Henrique Bredda, da Alaska, tuitando sobre ações e você vai curtir. Abre uma conta no Twitter e vou te passar outros perfis de mercado para você seguir”, me sugeriu.

Conta aberta e alguns tuites depois, descobri a tal fintwit: comunidade de investidores do Twitter, que ninguém diz fazer parte. Explico.

Se o Instagram é como aquele colégio bilingue com aulas de etiqueta e empreendedorismo (winners club), o Twitter é a 5ª B de uma escola tradicional com 45 alunos por sala, vários grupinhos diferentes e uma infinidade de tretas.

A fintwit, nesse contexto, é um pequeno grupo que “reúne” de forma não espontânea pessoas que possuem um gosto em comum, o mercado financeiro, mas que não necessariamente se gostam. Justamente por isso é difícil alguém se dizer pertencente à fintwit, pelo menos aqui no Brasil.

Lá fora, além de eventos reunindo os membros da “comunidade”, um research do HSBC, 6º maior banco do mundo, criou até uma lista dos melhores perfis da FinTwit gringa (veja aqui).

Mas, voltando à fintwit brasileira, para sobreviver a ela, como em qualquer ambiente inóspito, o indivíduo (tuiteiro) precisa conhecer primeiro onde está pisando (ambiente) e o que deve ou não fazer (regras).

Como já expliquei o primeiro, vamos as “regras” que aprendi nos últimos anos como usuário assíduo e fã da fintwit brasileira para tirar o que ela de melhor pode oferecer: conteúdo/insights e ótimos contatos.

1) Não tretarás

Se algumas coisas no mercado parecem não ter downside, outras não tem nenhum upside. Esse é o caso das tretas no Twitter. Elas são responsáveis por quase 99% de toda repulsa que as pessoas têm pela fintwit e não geram ganhos para absolutamente ninguém. Então, evite ao máximo iniciar ou participar de uma treta e já estarás livre do que há de pior no Twitter e na fintwit.

2) Silencie e bloqueie (sem moderação)

Um dos segredos para não vacilar na primeira regra e acabar entrando numa treta é silenciar ou em último caso até bloquear perfis reais ou fakes. Nem todos irão concordar com isso, mas é muito mais fácil sobreviver à 5ª B ignorando quem não acrescenta em nada.

3) Crie listas

Essa é uma das melhores e menos utilizadas funções do Twitter. Para quem deseja acompanhar conteúdo sobre mercado, não há nada melhor. Criando listas, você pode agrupar perfis que falam sobre um mesmo tema e extrair o que há de melhor sem se preocupar com distrações. Para descobrir como criar essas listas, basta dar um Google.

4) Comente e compartilhe

Além de criar listas para acompanhar passivamente o que os outros tuitam, comente e compartilhe para gerar interação e conhecer outros usuários da fintwit. Tire dúvidas, peça indicações, retuíte bons conteúdos e crie o seu também (pode ser uma frase, trecho de livro, recomendação etc).

5) Use a DM

Viu um tweet ou thread legal? Além de comentar e/ou compartilhar, mande uma DM para o autor. Sei de negócios e até contratações que aconteceram após a simples atitude de mandar uma mensagem privada. Não subestime o poder da fintwit. Lá tem de gestor com bilhões sob gestão à apaixonados pelo mercado que estão há décadas vivendo disso.

Assim como o mercado, a fintwit se movimenta em ciclos. Após um tempo lá você irá perceber. Já passamos por momentos de muito conteúdo, outros de várias tretas e hoje parece que encontramos um meio termo, mas com algumas baixas pelo caminho.

Infelizmente, por motivos diversos, vários bons investidores e gestores já deixaram a plataforma. Lembro até hoje do dia em que o Rogério Xavier, gestor de um dos maiores fundos multimercados do Brasil, saiu do Twitter após receber uma resposta ácida e irônica num tweet que fez criticando duramente a atuação do presidente do Banco Central, Roberto Campos.

Esse caso é emblemático e serve para lembrar que o Twitter coloca todos os usuários em pé de igualdade. Grandes investidores e gestores podem ser questionados por ilustres operadores de OIBR3 em lote fracionário. Talvez por isso influenciadores que acumulam milhões de seguidores em outra redes não se aventuram no Twitter, porque sobreviver à 5ª B requer mais do que boas fotos e textos com meia dúzia de gatilhos mentais.

É verdade que Xavier não usava muito a rede do passarinho azul, mas era ótimo ler seus comentários sobre cenário macro de forma gratuita e condensada em 280 caracteres.

O Bredda, um dos primeiros que segui, também não está mais lá. Mas ainda tem muita gente boa e que faz a fintwit valer muito a pena.

Inclusive no último episódio do Market Makers conversamos com duas lendas vivas do mercado brasileiro, Rodrigo Campos e Alfredo Menezes, que estão diariamente no Twitter compartilhando insights, cenários e conselhos gratuitamente.

Se você decidir se aventurar por lá, não esqueça das cinco regras e siga o MMs lá também (clique aqui).

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Por Josué Guedes

josue.guedes@mmakers.com.br